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terça-feira, 12 de julho de 2016

Viva os transgênicos! Abaixo o Greenpeace!

Já fui abordado na rua, umas três vezes, por militantes do Greenpeace doidos para me arrancar doações de dinheiro. Eu podia responder que estou com pouca grana (o que nem seria mentira), mas prefiro cortar logo a conversa dizendo a verdade: não tenho simpatia pelo Greenpeace.

Mas como alguém pode não simpatizar com uma organização que defende tão belas causas? Simples: repudio organizações que tentam me enganar com mentiras descaradas e que, ao defender causas inegavelmente belas, propõem "soluções" que, quando aplicadas, geram efeitos contrários aos prometidos.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Agricultor familiar prefere plantar fumo a fornecer verdura para a merenda escolar

Uma das muitas aberrações do Brasil atual é o discurso de que a agricultura "camponesa" não age movida pelo interesse em obter lucros, mas sim pelo objetivo de reproduzir seu modo de vida, o qual se adaptaria ao capitalismo de forma "contraditória". Em função disso, haveria uma "lógica da produção camponesa" que, contrariamente à "lógica do agronegócio", estaria orientada para a produção de alimentos saudáveis de forma ambientalmente sustentável e destinados ao consumo no mercado interno.

Mas como os "pesquisadores" que estudam o agro com esses parâmetros explicam o fato de que a maior parte da produção de tabaco é realizada pela agricultura familiar? Bem, ou eles simplesmente omitem esse fato - tal e qual acontece nas tabelas do suplemento especial do Censo Agropecuário 2006 sobre agricultura familiar -, ou então sugerem que o produtor familiar muitas vezes planta fumo por falta de opção. Noutros termos, justificam suas explicações apriorísticas com uma racionalização ad hoc segundo a qual muitos "camponeses" se vêm forçados a assimilar a "lógica capitalista", ao menos parcialmente, como estratégia para resistir no meio rural.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

CQD: Pesquisador "critico" da reforma agrária assume que age como criacionista


Um dos ensaios do livro Não culpe o capitalismo comenta que os autointitulados "pesquisadores militantes" são como os criacionistas: ao invés de tomarem a observação empírica como ponto de partida para explicar os fenômenos sociais, começam com uma explicação pronta e selecionam os conceitos, dados e evidências que possam servir para comprová-la. Bem, num texto recente sobre a política de reforma agrária, Bernardo Mançano Fernandes, que assume explicitamente adotar uma perspectiva teórica anticapitalista, diz o seguinte:
[...] cientistas interpretam as realidades, procuram explicá-las e convencer outros a aplicar esses pensamentos. Para tanto, selecionam um conjunto de referências constituintes, como elementos, componentes, variáveis, recursos, indicadores, dados, informações etc., de acordo com suas perspectivas e suas histórias, definindo politicamente os  resultados que querem demonstrar (Fernandes, 2013, p. 198).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Vilas Rurais como alternativa ao fracasso da reforma agrária

Acabou de sair um artigo na Revista da Anpege que desafina o coro dos pesquisadores do agro que, movidos por uma mistura de agrarismo ingênuo com marxismo, teimam em acreditar que a reforma agrária é a solução para os problemas sociais no campo brasileiro.

O objeto da pesquisa é o Programa Vilas Rurais, instituído no âmbito do Programa Paraná 12 Meses, um amplo programa de desenvolvimento rural que vigorou entre 1997 e 2006, fruto de uma parceria entre o governo do estado do Paraná e o Banco Mundial. O Vilas Rurais visava combater a pobreza no campo e o êxodo rural mediante a distribuição de pequenos lotes de terra (em média, meio hectare) para famílias pobres que vivem na área rural ou nas periferias de pequenos municípios. Daí porque o principal público alvo do programa eram as famílias de trabalhadores volantes ou "boias frias". O diagnóstico que lhe servia de base é o de que, no contexto do "novo rural", as ocupações rurais não agrícolas e urbanas oferecem oportunidades de geração de renda superiores à agricultura, de modo que a pluriatividade constitui a melhor estratégia de sobrevivência para as famílias rurais (Zafalon, 2015).

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Socialismo, campesinato e sabedoria oriental: a soma de todos os males

Três coisas que a maioria dos intelectuais "críticos" adora fazer são: malhar o ocidente, malhar o capitalismo e idealizar o "campesinato". Pois vou apresentar mais um relato da jornalista Xinran, extraído da obra As boas mulheres da China: vozes ocultas (Companhia das Letras, 2003), para demonstrar como a China comunista provou que combinar socialismo, campesinato e a milenar "sabedoria oriental" resulta no cúmulo de tudo o que há de pior na face da Terra!

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Zander Navarro: os seis temas mais importantes no novo mundo rural brasileiro

Concluindo o texto anterior (aqui), apresento as seis principais novidades do mundo rural brasileiro, tal como exposto por Zander Navarro na palestra que proferiu recentemente. Note-se que, à luz desse diagnóstico, a geografia rural e a geografia escolar são simplesmente patéticas!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Vesentini perpetua bobagens e ganha dinheiro com CTRL C, CTRL V

Para demonstrar os efeitos nefastos da doutrinação ideológica no ensino médio, em meu último livro, analisei duas obras didáticas de José W. Vesentini, o responsável pela introdução das ideias da geografia crítica e radical nesse segmento do mercado editorial brasileiro (Diniz Filho, 2013). Usei as edições de 1996 e 1998 de Brasil: sociedade e espaço e também a edição de 2005 de Geografia: geografia geral e do Brasil para revelar como os livros que seguem a pauta da geocrítica distorcem completamente a realidade brasileira pelo mau uso que fazem das informações estatísticas e pelo modo como perpetuam explicações anacrônicas e simplistas sobre agricultura e alimentação no Brasil.

Pois bem. Decidi checar um livro mais recente, que é Geografia: o mundo em transição (Vesentini, 2013) para ver se teria havido alguma melhora nos últimos anos. Não que eu esperasse melhora, na verdade, mas, por desencargo de consciência, fui verificar. Resultado: nesse livro, Vesentini reproduz, com poucas alterações, passagens inteiras dos livros que eu avaliei, repetindo os mesmos conteúdos distorcidos e incorrendo nos mesmos erros!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Por que o MST pariu o MTST: nada a ver com utopia

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto - MTST foi fundado em 1997, bem no meio da forte escalada de invasões de propriedades rurais promovida pelas organizações de "sem-terra" na segunda metade da década de 1990. O MTST possui organização e métodos em tudo similares aos do MST, sendo apontado como o "braço urbano" desta última organização: se o MST é uma indústria de invasões de propriedades rurais, o MTST é uma indústria de invasões de terrenos urbanos (aqui).

Para os marxistas e outros teóricos críticos que pesquisam o agro ou o planejamento urbano, organizações desse tipo são evidências de que a instituição da propriedade privada estaria sendo posta em xeque por "movimentos sociais" que, no campo e na cidade, expressam necessidades objetivas e subjetivas da população às quais o Estado não consegue responder adequadamente dentro da ordem capitalista (Diniz Filho, 2013). Mas a verdade é bem outra. 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Locavore: produção local de alimentos é questionável até em termos ambientais

Uma agropecuária baseada na policultura e voltada para o atendimento de mercados locais é antieconômica porque reduz a produtividade média da terra e, por conseguinte, aumenta os custos de produção, diminui a oferta de alimentos e pressiona os preços ao consumidor para cima. E essas perdas são muito maiores do que a redução dos custos de transporte esperada com a implantação desse modelo, conforme demonstrei noutro post (ver aqui). Nesse sentido, as políticas que privilegiam o fornecimento local na compra de comida para merenda escolar, como é o caso do nosso Programa Nacional de Alimentação Escolar (IBGE, 2010, localização 77), são prejudiciais para a economia e também um desperdício de dinheiro público, pois estimulam produções familiares de baixa eficiência e ainda encarecem a merenda.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Geografia econômica corrige populismo e reivindicações interesseiras disfarçadas de "humanismo"

O modelo de von Thünen
Ponto central: o mercado urbano de alimentos
1. (branco) Frutas, hortaliças, leite e outros produtos de consumo diário
2. Produção de lenha
3. Produção de grãos
4. Criação de gado
Alguns conhecimentos básicos de geografia econômica são muito úteis para escantear argumentos baseados em raciocínios simplistas, os quais costumam disfarçar reivindicações particularistas sob o manto de uma alegada preocupação com o bem comum. É o que se vê nos parágrafos abaixo, publicados por um licenciado em geografia, que é também agricultor ecológico, na área de comentários deste blog:

sexta-feira, 4 de abril de 2014

No que certos industriais se parecem com certos "camponeses"

Ao acusar o protecionismo industrial como uma das "vacas sagradas" que impedem a economia brasileira de crescer mais rapidamente, Fabio Giambiagi e Marcelo Nonnenberg recorrem à seguinte citação do escritor H. L. Mencken, frasista famoso pelo sarcasmo: "quando se ouve um homem falar do seu amor por seu país, podem saber que ele espera ser pago por isso". E eles acrescentam: "a frase vem sempre à memória quando se ouvem as queixas contra a presença 'excessiva' de produtos importados no mercado" (2007, p. 176).

De fato, o discurso nacionalista não serve apenas a certas críticas de esquerda e de direita contra o livre comércio, mas também, e talvez até principalmente, aos interesses de grandes industriais que preferem se abrigar da concorrência internacional a correr o risco de competir abertamente. A Fiesp é o melhor exemplo de como grandes industriais podem ser os primeiros a se posicionar a favor do protecionismo e de outras formas de intervenção estatal na economia em nome do "interesse do país" em ter uma "indústria forte".

terça-feira, 18 de março de 2014

Márcio Pochmann e o erro de falar em nome de 4 milhões de agricultores familiares

Fonte: Buainain; Di Sabbato; Guanziroli, 2004

Márcio Pochmann é um péssimo analista da realidade brasileira e foi o pior presidente que o IPEA já teve. Como é economista de formação, caracteriza-se por torturar os números até que eles pareçam dar razão a dogmas de esquerda. Um pequeno exemplo disso está numa passagem de entrevista que foi citada na área de comentários deste blog, qual seja: "40 mil produtores agrícolas, que controlam 50% das áreas agricultáveis elegem de 120 a 140 deputados, enquanto de 4 a 6 milhões de famílias que praticam a economia familiar são representados por de 12 a 13 deputados" (Márcio Pochmann).

Não sei quais critérios ele usou para determinar quem representa um grupo e quem representa o outro. Provavelmente, ele raciocina que os deputados apoiados pelos movimentos de "luta pela terra" são aqueles que representam os milhões de agricultores familiares brasileiros. Só que nenhuma ideia poderia ser mais falsa do que essa.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Oito verdades incômodas sobre economia de mercado, agricultura e ecologia

Ao responder a um comentário que atacava a agricultura patronal e o uso de agrotóxicos, dei-me conta de que os esclarecimentos que fiz mereciam um destaque maior aqui no blog, pois batem de frente com uma série de ideias tão contraditórias e equivocadas quanto difundidas na academia e nos meios de comunicação. Vejamos: 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Visão de natureza de Fritjof Capra não justifica propostas de sustentabilidade ambiental

Uma das muitas explicações banais que são repetidas o tempo todo por geógrafos e cientistas sociais é a de que a chamada "crise ambiental" tem origem numa visão dicotômica da relação sociedade/natureza, visão essa cujas origens estariam ligadas à moral judaico-cristã e à racionalidade cartesiana. Essa visão estabeleceria que a natureza é apenas um recurso a ser utilizado pelo homem, o qual, no esforço de "dominá-la", geraria desperdício de recursos naturais e uma série de impactos ambientais insustentáveis no médio e longo prazos. A alternativa, portanto, começaria por adotar uma perspectiva holística da relação sociedade/natureza, que seria própria das "filosofias orientais" e de certas descobertas da ciência moderna, como as da física quântica, que supostamente confirmariam essa perspectiva. A partir daí, seria possível constituir sistemas econômicos e técnico-científicos sustentáveis, já que baseados na concepção de que a natureza é, ao invés de um recurso para o homem, um sistema complexo  do qual o homem faz parte.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Agrotóxicos não fazem mal à saúde, mas nutricionista se contradiz para propagandear orgânicos

Entre os mil e um argumentos que militantes do MST, geógrafos agrários e outros intelectuais engajados apresentam para contrapor o agronegócio à agricultura familiar, um dos mais repetidos é o de que incentivar esta última significa dar força à produção de alimentos orgânicos, que são produzidos de forma sustentável e não fazem mal à saúde das pessoas. OK, mas os textos que já li a respeito não apresentavam dados de pesquisas que comprovem que os alimentos produzidos com fertilizantes químicos, pesticidas e herbicidas sejam prejudiciais à saúde. Simplesmente assumem isso como um fato, e pronto!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A geografia rural crítica é mais anacrônica do que a geografia tradicional

Em seu ataque demolidor à geografia de Vidal de La Blache, Yves Lacoste, um dos pioneiros na construção da geografia crítica ou radical, começa por acusar o anacronismo dos estudos desse autor. Segundo ele, o estudo regional lablacheano passava ao largo dos processos de industrialização e urbanização para se concentrarem na descrição de paisagens rurais. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ou os europeus são burros, ou a produção agrícola familiar pode ser dispensável

Uma coisa intrigante quando lemos os estudos que tratam da agricultura como atividade econômica é que muitos autores afirmam categoricamente que o agricultor familiar é mais produtivo do que o patronal. Asseguram que os pequenos proprietários fazem uso mais eficiente dos recursos, sobretudo da mão de obra, e que produzem mais por unidade de área. E, ainda assim, esses mesmos autores clamam por ajuda para os pequenos produtores, exigindo que o Estado lhes dê assistência técnica, financiamento a juros baixos, mercado cativo (como o de produtos para merenda escolar), subsídios de preço, barreiras à importação de alimentos, e por aí vai. Mas não é estranho que o setor mais eficiente e produtivo precise tanto que o Estado lhe conceda benefícios de toda ordem, mesmo que a fundo perdido, para não desaparecer?

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Até Fani entreviu o que Ruy Moreira não enxergou

Em um texto que fazia o balanço de dez anos do advento da geografia crítica ou radical, Ruy Moreira (um dos muitos geógrafos marxistas que hoje renegam esse rótulo, mas sem abandonar o anticapitalismo velho de guerra) faz uma avaliação muito interessante sobre os limites dessa renovação científica:
[...] o conceito de espaço não evolui acompanhado da criação de uma linguagem de representação espacial renovada e o olhar cartográfico fica fora da renovação geográfica. E isso é o que fica evidente agora na ida ao campo.
O que é paradoxal, porquanto um rico e forte momento de reflexão sobre o conceito de espaço, que busca justamente precisá-lo de um modo teórico-metodológico claro e operacional [...] está em curso na renovação, clamando pela sua conversão em linguagem concreta de representação cartográfica. Uma conversão que não houve (Moreira, 2000, p. 43).

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Trabalho infantil na agricultura familiar não dá manchete

O que aconteceria se uma pesquisa oficial mostrasse que centenas de milhares de crianças trabalham em grandes empresas agropecuárias? O mundo viria abaixo! Os grandes jornais fariam disso matérias de primeira página, os "movimentos sociais" repercutiriam a notícia incansavelmente, propriedades seriam invadidas com o pretexto de que têm ou poderiam ter menores trabalhando ali e, por fim, seria  proposto um projeto de emenda constitucional - PEC, determinando a desapropriação das terras onde fossem encontradas crianças nessa situação.