Vejamos aqui um comentário muito pertinente de Anselmo Heidrich ao post "Oscar Niemeyer é um déspota":
Dois anos antes de ser inaugurada, a poetiza americana E. Bishop visitou Brasília e se surpreendeu com a secura e desolação do local. Ela estava antevendo como seria a cidade. Também já li que Brasília é "a última cidade medieval do mundo" ou "a cidade medieval mais moderna do mundo", algo assim, devido ao princípio de isolamento do público. De acordo com Vesentini em seu A Capital da Geopolítica, ela foi realmente pensada para apartar: os próprios pontos de ônibus são distantes uns dos outros para evitar aglomerações. E não precisamos ser experts no assunto para perceber porque aqueles prédios só devem funcionar em clima seco, como é de fato o Planalto Central, pois quando chove há muita infiltração; suas paredes envidraçadas também funcionam como estufas onde o uso de ar condicionado permanente se faz obrigatório. Tudo bem "ecológico", que nossos críticos politicamente corretos esqueceram de comentar. Niemeyer, como admirador do vulgo Le Corbusier, quem dizia que "a arquitetura serve para disciplinar", não poderia deixar de pensar algo como espetáculo de concreto: é uma obra que não dialoga com o cidadão, apenas expõe para o mesmo. Se há um sentido naquilo, mais parece ser o de um cemitério vivo.