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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Brasil prova que desigualdade não gera violência

Um dogma repetido à exaustão por jornalistas e acadêmicos com orientação ideológica de esquerda é o de que pobreza e desigualdade são as causas principais da violência. Alguns, como Marcelo Lopes de Souza, até usam uma retórica malandra para relativizar essa relação de causa e efeito que eles estabelecem a partir de pressupostos puramente ideológicos, mas a conclusão final de seus escritos vai sempre na direção de priorizar o combate à desigualdade como forma de reduzir a violência (ver aqui).

Ora, mas o Brasil é justamente a prova de que essa causalidade não tem comprovação empírica. Desde o Plano Real, o salário mínimo subiu muito acima da inflação - ganho real de 75% só no período de 1995 a 2004 -, milhões de pessoas saíram da pobreza e ainda houve uma rápida diminuição da desigualdade de renda (Néri, 2006). O gráfico abaixo mostra isso claramente, pois houve queda da desigualdade dos rendimentos do trabalho de 1995 em diante e, a partir de 2001, declinou também a desigualdade medida pela renda domiciliar per capita - RDPC. 


Fonte: HOFFMAN, 2006

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Vem aí "Por uma crítica da geografia crítica"

Acho que nunca fiquei tanto tempo sem publicar post novo. É que os últimos dias foram corridos, entre outras razões, pelos preparativos finais para a publicação do livro Por uma crítica da geografia crítica, pela Editora da UEPG. Essa obra complementa os trabalhos que publiquei sobre a geocrítica desde 2001, conforme eu explico resumidamente no texto que acabei de preparar para a contra capa. Assim, decidi compartilhá-lo com os leitores deste blog, conforme segue:

Ruy Moreira afirma e insiste que a geografia crítica nunca existiu como corrente de pensamento. Por sua vez, Ana Fani assegura que a geocrítica existe, mas lamenta que, depois das conquistas teóricas dos anos 70 e 80, entrou em refluxo. Enquanto isso, geógrafos de projeção, como Rogério Haesbaert e Marcelo Lopes de Souza, recusam o rótulo de geocríticos e afirmam não ter a preocupação de classificar seus trabalhos em qualquer corrente. Mas estão todos errados. A geocrítica não só existiu como está mais forte do que nunca, sendo hegemônica na geografia brasileira atual. Tanto que Haesbaert e Souza reproduzem os pressupostos da geocrítica em seus trabalhos e, mesmo assim, não se assumem como geocríticos e nem são vistos desse modo por seus pares. O motivo disso é que, hoje, as teses da geocrítica são vistas como verdades tão óbvias que culpar o capitalismo e a democracia representativa pela violência urbana, pela pobreza, por problemas ecológicos ou de qualquer outro tipo é o mesmo que dizer “Cabral chegou ao Brasil em 1500”. Nesse contexto, a missão deste livro é demonstrar a hegemonia da geocrítica no cenário contemporâneo e analisar criticamente seus pressupostos teórico-metodológicos e políticos, manifestos na pesquisa acadêmica, nas propostas de planejamento e também no ensino. Trata-se, pois, de um convite a refletir sobre o que foi e o que é essa tendência da geografia que se fez dominante ao ponto de tornar-se quase invisível.   

quarta-feira, 7 de março de 2012

Dos "de baixo" é que não vem nada mesmo

Antigamente, ouvia-se com certa frequência um adágio bastante otimista que dizia o seguinte: "de onde menos se espera, aparece a solução". Como contraponto, o humorista conhecido como Barão de Itararé cunhou uma versão paródica: "de onde menos se espera é que não vem nada mesmo". Vale como aviso bem-humorado para os intelectuais críticos que, com o fracasso da tese marxista da centralidade operária, ficaram viúvos de uma teoria da revolução. As tentativas de cobrir essa lacuna são várias, e vou citar três agora. 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Mais umas coisas sobre Raquel Rolnik e outros maus perdedores do planejamento

Quando eu disse que Rolnik é um desses maus perdedores do planejamento urbano (ver aqui), faltou dar um exemplo de como ela reproduz o pensamento dogmático dos geógrafos urbanos e urbanistas inspirados pelo marxismo. Há uns bons anos, eu assisti a uma palestra dessa senhora em que ela afirmava que os problemas urbanos geralmente atribuídos à “falta de planejamento” eram, na verdade, resultados da aplicação de um determinado tipo de planejamento ligado aos interesses dominantes...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A prática dos "movimentos sociais" contradiz a teoria

Com o fracasso da tese marxista da centralidade operária, os intelectuais críticos do capitalismo vêm depositando suas esperanças utópicas em outros tipos de "movimentos sociais". Supostamente, essas organizações políticas poderiam levar a uma sociedade socialista de tipo novo, distante do estatismo totalitário e corrupto do socialismo real. Mas a experiência histórica recente demonstra haver uma enorme contradição entre essas expectativas e a prática política desses grupos. Vejamos: 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Retórica de Lopes de Souza não disfarça a banalidade das suas explicações

Os intelectuais de esquerda são movidos pela convicção de que o capitalismo responde pelos males do mundo, raciocínio ao qual certos volteios dialéticos conseguem, às vezes, dar um verniz de sofisticação, mas sem eliminarem seu teor determinista monocausal. Diante da criminalidade, essa tendência de pensamento costuma eximir os bandidos da responsabilidade por seus atos, já que a pobreza, a desigualdade e a "opressão capitalista" seriam as verdadeiras causas do problema.

domingo, 13 de novembro de 2011

Marcelo Lopes de Souza é como qualquer militante primitivo de esquerda

Na palestra Da “arqueologia” à “genealogia”: balanço e perspectivas dos vínculos entre a geografia e o pensamento libertário, Marcelo Lopes de Souza (2009) passou mais de uma hora a repetir chavões da geografia crítica (embora diga que não pertence a tal linha de pensamento). Sempre preocupado em se mostrar um intelectual sofisticado e politicamente progressista, definiu o tal "pensamento libertário" como uma tradição intelectual que se propõem a fazer a crítica tanto do capitalismo quanto do socialismo burocrático, abrangendo autores como Foucault e Castoriadis, entre muitos outros. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Rogério Haesbaert não admite, mas é um geógrafo crítico

Uma vez que a geografia crítica se tornou hegemônica, ninguém mais quer se assumir como um geógrafo crítico. Isso soa paradoxal, mas faz todo sentido. Se as teses fundamentais da geocrítica são aceitas por todos como verdades evidentes por si mesmas, que originalidade ou sofisticação pode haver no pensamento de um autor que se diz crítico ou radical? Por isso, é raro encontrar, além de uma Ana Fani Alessandri Carlos, quem continue a agitar a bandeira da geocrítica hoje em dia. 

Assim, falar em hegemonia da geocrítica significa dizer que mesmo autores que nunca se propuseram a desenvolver essa perspectiva reproduzem seus pressupostos essenciais. É o caso de Rogério Haesbaert. Ele trabalha quase exclusivamente com teóricos radicais, que incluem, além de Marx e Engels, uma gama de marxistas, pós-modernistas e ecléticos, tais como Milton Santos, David Harvey, Marcelo Lopes de Souza, Carlos Walter Porto Gonçalves, José de Souza Martins, Gilles Deleuze, Félix Gattari, Michel Foucault, Giorgio Agamben e Boaventura de Souza Santos (Haesbaert, 2006; 2004).

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O ambientalismo dos geógrafos é demagogia esquerdista

Um dos mantras que não param de ser repetidos pelos intelectuais e professores brasileiros é o de que o capitalismo é, em si mesmo, antiecológico. Na geografia, vemos isso nos escritos de Ana Fani Alessandri Carlos, Marcelo Lopes de Souza, José W. Vesentini, e de tantos outros autores. Ideia sempre repetida com a ligeireza de quem pensa estar enunciando uma verdade tão evidente que não precisa ser comprovada. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Marcelo Lopes de Souza: a banalidade da geografia

Poucos geógrafos atuais são tão festejados quanto Marcelo Lopes de Souza. E poucos são tão simplificadores quanto ele. Ao discutir a violência nas grandes cidades brasileiras e as contribuições do planejamento urbano para combatê-la, esse autor começa dizendo, corretamente, que não existe uma causa única para a criminalidade, pois mesmo a pobreza não opera de forma determinista, conforme demonstra a conhecida comparação entre Brasil e Índia. Pouco adiante, porém, reproduz as concepções da geocrítica sobre a lógica do capitalismo, desqualifica a democracia representativa e, ato contínuo, afirma a necessidade de realizar uma utopia radical: 

domingo, 25 de setembro de 2011

Gomes só não deu nome aos bois

Em um ótimo artigo, Paulo César da Costa Gomes (2009) afirma o seguinte: “a ideia de uma ordem espacial pode substituir a quimérica busca pelo domínio de um objeto específico e ao mesmo tempo significar a superação das causalidades simplistas, a tentação do fácil consenso banal e das respostas a priori, características que têm sido bastante nocivas à afirmação de um campo de análise efetivamente relevante para a geografia”.