Quando falo aos meus alunos sobre a pobreza, costumo fazer a seguinte brincadeira: "vocês já viram a série Todo mundo odeia o Chris? Pois eu também odeio o Chris!". Começo a explicar o motivo dizendo que, como todos sabem, a história desse sitcom (que eu acho bem divertido, embora tenha visto poucos episódios) é fictícia, mas baseada na vida do ator Chris Rock, o qual também foi produtor executivo da série e narrador dos episódios. Acontece que boa parte das piadas tratam de quanto ele e sua família eram pobres: "a gente era tão pobre que dividia até o sono"; "a gente era tão pobre que isso e mais aquilo". Mas, quando eu observo o padrão de vida que os personagens levavam no período em que a série se passa, os anos 1982 a 1987, constato que, se ele era pobre, eu já fui miserável!
O jornalista Leandro Narloch, em seu Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, avisa que "já é hora de jogar tomates na historiografia politicamente correta". Este blog faz a mesma coisa com a geografia e o sistema de ensino atuais, que carregam os mesmos vícios. E está explicado o título do blog. Por Luis Lopes Diniz Filho
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sábado, 28 de setembro de 2013
domingo, 18 de agosto de 2013
IDH prova que crescimento econômico é fundamental. E nós vamos de "pibinho"...
Faz décadas que acadêmicos, ambientalistas, militantes políticos e burocratas da ONU esperneiam contra a ideia de que o crescimento econômico seja uma condição necessária para a elevação da qualidade de vida, especialmente dos mais pobres. Afirmam ser essa uma visão "economicista" que precisaria ser substituída por uma ética que colocasse o homem em primeiro lugar. Daí concederem muito mais importância à distribuição de renda do que ao crescimento econômico e insistirem que o importante não é a elevação da renda per capita em si mesma, mas a forma como as sociedades se organizam para transformar os frutos do crescimento econômico em qualidade de vida. E foi no contexto desse tipo de debate que surgiu o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH, indicador síntese que, mesmo sem negar a importância social do crescimento da renda per capita, serviria como um indicador muito mais eficiente de qualidade de vida e, por conseguinte, um instrumento muito mais útil para o planejamento de políticas públicas do que a renda per capita tomada isoladamente.
sábado, 10 de agosto de 2013
Não houve "salto no IDH-M", mas mudança na forma de cálculo
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| O Brasil vem melhorando há muitas décadas |
Anunciaram recentemente os resultados de uma pesquisa que apresenta a evolução do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal - IDHM, para o período que vai de 1990 a 2010. Os petralhas que agem na internet ficaram excitados! Nem bem saíram as primeiras notícias sobre o assunto, comecei a receber e-mails que falavam de um enorme "salto" de qualidade de vida que teria ocorrido nos últimos vinte anos. Vejamos as informações em que essa gente se baseia para vender tal ideia:
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Desenvolvimento desigual é o último refúgio dos socialistas
Conforme procuro demonstrar em artigos e livros publicados, as dificuldades teóricas dos intelectuais críticos não se resumem à necessidade de explicar a crise do socialismo real e o abortamento das expectativas revolucionárias, pois é preciso também responder como tem sido possível ao capitalismo, em contradição com as previsões dos teóricos radicais, combinar crescimento econômico, melhora das condições de vida e democracia. Diante dessas dificuldades, os intelectuais socialistas apelam para o tema do desenvolvimento desigual, e se dividem em dois grupos.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Sob este frio de Curitiba, evidências contra a tese do aquecimento global antropogênico
Ontem eu vi um pouquinho de neve cair, durante alguns minutos, da janela do meu apartamento. Só deu para molhar o chão já molhado, mas eu jamais tinha visto isso no Brasil. Engana-se, porém, quem pensa que eu vou usar esse episódio isolado para falar contra a tese do aquecimento global antropogênico - AGA. Não sou especialista no assunto, mas nem por isso me rendo à tentação de fazer generalizações a partir de casos isolados quando as estatísticas não vêm em socorro. Ao invés disso, vou lembrar um documentário recheado de estatísticas sobre o assunto, e que já tem alguns anos, intitulado A grande farsa do aquecimento global.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
O Bolsa Família em seu devido lugar. Ou: mentiras petralhas nos comentários - 2
Respondo agora a mais algumas mentiras que publicaram como comentário ao post Relembrando o "modelo econômico" que era "contra tudo o que está aí", conforme se lê abaixo:
O FHC não fez uma política de transferência de renda, já o governo do PT é reconhecido no mundo inteiro pelo bolsa família e essa transferência de renda ajudou o enfrentamento da crise, pois alimentou a economia das pequenas cidades [...].
Muitíssimo pelo contrário! Quem instituiu as primeiras políticas de transferência de renda em nível federal foi o governo FHC, quais sejam:
quinta-feira, 23 de maio de 2013
A "redoma de vidro" do capitalismo brasileiro
Respondi a um comentário articulado e bem informado ao texto Joelmir Beting e as raízes da desigualdade brasileira, e avaliei que essa discussão merecia ganhar destaque numa postagem própria. Vejamos o texto do comentário e, em seguida, a minha resposta.
sábado, 30 de março de 2013
Geografia escolar despreza a boa ideia de Yves Lacoste
No meio de tanta bobagem esquerdista que escreveu, o geógrafo Yves Lacoste (foto ao lado) brindou-nos com uma crítica bem pertinente à geografia regional clássica: a de que as "regiões" mapeadas por Vidal de La Blache e seus seguidores não eram entidades concretas, tal como eles acreditavam, mas apenas o resultado de um modo específico de dividir a superfície terrestre com base em certos critérios. Por isso, Lacoste acusava o estudo regional clássico de levar as pessoas a acreditar que há uma forma única de dividir o espaço em "regiões", quando o conceito de região é apenas uma "ferramenta de conhecimento" que o pesquisador usa para estudar a "espacialidade diferencial" de cada fenômeno. Seria preciso, então, trabalhar com diversas formas de regionalização do espaço, e explicitar bem a utilidade teórica e política de cada critério de divisão regional utilizado, para chegar a explicações de caráter científico da espacialidade diferencial e para orientar as atividades de planejamento (Lacoste, 1989).
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Alberto Carlos Almeida trocou seu próprio livro por falso confronto regionalista
O cientista político Alberto Carlos Almeida já publicou um livro muito bom, intitulado A cabeça do brasileiro (Record, 2007), que mostra os resultados da Pesquisa Social Brasileira – PESB. Essa pesquisa se baseou na aplicação de um questionário junto a uma amostra de 2.363 pessoas para fazer um teste quantitativo das teorias do antropólogo Roberto DaMatta a respeito da mentalidade do brasileiro. Daí que um dos méritos dessa pesquisa é que, ao invés de deduzir como as pessoas pensam partindo de um raciocínio econômico ou geográfico eivado de ideologia – coisa que Milton Santos vivia fazendo, como já comentei aqui –, foi-se a campo para averiguar diretamente com as pessoas o seu modo de pensar.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Reflexões sobre a Suécia à luz das relações entre ética e capitalismo
O economista Albert Hirschman (1986) elaborou um estudo muito interessante sobre as diferentes concepções teóricas e ideológicas dos efeitos sociológicos do funcionamento do mercado. Uma ideia fundamental sobre esses efeitos é aquela que Hirschman denominou "tese do suave comércio", defendida por autores como Adam Smith e Montesquieu. Segundo essa tese, uma vez que a economia de mercado é individualista e contratualista, seu bom funcionamento depende da confiabilidade dos agentes econômicos. Mas o próprio mercado oferece incentivos para que os indivíduos sejam fidedignos, pois as oportunidades de negócios tendem a ficar cada vez mais restringidas para os desonestos, dando-se o inverso com os indivíduos e empresas que realmente cumprem os contratos. Nesse sentido, uma das grandes virtudes da economia de mercado é que ela produz os próprios valores morais que lhe servem de sustentação.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Desenvolvimento desigual e combinado, mas não como os marxistas pensam
Um dos procedimentos retóricos mais usados pelos autores anticapitalistas é sacar do bolso uma longa lista de mazelas econômicas, sociais, políticas e militares e qualificá-las todas como produtos do capitalismo, sem levar em conta as reinvenções desse sistema ao longo dos séculos e nem as diversas formas assumidas pelo capitalismo nos dias atuais. Em um ou dois parágrafos, o sujeito cita do genocídio de povos ameríndios, passando pelo regime do apartheid, até as taxas de desemprego vigentes em muitos países desenvolvidos e o aquecimento global. Assim, quem não concordar com eles tem que se dar ao trabalho de escrever muito mais para desmontar cada uma das sentenças que, com a maior ligeireza, atribuem relações de causa e efeito entre a "lógica do capitalismo" e tudo o que aconteceu de ruim no planeta nos últimos 500 anos.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Os "dois Brasis" em versão racialista
Acabei de ler uma matéria na Veja Online intitulada IBGE mostra a persistência de dois 'Brasis', a qual comenta as mais recentes informações divulgadas a respeito do Censo Demográfico 2010. Em outros tempos, os jornalistas dariam maior destaque às diferenças de renda observadas entre estados e entre regiões, mas, nesta era em que o politicamente correto tem ditado a pauta dos debates públicos, são as diferenças supostamente raciais que ganharam maior relevo. Vejamos algumas afirmações feitas na matéria com base nos dados:
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