quinta-feira, 27 de março de 2014

Sobre racismo e determinismo ambiental no pensamento de esquerda

No post O determinismo ambiental está vivo, e a esquerda apoia, eu mostro como a revista História Viva fez uso das teorias do historiador Ian Morris para sustentar a tese de que a ascensão do chamado "Ocidente" nada tem a ver com as instituições econômicas e políticas liberais, nem com qualquer fator cultural ou político, pois seria apenas fruto dos caprichos da geografia. Demonstrei ainda que o determinismo ambiental esteve presente em muitas elaborações teóricas marxistas, como em O Capital e nas teorias de Caio Prado Júnior sobre a distinção entre colônias de povoamento e colônias de exploração. Recentemente, mandaram um comentário a esse texto que diz o seguinte:

terça-feira, 18 de março de 2014

Márcio Pochmann e o erro de falar em nome de 4 milhões de agricultores familiares

Fonte: Buainain; Di Sabbato; Guanziroli, 2004

Márcio Pochmann é um péssimo analista da realidade brasileira e foi o pior presidente que o IPEA já teve. Como é economista de formação, caracteriza-se por torturar os números até que eles pareçam dar razão a dogmas de esquerda. Um pequeno exemplo disso está numa passagem de entrevista que foi citada na área de comentários deste blog, qual seja: "40 mil produtores agrícolas, que controlam 50% das áreas agricultáveis elegem de 120 a 140 deputados, enquanto de 4 a 6 milhões de famílias que praticam a economia familiar são representados por de 12 a 13 deputados" (Márcio Pochmann).

Não sei quais critérios ele usou para determinar quem representa um grupo e quem representa o outro. Provavelmente, ele raciocina que os deputados apoiados pelos movimentos de "luta pela terra" são aqueles que representam os milhões de agricultores familiares brasileiros. Só que nenhuma ideia poderia ser mais falsa do que essa.

sábado, 15 de março de 2014

Militante do PSOL também pode ser petralha. E como!

Um petralha que se apresenta como Anônimo da Silva mandou um comentário pra cá que serve como exemplo perfeito para desnudar a forma como a esquerda autoritária usa a internet para fazer campanha mentirosa e hipócrita em favor de suas causas políticas. Vamos a ele:

terça-feira, 11 de março de 2014

"Tudo dominado": STF já é uma "correia de transmissão do Executivo Federal"

Fiquemos de Olho
O historiador Marco Antonio Villa acabou de publicar um artigo sobre o "mensalão" que é primoroso ao unir clareza, concisão e conteúdo informativo. Intitulado O PT ganhou no tapetão, o texto mostra, passo a passo, como o governo federal lidou com o maior escândalo de corrupção da história do Brasil. Até 2012, os governos petistas acreditaram que a Ação Penal 470 não iria nem entrar na pauta do STF e que qualquer pena eventual acabaria prescrevendo. O trabalho dos ministros Ayres Britto, Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa foi fundamental para que o julgamento se realizasse em 2013. E, contrariando as expectativas, 25 réus foram condenados por diversos crimes! Então, o governo decidiu se mexer para alterar o resultado por meio de uma estratégia que incluía "a nomeação de ministros que, seguramente, votariam pela absolvição do crime de formação de quadrilha". E Villa prossegue:

sexta-feira, 7 de março de 2014

Oito verdades incômodas sobre economia de mercado, agricultura e ecologia

Ao responder a um comentário que atacava a agricultura patronal e o uso de agrotóxicos, dei-me conta de que os esclarecimentos que fiz mereciam um destaque maior aqui no blog, pois batem de frente com uma série de ideias tão contraditórias e equivocadas quanto difundidas na academia e nos meios de comunicação. Vejamos: 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Um Bill Gates é melhor do que um Milton Santos

"Todo poder humano é uma mistura de paciência e de tempo. As criaturas poderosas querem – e velam [...]. Daí vem, talvez, a prodigiosa curiosidade que despertam os avarentos habilmente postos em cena. Cada indivíduo está ligado por um fio àquelas personagens que ofendem a todos os sentimentos humanos, resumindo-os todos. Onde está o homem sem desejo, e que desejo social se resolverá sem dinheiro?".
Honoré de Balzac, Eugene Grandet.

Milton Santos era daqueles intelectuais esquerdistas que manifestavam desprezo pelo consumismo, pela burguesia, pelas pessoas que batalham visando só pagar as contas ou acumular dinheiro, além de basear seus trabalhos acadêmicos no pressuposto de que competitividade e solidariedade são opostos. Durante uma aula que tive com ele na pós-graduação, a turma foi brindada com o seguinte comentário do professor: "o intelectual não precisa de dinheiro" (breve pausa expressiva) "porque o intelectual tem prestígio!". 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Shopping centers são alternativa para a má qualidade dos espaços urbanos no Brasil

O psicanalista Contardo Calligaris escreveu um texto sobre os "rolezinhos" que, embora baseado em opiniões pessoais dele e de pessoas que ele conhece, acaba revelando muito sobre a importância que os shopping centers assumiram no Brasil como espaços de lazer e de socialização. Ele afirma que, na Europa e EUA, os shoppings não são tão importantes como lugares de compras quanto são aqui e nem são vistos pelas pessoas como lugares para dar um rolê. Nesses países, as pessoas fazem compras em lojas e dão rolê nas ruas ou praças, em espaços abertos. Especificamente sobre os EUA, ele diz:
Em Manhattan também há lojas de departamentos (Saks, Lord and Taylor, Bergdorf, Barneys, Bloomingdale's, Macy's etc.), mas não são lugares para rolê - eventualmente, para expedições quase militares em dia de liquidações anuais. O único shopping center de Manhattan é o Manhattan Mall, do qual, aliás, os nova-iorquinos tendem a fugir.
Nas áreas suburbanas e rurais dos EUA, os shopping centers se parecem com os do Brasil. Mesmo assim, foi no Brasil que eu aprendi que dar rolês em shopping é um programa (ver aqui).