Margaret Thatcher se elegeu primeira-ministra do Reino Unido em 1979, quando eu era adolescente, e ficou no cargo até 1990, quando eu estava concluindo a faculdade e já trabalhando como estagiário da Fundação Economia de Campinas - Fecamp. Por conta do que aprendi no ensino médio e também na universidade, tinha uma visão bastante negativa dela à época. Embora em 1990 eu já tivesse rompido com a ideia de socialismo, continuava bastante influenciado pelas teorias utilizadas no Instituto de Economia da Unicamp, as quais se baseiam principalmente em Marx e Keynes, mas também em algumas teses cepalinas, para propor a necessidade de uma forte intervenção do Estado na economia e na distribuição de renda.
O jornalista Leandro Narloch, em seu Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, avisa que "já é hora de jogar tomates na historiografia politicamente correta". Este blog faz a mesma coisa com a geografia e o sistema de ensino atuais, que carregam os mesmos vícios. E está explicado o título do blog. Por Luis Lopes Diniz Filho
segunda-feira, 15 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Relembrando o "modelo econômico" que era "contra tudo isso que está aí"
O PT atravessou seus vinte primeiros anos se dizendo "contra tudo isso o que está aí" e prometendo mudanças econômicas e sociais profundas. Mas nunca esclareceu qual seria o novo "modelo econômico" que implantaria em substituição a "tudo isso". A falta de clareza tinha causas diferentes em cada ala do partido, mas não vou detalhar isso agora. A ideia aqui é fazer um resumo do que deveria ter sido a política econômica e industrial de um partido "contra tudo isso o que está aí" para então falar das mudanças recentes realizadas por Dilma.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Professores fazem doutrinação por terem sido igualmente doutrinados
Aqui está outro post que escrevi para dar uma resposta mais elaborada a um comentário, o qual foi publicado em Geografia escolar despreza a boa ideia de Yves Lacoste. Vejamos o inicio do comentário:
Não concordo que na maior parte das vezes quem escolhe o livro é o professor. Isso não ocorre nem mesmo nas escolas públicas, onde, EM TESE, o professor escolhe 3 livros e o Estado escolhe o mais viável (barato). Mas na prática, nem isso acontece, mesmo esse processo, em que os livros são pré-selecionados pelo Estado e depois pelo professor, não costuma ocorrer assim. Nas particulares então nem se fala, a maioria já trabalha com seus livros e metodologias, às quais os professores se adaptam, quando não adotam sistemas de ensino apostilado. Nesses escolas, quanto mais conceituadas a tendência é maior, muitas vezes os professores nem tem muita opção de acreditar ou não nas visões distorcidas dos livros, simplesmente não podem descredibilizar o material didático que costuma ser um trunfo das escolas, suas supostas garantias de qualidade.[...] O seu terceiro parágrafo eu concordo, mas não acho que sejam tantos os professores que defendem o PT tão abertamente.
sábado, 6 de abril de 2013
Steven Pinker e o debate Rousseau versus Hobbes
Li estes dias um excelente artigo de Steven Pinker sobre os condicionantes da agressividade - autor citado na seção de comentários do post Brasil prova que desigualdade não gera violência. Após um preâmbulo sobre o sentido pejorativo que os termos "darwiniano" e "hobbesiano" vieram a adquirir, bem como uma introdução à moderna biologia evolutiva, o texto faz uma síntese da teoria elaborada por Thomas Hobbes em seu clássico Leviatã, de 1651. Nesse livro, Hobbes discute a "natureza do homem" e indica os três estímulos que o levam à violência, quais sejam:
- Competição: a violência praticada visando algum tipo de ganho, a satisfação de um interesse
- Difidência: a violência com finalidade de defesa - na época de Hobbes, essa palavra significava mais "medo" do que "segurança"
- Glória: nas palavras de Hobbes, é a luta motivada "por ninharias, como uma palavra, um sorriso, uma opinião diferente e qualquer outro sinal de desapreço"
terça-feira, 2 de abril de 2013
Arrogância dos professores
Se um professor do ensino fundamental e médio ler a minha tese e argumentar contra as conclusões que estão ali, eu jamais vou responder: "como alguém que nunca fez nem mestrado pode questionar um trabalho de pesquisa em nível de doutorado? Continue na sua sala de aula, gritando com adolescentes espinhentos, e deixe a pesquisa científica para quem entende do assunto". E eu não responderia assim porque isso implicaria lançar mão de um artifício retórico tão odioso quanto rotineiro, que é o argumento de autoridade. Mas os professores do ensino médio não hesitam em desqualificar argumentos desse modo, conforme exemplifica um comentário ao post Vesentini entregou o jogo sem querer, o qual reproduzo abaixo:
sábado, 30 de março de 2013
Geografia escolar despreza a boa ideia de Yves Lacoste
No meio de tanta bobagem esquerdista que escreveu, o geógrafo Yves Lacoste (foto ao lado) brindou-nos com uma crítica bem pertinente à geografia regional clássica: a de que as "regiões" mapeadas por Vidal de La Blache e seus seguidores não eram entidades concretas, tal como eles acreditavam, mas apenas o resultado de um modo específico de dividir a superfície terrestre com base em certos critérios. Por isso, Lacoste acusava o estudo regional clássico de levar as pessoas a acreditar que há uma forma única de dividir o espaço em "regiões", quando o conceito de região é apenas uma "ferramenta de conhecimento" que o pesquisador usa para estudar a "espacialidade diferencial" de cada fenômeno. Seria preciso, então, trabalhar com diversas formas de regionalização do espaço, e explicitar bem a utilidade teórica e política de cada critério de divisão regional utilizado, para chegar a explicações de caráter científico da espacialidade diferencial e para orientar as atividades de planejamento (Lacoste, 1989).
quarta-feira, 27 de março de 2013
Precisamos de um Denys Arcand para filmar as mazelas do Estado brasileiro
O canadense Denys Arcand é uma figura bem difícil de encontrar: um esquerdista que tem autocrítica! Já assisti a dois filmes desse diretor, roteirista e produtor de cinema, ambos com um forte componente autobiográfico, conforme ele esclarece em suas entrevistas. As duas obras fazem uma reflexão sobre o mundo contemporâneo que, mesmo sem abrir mão de uma perspectiva crítica do capitalismo, é muito sincera, e até comovente, ao desnudar as inúmeras frustrações da esquerda intelectual, seja nos campos teórico, político, profissional e até pessoal.
Assinar:
Postagens (Atom)