O título do capítulo 2 do meu livro Por uma crítica da geografia crítica, publicado em 2013, é o seguinte: "a impotência das teorias críticas no domínio prático e a lógica dos maus perdedores". A segunda metade desse capítulo, em que são analisadas propostas de planejamento urbano e regional, faz uma revisão bibliográfica que pode ser resumida assim:
O jornalista Leandro Narloch, em seu Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, avisa que "já é hora de jogar tomates na historiografia politicamente correta". Este blog faz a mesma coisa com a geografia e o sistema de ensino atuais, que carregam os mesmos vícios. E está explicado o título do blog. Por Luis Lopes Diniz Filho
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quarta-feira, 21 de setembro de 2016
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Socialismo, campesinato e sabedoria oriental: a soma de todos os males
Três coisas que a maioria dos intelectuais "críticos" adora fazer são: malhar o ocidente, malhar o capitalismo e idealizar o "campesinato". Pois vou apresentar mais um relato da jornalista Xinran, extraído da obra As boas mulheres da China: vozes ocultas (Companhia das Letras, 2003), para demonstrar como a China comunista provou que combinar socialismo, campesinato e a milenar "sabedoria oriental" resulta no cúmulo de tudo o que há de pior na face da Terra!
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Capitalismo na China foi o primeiro passo para libertação da mulher chinesa
Parece que ando muito preocupado com as minorias sociológicas ultimante... Usando um interessante sistema chamado crossbooking, peguei emprestado, numa cafeteria que frequento, um livro que há tempos eu tinha curiosidade de ler: As boas mulheres da China: vozes ocultas (Companhia das Letras, 2003), da jornalista chinesa Xinran.
Fruto de um trabalho jornalístico realizado de 1989 a 1997, o livro narra uma série de histórias chocantes de exploração, humilhação, violência, estupro, tortura, descaso e desrespeito contra mulheres, as quais revelam a distância astronômica que separa a mulher ocidental da mulher chinesa.
Enquanto no ocidente vemos atrizes hollywoodianas querendo ganhar mais do que o trabalho delas vale com base no argumento da igualdade - e como se desvincular os cachês pagos às atrizes das bilheterias dos filmes que elas protagonizam não fosse justamente a abolição da igualdade! - as mulheres chinesas continuam vivendo num mundo onde impera, mais do que uma cultura machista, uma cultura misógina! Lugar pior do que a China para ser mulher, só se for em países como Irã e Arábia Saudita.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Por que o MST pariu o MTST: nada a ver com utopia
O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto - MTST foi fundado em 1997, bem no meio da forte escalada de invasões de propriedades rurais promovida pelas organizações de "sem-terra" na segunda metade da década de 1990. O MTST possui organização e métodos em tudo similares aos do MST, sendo apontado como o "braço urbano" desta última organização: se o MST é uma indústria de invasões de propriedades rurais, o MTST é uma indústria de invasões de terrenos urbanos (aqui).
Para os marxistas e outros teóricos críticos que pesquisam o agro ou o planejamento urbano, organizações desse tipo são evidências de que a instituição da propriedade privada estaria sendo posta em xeque por "movimentos sociais" que, no campo e na cidade, expressam necessidades objetivas e subjetivas da população às quais o Estado não consegue responder adequadamente dentro da ordem capitalista (Diniz Filho, 2013). Mas a verdade é bem outra.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Visão de natureza de Fritjof Capra não justifica propostas de sustentabilidade ambiental
Uma das muitas explicações banais que são repetidas o tempo todo por geógrafos e cientistas sociais é a de que a chamada "crise ambiental" tem origem numa visão dicotômica da relação sociedade/natureza, visão essa cujas origens estariam ligadas à moral judaico-cristã e à racionalidade cartesiana. Essa visão estabeleceria que a natureza é apenas um recurso a ser utilizado pelo homem, o qual, no esforço de "dominá-la", geraria desperdício de recursos naturais e uma série de impactos ambientais insustentáveis no médio e longo prazos. A alternativa, portanto, começaria por adotar uma perspectiva holística da relação sociedade/natureza, que seria própria das "filosofias orientais" e de certas descobertas da ciência moderna, como as da física quântica, que supostamente confirmariam essa perspectiva. A partir daí, seria possível constituir sistemas econômicos e técnico-científicos sustentáveis, já que baseados na concepção de que a natureza é, ao invés de um recurso para o homem, um sistema complexo do qual o homem faz parte.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Slavoj Zizek e as versões do dogmatismo anticapitalista
Conforme explicado em outro post (aqui), Slavoj Žižek é um teórico socialista cuja obra resume os truques retóricos usados pela maioria dos autores radicais da atualidade, a saber: primeiro, propor revoluções que apontam para utopias de conteúdos indefinidos; segundo, usar malabarismos dialéticos que, de modo mais ou menos explícito, justificam eticamente qualquer ação violenta com teor anticapitalista ou antiliberal; terceiro, culpar o capitalismo por todos os males do mundo sem explicar direito as relações de causa e efeito que justificariam tais acusações. Agora, é o momento de situar a forma como Žižek aplica esses truques no contexto da crise da teoria social crítica - tradição de pensamento que engloba o marxismo e todas as demais formulações teóricas assumidamente interessadas em contestar a ordem capitalista em bases radicais.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Slavoj Zizek é o socialista que resume os outros socialistas
O filósofo esloveno Slavoj Zizek é uma autêntica celebridade acadêmica internacional. Se me perguntarem a razão de tamanho sucesso, eu diria que está no fato de ele resumir, levando ao paroxismo, todas as características comuns à grande maioria dos intelectuais socialistas dos dias de hoje. Mas não que eu já tenha lido algum dos diversos livros dele. Não li e nem pretendo ler, por uma simples razão: quando leio alguma entrevista ou texto desse autor, ou ainda uma resenha qualquer de seus livros (tanto favoráveis quanto desfavoráveis), fica claro que os escritos dele só servem para exemplificar toda a teia de imposturas a que costumam se entregar os intelectuais "críticos" da atualidade.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Desenvolvimento desigual é o último refúgio dos socialistas
Conforme procuro demonstrar em artigos e livros publicados, as dificuldades teóricas dos intelectuais críticos não se resumem à necessidade de explicar a crise do socialismo real e o abortamento das expectativas revolucionárias, pois é preciso também responder como tem sido possível ao capitalismo, em contradição com as previsões dos teóricos radicais, combinar crescimento econômico, melhora das condições de vida e democracia. Diante dessas dificuldades, os intelectuais socialistas apelam para o tema do desenvolvimento desigual, e se dividem em dois grupos.
sábado, 3 de agosto de 2013
Acreditar no Movimento Passe Livre é roubada!
Já critiquei muito o MPL por conta dos seus discursos e estratégias políticas de tipo chantagista, próprias das forças de esquerda mais autoritárias e violentas, como MST e seus congêneres radicais, o anarquismo bakuninista e os movimentos revolucionários que redundaram nas ditaduras comunistas. Agora, vou pôr em destaque um ótimo texto para demonstrar, com base em informações técnicas, que o MPL usa também a tática leninista e nazista de mentir de forma repetida e descarada até que a mentira se torne verdade.
De fato, os pós-adolescentes do MPL podiam ter a honestidade de dizer que defendem o subsídio integral para as passagens por acharem que esse seria o primeiro passo para uma economia totalmente estatizada, nos moldes do socialismo. Mas não! Eles preferem disfarçar essa bandeira com o uso da expressão "Direito à Cidade" - muito cara aos geógrafos, por sinal (Diniz Filho, 2013) - e ainda dão a entender que, se todos pagássemos pelo transporte público integralmente com o dinheiro dos impostos, não pela compra de passagens, os custos seriam menores e o sistema mais "justo". É o que acontece toda vez que a passagem de ônibus sobe, pois, independentemente de qual foi o valor do aumento, essa turma vai às ruas segurando cartolinas com dizeres do tipo "é um roubo" ou "tantos Reais de aumento é um roubo", ou ainda, "Tantos Reais já é roubo".
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Alunos preguiçosos praticam o socialismo sem saber (é, eu já fui aluno...)
Quando eu estava no primeiro ano do ensino médio, tive o primeiro contato com a geografia crítica. A professora não usava livro didático, não aplicava prova e dava poucas aulas expositivas. Quando fazia uma exposição, ficava só comentando assuntos políticos e econômicos do momento à luz de suas ideologias esquerdistas. No mais das vezes, organizava debates, sendo que a classe era dividida em dois grupos, um contra e outro a favor de determinada ideia ou proposta. Creio que o primeiro debate de todos foi "capitalismo versus socialismo". Houve um outro que tratava sobre pagar ou não pagar a dívida externa. Ao fim de cada debate, ela fazia um comentário sobre a discussão, posicionando-se. Assim, ficamos sabendo que ela era marxista, socialista e petista. Tudo bem ao gosto de um Paulo Freire da vida, autor do qual ela falava como se fosse um gênio. Mas, de geografia mesmo, não falou patavina.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Para citar Che Guevara
A todos aqueles que, assim como eu, não aguentam mais ver frases de Che Guevara servindo de epígrafe para trabalhos acadêmicos, palestras e discursos de estudantes, ofereço uma pequena coletânea de citações que servem de antídoto. Todas elas foram extraídas do Guia politicamente incorreto da América Latina, de Leandro Narloch e Duda Teixeira (Leya, 2011), mas as referências são dos textos originais citados pelos autores.
domingo, 2 de dezembro de 2012
A escola oculta o genocídio socialista!
Um comentário sobre o meu post anterior tratava de indicações de bibliografia a respeito de alguns líderes socialistas genocidas. É claro que o comentário foi redigido por uma pessoa que está fazendo uma pesquisa aprofundada sobre o assunto, e tanto que se dispôs a atravessar as mais de 800 páginas da célebre biografia de Josef Stálin escrita pelo historiador Simon Sebag Montefiori. Mas esse comentário me fez recordar do alarmante contraste entre as toneladas de documentos históricos que expõem os massacres gerados pelo socialismo, em todos os países onde esse sistema foi implantado, e o silêncio absoluto dos nossos professores e livros didáticos sobre o assunto.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Por que tratar de política aqui. Ou: por que a maioria não aprende com a realidade?
Pode parecer estranho ficar tratando de política num blog que, conforme está dito logo aí em cima, se destina a dar tomatadas na geografia e no sistema de ensino atuais. Mas não é. A predominância de teorias e ideologias anticapitalistas nas ciências sociais e em nosso sistema de ensino faz com que inexista, por definição, quaisquer distinções entre posicionamentos político-ideológicos, propostas de políticas públicas e opções teórico-metodológicas em nosso universo acadêmico.
Quem diz isso nem sou eu, mas os próprios autores que eu critico aqui. Aqueles que se inspiram em gente como Paulo Freire e Milton Santos são justamente os primeiros a dizer que é impossível separar ciência, educação e ideologia e a acusar os intelectuais que deles discordam de serem “ideólogos”, “de direita”, “neoliberais”, etc. Nesse sentido, a refutação da teoria social crítica e da pedagogia freiriana tem necessariamente de mostrar, pela análise da crise política das esquerdas, o elevado grau de dogmatismo, autoritarismo, simplismo e incoerência que acomete essas correntes. Afinal, não são os autores dessa estirpe que falam da necessidade de "colar" a reflexão teórica à prática?
segunda-feira, 9 de abril de 2012
As muitas formas do capitalismo (concluindo minha resposta)
Concluo neste post a resposta que escrevi ao comentário enviado por Angelo Menegatti a este blog (ver aqui). Vou me concentrar na passagem em que ele afirma que ser velho é defender o capitalismo, já que as ideias que sustentam tal sistema "são as mesmas de 500 anos atrás".
quinta-feira, 15 de março de 2012
Carlos Walter mudou para ficar a mesma coisa
Em 1982, o Boletim Paulista de Geografia publicou uma edição especial com o tema Geografia e Imperialismo. Estávamos ainda na fase da maior efervescência da geografia crítica e radical, quando a maioria dos integrantes dessa corrente se dizia marxista ou, no mínimo, afirmava utilizar o "método dialético" como base de suas pesquisas.
Nesse tempo, Carlos Walter Porto Gonçalves era a regra, não a exceção. No artigo que publicou nessa edição da revista (Gonçalves; Azevedo, 1982), seguiu a mais pura linha teórica marxista e leninista para explicar o dito imperialismo. Está tudo lá, como se pode ver num resumo esquemático:
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Os maus perdedores do planejamento urbano
Na ausência de um projeto minimamente claro e viável de construção do socialismo, os autores inspirados pela teoria social crítica se dedicam a atacar muito, propor pouco e esperar que alguma alternativa utópica possa emergir de discussões coletivas. E quebram a cara! Um bom exemplo disso está num artigo em que Silvana Pintaudi avalia a realização de duas Conferências da Cidade no município de Rio Claro, conforme segue:
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
A prática dos "movimentos sociais" contradiz a teoria
Com o fracasso da tese marxista da centralidade operária, os intelectuais críticos do capitalismo vêm depositando suas esperanças utópicas em outros tipos de "movimentos sociais". Supostamente, essas organizações políticas poderiam levar a uma sociedade socialista de tipo novo, distante do estatismo totalitário e corrupto do socialismo real. Mas a experiência histórica recente demonstra haver uma enorme contradição entre essas expectativas e a prática política desses grupos. Vejamos:
sábado, 3 de dezembro de 2011
Piauí revela que cubanos vivem "por la izquierda"
Não costumo reproduzir textos publicados em outros sites, mas vou usar este post para pinçar algumas informações relevantes da excelente matéria publicada sobre Cuba na revista Piauí, cujo título é La vida por la izquierda. Ele confirma coisas que já são bem sabidas e também destrói alguns mitos que políticos e professores brasileiros teimam em espalhar. De forma esquemática, o artigo informa, entre outras coisas, que:
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Camponesa explica (sem querer) que mercado é melhor do que fraternidade
Uma das críticas mais antigas e mais comuns à economia de mercado é que, ao estimular a competição econômica e a busca pela satisfação dos interesses individuais, esse sistema tende a fazer com que os valores morais e a solidariedade sejam postos de lado em nome de um autêntico "salve-se quem puder". Esse tipo de crítica romântica ao capitalismo é hoje muito presente nas ciências humanas, como se vê, por exemplo, no comentário do professor André ao post A palestra que não aconteceu. Críticas desse teor supõem a vida em comunidade como forma de organização social fundada em valores morais e sentimentos fraternos, mas as pessoas que as enunciam não costumam explicar se, nessa sociedade alternativa, a cooperação estaria assegurada pelo fato de que a ausência de propriedade privada devolveria o homem àquela condição de bondade inata suposta por Rousseau, ou se a vida em coletividade ofereceria incentivos (quais?) para que os indivíduos cooperassem entre si.
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