O jornalista Leandro Narloch, em seu Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, avisa que "já é hora de jogar tomates na historiografia politicamente correta". Este blog faz a mesma coisa com a geografia e o sistema de ensino atuais, que carregam os mesmos vícios. E está explicado o título do blog. Por Luis Lopes Diniz Filho
sábado, 5 de setembro de 2026
sábado, 6 de junho de 2026
Patifarias retóricas de esquerda contra cristãos e conservadores
Eu estava discutindo com uma pessoa no FB sobre o recente caso da absolvição de um homem adulto que foi a julgamento por haver se casado com uma menina de 12 anos. Comentei que a principal justificativa usada pelo juiz para absolver o réu foi a de que a menina em questão havia consentido com o relacionamento. E acrescentei que essa justificativa estava de acordo com a proposta de intelectuais de esquerda como Michel Foucault, Deleuze, Guattari, Sartre e Simone de Beauvoir. De fato, esses autores, entre dezenas de outros, assinaram petições públicas propondo que não houvesse limite mínimo legal de idade para tipificar o crime de pedofilia, visto que as crianças deveriam ser ouvidas para determinar se houve consentimento ou não. Comentei também que esses autores - especialmente Foucault - estão entre os mais citados pelos intelectuais de esquerda na atualidade. Eu só disse verdades conhecidas, portanto, mas não custa recomendar um vídeo de Nine Borges que prova isso com fontes (aqui).
Todavia, a pessoa afirmou que a decisão do juiz foi baseada em ideias conservadoras e cristãs! E os argumentos usados para provar isso foram um festival de truques retóricos completamente desonestos. Vejamos alguns argumentos usados:
- O juiz que absolveu o réu também alegou que este e a menina haviam constituído uma família ao se casarem, e a valorização da família é atitude tipicamente conservadora…
- Eu pedi para a pessoa citar intelectuais cristãos e conservadores que teriam defendido que relações entre adultos e crianças fossem permitidas quando houvesse casamento. A pessoa disse que eu é que teria de ir atrás de fontes sobre isso…
- Portanto, a pessoa admitiu que conservadores e cristãos não apoiam isso, mas começou a dizer que, como eles não são intelectualizados (!), defendem a pedofilia sem palavras, de forma automática… Aí fica fácil acusar os conservadores de absolutamente qualquer coisa, não é?
- Disse também que o Código Canônico do século XI considerava que a idade aceitável para as meninas se casarem era de 12 anos. Nem sei se isso é verdade porque a pessoa em questão mente muito quando discute política, mas o argumento é tão cínico que nem me dei ao trabalho de ir pesquisar. Afinal, essa pessoa já tinha admitido que os pensadores cristãos contemporâneos não defendem isso, e é óbvio que a igreja católica de mil anos atrás refletia modos de pensar e circunstâncias históricas daquele tempo já muito longínquo. Além do mais, o que os evangélicos atuais têm a ver com o que a igreja católica escreveu no século XI? A pessoa simplesmente está dizendo que o cristianismo é, em si mesmo, e de forma atemporal, favorável à pedofilia…
- Disse também que, no passado, casamento com menores de idade era coisa comum e que, como conservadores defendem a preservação das tradições, significa que a decisão do juiz refletiu um pensamento conservador. Uma mentira descarada, pois essa pessoa já leu obras de intelectuais conservadores e, portanto, sabe que Chesterton, por exemplo, dizia exatamente o oposto: que a sabedoria do conservador está em avaliar a experiência histórica para decidir quais instituições e costumes devem ser preservados e quais devem mudar.
- A pessoa ficou também repetindo que o juiz responsável pela absolvição é evangélico. Nem sei se é verdade (como já disse, essa pessoa mente muito sobre política). Mas, mesmo se for verdade, trata-se de um argumento pra lá de desonesto. Afinal, baseia-se exclusivamente na generalização do comportamento de um indivíduo supostamente evangélico para o conjunto de todos os evangélicos! Se fosse assim, o fato de haver traficantes que se dizem evangélicos seria prova de que a legalização das drogas é uma bandeira própria dos evangélicos…
As pesquisas de opinião revelam que, entre os eleitores evangélicos, a rejeição a Lula tem oscilado entre 65% e 69%, ao passo que, entre os católicos, a oscilação tem ficado entre 41% e 47%. Considerando as patifarias retóricas que a esquerda espalha contra os cristãos nas redes sociais, me admira que a rejeição não atinja 100% dos evangélicos e também dos católicos!
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domingo, 17 de setembro de 2023
STF avalizou a velha mutreta usada pelos sindicatos para tungarem trabalhadores
A prova do que está escrito no título da postagem é esta: eu não sou associado à APUFPR, mas já houve pelo menos 2 vezes em que esse sindicato cobrou contribuições para o "fundo de greve" por meio de desconto na folha de pagamento, e isso sem avisar e sem pedir autorização. Só fiquei sabendo porque calhou de eu olhar o meu contracheque naquelas duas ocasiões, então é possível que a APUFPR tenha me tomado mais dinheiro em meses nos quais eu não olhei. De qualquer modo, naquelas vezes em que eu flagrei o desconto, tive que ir pessoalmente até a sede da APUFPR para exigir a devolução do dinheiro por escrito. Na segunda vez, me fizeram ficar uns 40 minutos esperando para ser atendido!
Portanto, o STF, de maneira vergonhosa, declarou que é constituicional aplicar esse velho truque de arrancar dinheiro dos outros sem avisar contando que a pessoa lesada não vai perceber o saque ou não vai ter paciência de ir atrás da devolução do que lhe foi tirado!
Enquanto isso, os esbirros do PT no jornalismo, como o Reinaldo Apedeuta, ficam gritando que é mentira dizer que a "contribuição assistencial" (sic) é a volta do imposto sindical porque o trabalhador terá direito de se opor ao saque, o que não acontecia no caso do imposto. Ora, do ponto de vista ético, a "contribuição assistencial" é ainda pior do que o imposto sindical, pois trata-se da legalização de uma prática desonesta e antidemocrática que os sindiatos já usavam há muitos anos! E eu não li nenhum artigo sério que omitisse o fato de que o trabalhador terá direito de se opor à "contribuição assistencial". Portanto, o Reinaldo Apedeuta usa o truque retórico de negar uma mentira contada por gente de pouca influência para desviar a atenção do ponto essencial, que é o caráter absolutamente antiético e autoritário da decisão do STF, além do efeito econômico perverso que isso representa: pressionar os trabalhadores a fazer pagamentos que eles avaliam que não valem o que foi cobrado.
E que se note: antes, quando essa prática era questionada legalmente, sindicatos como a APUFPR usavam greves como desculpa principal para exigir pagamentos extraordinários até de quem não é associado; agora, com a decisão do STF, vão ficar muito mais à vontade para nos tungar quando bem entenderem, inventando qualquer motivo!
E tudo isso para quê? Para favorecer o PT, já que esse partido sempre teve forte apoio junto aos sindicatos que se locupletavam com o imposto sindical sem prestarem serviços que justificassem aquele dinheiro todo que era arrancado dos trabalhadores. Governo lixo apoiado por STF lixo!
domingo, 2 de julho de 2023
Socialistas não amam gays e mulheres: apenas odeiam a liberdade
EUA decidem que empresas podem recusar atendimento a LGBTQIA+
Decisão da Suprema Corte permite a rejeição de serviços caso haja violação de crenças religiosas pessoais de proprietários
terça-feira, 16 de maio de 2023
WhatsApp já censura a verdade em favor do PT e do STF
No dia 29 de março, recebi um vídeo de um amigo, por WhatsApp, que vinha acompanhado do seguinte texto:
O governo Lula soube de tudo, em detalhes, na véspera dos ataques de 8 de janeiro aos Três Poderes. Assista à minha abertura do tema no CNN Arena. A entrevista com o deputado federal Kim Kataguiri está na íntegra do programa desta quarta, 29/3, disponível no canal de YouTube da CNN Brasil, como todas as outras. Acompanhe também ao vivo, de segunda a sexta, das 17h50 às 20h, no canal 577 da TV.
felipemourabrasil
Portanto, não se trata de teoria conspiratória, mas de uma reportagem produzida pela imprensa profissional e veiculada por uma empresa de comunicação bastante reconhecida. E muito menos se trata de notícia falsa, pois o documento oficial que comprova que o ministro Flavio Dino foi avisado do ataque na véspera, e com detalhes do que poderia ocorrer, é mostrado nas imagens.
Compartilhei o vídeo com uma pessoa e, uns dias depois, tentei compartilhar com uma outra, mas não foi possível. Por quê? Simplesmente porque não aparecia botão de compartilhamento em lugar nenhum da tela, mesmo quando eu marcava a mensagem! Pior ainda: quando eu marcava a mensagem e abria o menu indicado no canto superior direito da tela, não aparecia opção de compartilhar e nem de copiar, mas aparecia a opção "denunciar"! O mesmo, porém, não ocorria com outros vídeos que recebi da mesma pessoa.
Mandei mensagem para esse amigo comentando o ocorrido. Ele disse que, com ele, estava tudo normal. Para testar, mandou o vídeo novamente para mim, e eu recebi. Mas continuei sem conseguir compartilhar e copiar, pois só era possível responder, apagar ou denunciar (sic).
Qual é a explicação para o fato de ele conseguir compartilhar e eu não? A única hipótese que me parece plausível é que algum algoritmo do WhatsApp analisou os tipos de mensagens que a pessoa para quem eu mandei o vídeo costuma compartilhar e daí concluiu que essa pessoa é politicamente perigosa e/ou que espalha informações que podem trazer complicações políticas ou legais para o Whats porque são informações politicamente sensíveis. Logo, o algoritmo entendeu que eu poderia compartilhar a mensagem com outras pessoas igualmente perigosas ou inconvenientes e, assim, fiquei impedido de compartilhar uma segunda vez e, ainda por cima, sem poder fazer nada além de responder, apagar ou denunciar uma reportagem com informação verdadeira!
Se existir outra explicação plausível, escrevam aí nos comentários. Para mim, a única hipótese que faz sentido é a de que o WhatsApp censurou o compartilhamento de uma reportagem com informação verdadeira e inconveniente para o projeto de poder do PT e do STF, na medida em que a reportagem provou que o PT foi omisso diante da barbárie denunciada antecipadamente por um delegado de polícia. Mas por que o Whats haveria de censurar o que não é do interesse do PT e do STF se o PL da Censura não foi nem votado? Ao que tudo indica, por prever que a disseminação desse tipo de mensagem fortaleceria a narrativa de que as empresas de internet estariam agindo de forma prejudicial à democracia porque se beneficiam economicamente do compartilhamento massivo de mensagens por grupos extremistas de direita, narrativa essa que vem sendo usada pelo PT e pelo STF para pressionar o Congresso a aprovar o PL da Censura (e como se os extremistas de esquerda não usassem as redes sociais da mesma forma nociva para a democracia).
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terça-feira, 9 de maio de 2023
Felipe Neto e PT provam que Projeto das "Fake News" visa implantar censura
quinta-feira, 20 de abril de 2023
Lula 3 - Lista de "promessas cumpridas" é autoajuda com dinheiro público
O Último Segundo publicou uma matéria com a chamada 100 dias: Lula cumpriu 13 das 36 promessas feitas em campanha. Só a chamada já é de uma desonestidade intelectual vergonhosa, pois, quando lemos o texto, descobrimos que a fonte consultada para contabilizar as "promessas cumpridas" é o próprio governo Lula! Se houvesse preocupação em informar com um mínimo de objetividade, seria preciso escrever "segundo Lula, seu governo cumpriu...". Mas não!
O pior de tudo, porém, é que a lista de "promessas cumpridas" revela tantas picaretagens retóricas que chega a ser risível, e o fato da matéria não comentar absolutamente nada sobre isso é uma prova adicional de enviesamento político.
Autoajuda com dinheiro público
Vemos ali as promessas de não privatizar os Correios e não privatizar o Banco do Brasil, o que é risível. Afinal, se há um tipo de promessa facílima de cumprir é a de NÃO fazer algo que o Executivo não esteja obrigado a fazer por força de lei! E é risível também porque, quando nos lembramos de que o mensalão e o petrolão funcionaram sob os governos petistas, e quando recordamos também da "República Sindical" montada pelo PT nas suas gestões anteriores, fica fácil concluir que a recusa a privatizar tem o objetivo de beneficiar o PT, seus aliados na CUT e os políticos fisiológicos com os quais o PT negocia cargos. Com efeito, a ciência econômica já demonstrou de maneira robusta que o Estado empreendedor é ineficaz e visa atender prioritariamente aos interesses dos políticos, como demonstra o economista Marcos Mendes (2023).
E há 4 outros exemplos de promessas muito fáceis de cumprir e que beneficiam os próprios petistas: as recriações dos ministérios da Previdência Social, da Pesca e da Cultura e a promessa de instituir o "Ministério dos Povos Originários". Ora, qual seria a dificuldade de cumprir tais "promessas" se não há óbice legal algum para instituir ministérios e se o governo Lula usou a PEC da Transição para furar o teto de gastos - aliás, do mesmo modo que seu antecessor já havia feito em 2022? E desde quando aumentar o número de ministérios é uma medida boa de per si? Apresentar isso como "promessas de campanha cumpridas" é piada de mau gosto.
Ora, o truque mais manjado dos populistas sempre foi o de instituir órgãos e mais órgãos especializados em resolver todo o tipo de problema. Quando o Ministério da Pesca foi instituído pela primeira vez, em 2009, a medida já foi criticada por conta de sua inutilidade. E a criação de um ministério exclusivo para resolver os problemas das populações nativas chega a ser um escárnio, tendo em vista que, segundo dissertação de mestrado realizada por uma pesquisadora da Fiocruz, as populações indígenas de todas as regiões brasileiras padeciam de graves problemas de desnutrição infantil nos anos de 2008 e 2009, ou seja, no final do governo Lula 2 (Nazaré, 2012). Foi falta de ministério? Francamente...
Os únicos efeitos garantidos de não vender estatais e de (re)criar ministérios são: a) Lula dispõe de mais cargos para lotear entre petistas, sindicalistas e políticos do centrão; b) ampliar a máquina burocrática, o que implica aumento de gastos e, portanto, pressão pelo aumento de impostos. Em suma, Lula cumpriu "promessas de campanha" facílimas de cumprir e que só trazem benefícios para ele mesmo, enquanto os contribuintes, principalmente os de baixa renda, são prejudicados.
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terça-feira, 21 de março de 2023
Lula 3: descalabros em série
Esse governo é uma série sem fim de descalabros econômicos, políticos e éticos. Uma lista só do que li hoje (21.03.23):
terça-feira, 14 de março de 2023
Na economia, Lula 3 é o quinto ano de Bolsonaro
Alguns jornalistas andam dizendo que é "surpreendente" o fato de Haddad agora estar falando em acertar a política fiscal ao invés de subir a meta de inflação (aqui). Mas não há surpresa alguma. Lula e Haddad sabem que relaxar a meta e gastar ainda mais é exatamente o que Dilma fez, com consequências catastróficas. Então, praticam uma política populista de expansão do gasto, mas limitada de maneira a evitar uma explosão da dívida pública. Exatamente como o Bolsonaro fez com a "PEC Kamikaze"!
quarta-feira, 8 de março de 2023
Portal G1 distorce informações sobre "feminicídio" e dá razão para os "véio do Zap"
Muita gente tira sarro dos "véio do Zap", aquelas pessoas que preferem acreditar em teorias conspiratórias do que confiar na imprensa profissional. Essas pessoas merecem ser zoadas, mas convenhamos que elas têm certa razão em duvidar da imprensa profissional. É o que evidencia a notícia abaixo, do Portal G1.
sábado, 25 de fevereiro de 2023
Mais populismo: aumento do salário mínimo não reduz a desigualdade e nem a pobreza extrema
Já tem gente comemorando o aumento real do salário mínimo anunciado pelo Apedeuta em seu terceiro mandato. O problema é que esse aumento, além de piorar as contas públicas, na medida em que eleva o déficit previdenciário, não contribui para reduzir a desigualdade e a pobreza extrema.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023
PT tem culpa pelas mortes no litoral, pois fez aumentar a desigualdade e a pobreza...
Quase 50 pessoas morreram com as chuvas no litoral paulista, então é claro que a Oxfam e colunista da Folha não iriam perder a chance de usar as mortes para fazer proselitismo. Mandaram ver logo: a culpa não é das chuvas, é da desigualdade. E ainda acrescentaram que as mortes foram causadas também pelo "racismo ambiental" (sic).
A hipocrisia desse discurso está no fato de que jornalistas e militantes que dizem o óbvio - se não existisse pobreza, ninguém iria morar em áreas de risco... - saúdam a exploração política que Lula faz do episódio sem dizerem uma palavra sobre o fato de que, em sendo assim, é preciso reconhecer que Lula e Dilma têm sua parcela de culpa por tais mortes. Afinal, a desigualdade e a pobreza extrema aumentaram nos governos do PT!
Aos números
Os dados da PNAD mostram que houve uma importante queda do nível de concentração de renda a partir de 1995, com o Plano Real. E que essa desconcentração se acelerou de 2001 em diante, quando Fernando Henrique Cardoso instituiu os programas de transferência de renda que deram origem ao Bolsa Família. Em 2003, quando Lula chegou ao poder, o processo continuou, mas acompanhado de aumento da pobreza! Isso porque parte das pessoas que já tinha ultrapassado a linha de pobreza voltou a ser pobre com Lula, diminuindo a desigualdade entre a população de renda média baixa e a população mais pobre. Já no biênio 2004-2005, a pobreza voltou a cair com velocidade semelhante àquela dos anos 1994-1995, e a queda da desigualdade prosseguiu (aqui). Todavia, por volta de 2012, o processo de desconcentração de renda arrefeceu e, depois, inverteu (aqui).
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023
Lula copia Bolsonaro e culpa o BC pelas taxas de juros
Uma das razões de a taxa de juros estar alta é que Bolsonaro furou o teto de gastos, mas o PT não fala disso porque faz a mesma coisa!
terça-feira, 31 de janeiro de 2023
Arbitrariedade de Alexandre de Moraes reflete o autoritarismo usual do STF
Em 2014, Reinaldo Azevedo (que então fazia jornalismo, em vez de militância petista) citou uma declaração do ministro Luís Roberto Barroso na qual este atribuiu aos juízes a função de "empurrar a história". Em seguida, Azevedo lembrou que essa era também a função que Lênin atribuía a si mesmo! E continuou dizendo, com propriedade:
Não existe democracia sem um Poder Judiciário independente, mas essa independência tem balizas. A decisão que desrespeita ou ignora a letra da lei agride o regime democrático, ainda que sob o pretexto de aperfeiçoá-lo. Juízes também são produto da ordem legal que eventualmente transgridem. Pergunta-se a Barroso: aquele que manda às favas uma decisão judicial porque está 'empurrando a história' merece aplauso ou punição? Sempre se pode argumentar que há o jeito certo e o jeito errado de dar esse empurrãozinho, mas isso é guerrilha ideológica, não Estado de direito (Azevedo, 2014, p. 51).
Naquele tempo, o PT estava no poder, e vários ministros do STF eram (como ainda são) simpáticos à agenda da esquerda. Mas o mundo dá voltas e, anos depois, um presidente de direita bradava publicamente que iria desrespeitar certas decisões do STF. Bolsonaro estava absolutamente errado em agir dessa maneira, sem dúvida, mas um Tribunal que conta com um ministro capaz de fazer uma declaração como aquela de Barroso não é muito melhor do que um Bolsonaro. E Barroso nem sequer é o pior exemplo que podemos encontrar dentro do STF. Em entrevista ao jornal A Manhã, também em 2014, o ministro José Dias Toffoli afirmou, aos risos, que é correto um advogado roubar um processo para impedir uma ação de despejo (vídeo)!
Judiciário antidemocrático
Em 2022 e 2023, as ações de Alexandre de Moraes contra o golpismo bolsonarista (que culminou na depredação do dia 08 de janeiro) implicaram em jogar as leis e garantias individuais na lata do lixo, além da usurpação de prerrogativas do Poder Executivo, como o poder de polícia!
O argumento usado para justificar essas arbitrariedades é que ele está seguindo a teoria jurídica da "democracia militante". Essa teoria foi formulada em 1937, na Alemanha, no contexto da ascensão do nazismo. Sua justificativa é que a democracia, por excesso de tolerância com o facciosismo, pode destruir a si mesma, sendo então necessário restringir os direitos políticos daqueles que atentam contra as instituições democráticas. O próprio Moraes não chegou a alegar esse princípio para se justificar, mas ministros como Edson Fachin e Gilmar Mendes já vinham fazendo isso desde alguns anos antes (aqui).
Bem, é possível que a aplicação da tal "democracia militante" possa ser defensável em países que contam com um Poder Judiciário exemplar, no qual os magistrados estão todos profundamente imbuídos da concepção de que não lhes cabe legislar para "empurrar a história" e de que os maiores deveres éticos a ditar suas falas e condutas são a imparcialidade e o respeito às leis. Mas não é esse o caso do judiciário brasileiro, nem sequer do STF, conforme os exemplos de Barroso e Toffoli. E há muitos outros casos que confirmam isso, sendo que o próprio Reinaldo Azevedo (2014, p. 52-53) fez uma pequena lista:
- Uma juíza do Mato Grosso concedeu liminar (mais tarde, cassada) para impedir proprietários rurais de fazerem um leilão de seus produtos para custear serviços de segurança privada, sendo que o objetivo era se protegerem de invasões de terra. Como lembrou o jornalista, a juíza proibiu os proprietários rurais de se defenderem!
- "Em outubro [de 2013], um juiz negou liminar de reintegração de posse à reitoria da USP, invadida por delinquentes de extrema de esquerda". O argumento do juiz era o de que uma "luta social" (sic) só alcança poder de pressão se causar "transtorno"! Na verdade, a reitoria foi vandalizada...
- Esse mesmo juiz é membro da Associação Juízes para a Democracia - AJD, a qual declarou publicamente, em apoio à ação de invasores, que "não é verdade que ninguém está acima da lei" (citado por AZEVEDO, 2014, p. 52).
E os descalabros não pararam por aí. Em 2016, a esquerda invadiu cerca de 800 escolas e 120 campi universitários, e as redes sociais foram usadas para defender o que era chamado de "ocupações". Então, um juiz federal:
[...] negou liminar para a desocupação do Instituto Federal de Educação de São Mateus (Ifes) em ação de reintegração de posse interposta pela direção da escola. A defesa dos estudantes que ocupam o Anexo II do campus está sendo feita pela Defensoria Pública da União, que alegou não se tratar de questão possessória, mas sim de um movimento que tem o objetivo de expressar o pensamento sobre questões que se põem no debate político nacional (grifos meus - aqui).
No mesmo ano, a citada AJD veio a público "[...] afirmar o direito à livre manifestação (sic) de estudantes que participam de movimentos de ocupação das escolas e universidades no Brasil, diante da violência institucional (sic!) que vêm sofrendo e da omissão do Estado em garantir seus direitos" (aqui).
Já em 2017, a esquerda vandalizou a Catedral de Brasília e oito ministérios, chegando a atear fogo nas sedes dos Ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente e do Planejamento. E o STF aplicou alguma "democracia militante" para coibir o golpismo da esquerda? Não! Esse princípio só foi aplicado quando a direita, em janeiro de 2023, decidiu copiar os métodos fascistoides que a esquerda já usava.
Ditadura de toga
Os fatos mostram que não é em nome da democracia que Moraes está violando as leis e garantias individuais. O respeito absoluto e irrestrito à ordem legal nunca foi um valor fundamental para o nosso sistema judiciário, o qual conta com muitos juízes, em todas as instâncias, que acham certo liberar determinados grupos da obrigação de respeitar as leis e que não veem problema algum em usurpar prerrogativas do Legislativo e do Executivo para "empurrar a história", censurar a imprensa e perseguir certos indivíduos. Portanto, se a teoria da "democracia militante" já é discutível quando considerada em termos gerais, em se tratando do caso brasileiro, não há dúvida de que sua aplicação é perigosa para a democracia, contrariando os objetivos alegados.
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AZEVEDO, R. Objeções de um rottweiler amoroso. São Paulo: Três Estrelas, 2014.
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2023
Gimar Mendes revela seu viés ideológico de esquerda e defende a censura
Meu conhecimento sobre direito é quase nenhum, mas avalio que Gilmar Mendes é um bom magistrado, um bom ministro do STF. Sua atuação durante o julgamento do mensalão, por exemplo, me pareceu bastante correta. E nunca critiquei ele ou outros integrantes do STF por causa da anulação de condenações ocorridas em virtude da Lava Jato, pois houve mesmo ilegalidades na condução de julgamentos - o que não implica dizer que eu seja da opinião de que Lula é inocente... Ainda assim, devo dizer que as falas recentes de Mendes, conforme matéria publicada no Poder360, são inaceitáveis!
Entrevista desastrosa
A matéria começa dizendo que "para o magistrado, desde que foi instaurada a Constituição de 1988, nunca houve um episódio tão grave quanto o 8 de Janeiro". A afirmação é totalmente falsa porque, em maio de 2017, houve um ataque tão grave quanto esse à democracia: terroristas de esquerda vandalizaram a Catedral de Brasília e também 8 sedes de ministérios, chegando ao ponto de atearem fogo aos edifícios dos ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente e do Planejamento!
"A Constituição garante, posteriormente a uma ofensa, um direito de resposta e uma indenização por danos materiais e morais ou pessoal. Se aconteceu, existe esse mecanismo" (aqui).
terça-feira, 24 de janeiro de 2023
Insegurança alimentar: conceito enganoso
Lula e o PT sempre usaram a mentira de que o Brasil tem muitos milhões de pessoas passando fome para justificar seu marketing político. Daí que o governo Lula 1 ficou numa posição incômoda após a publicação da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 – POF, do IBGE. Essa pesquisa jogou por terra o argumento de que o Brasil precisaria investir bilhões em programas como o Fome Zero - o qual nem sequer saiu do papel. No período da pesquisa, a exposição à desnutrição era estatisticamente irrelevante entre os adultos do sexo masculino e atingia somente um pequeno percentual de mulheres da área rural do Nordeste e do estrato mais pobre da população brasileira. Mais tarde, a edição da POF para os anos 2008-2009 confirmou a baixíssima magnitude da exposição à desnutrição no Brasil, bem como os elevados percentuais de pessoas com excesso de peso e obesidade, inclusive nos extratos de renda mais baixos (referências abaixo).
Mas a reação governamental aos dados inconvenientes veio já em 2004, com um suplemento especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, sobre Segurança Alimentar. O problema é que há um paradoxo entre a POF e a PNAD 2004, pois a primeira pesquisa revela que há uma exposição muito baixa da população adulta à desnutrição, ao passo que a segunda registrou cerca de 14 milhões de pessoas passando fome.
O contraste salta aos olhos principalmente quando se considera o estrato mais pobre da população, que possui rendimento domiciliar per capita de até um quarto do salário mínimo. A POF registra que, no período 2002-2003, não havia exposição relevante dos homens desse grupo à desnutrição, já que o percentual deles com déficit de peso era inferior a 5%, nível considerado normal em qualquer população. Em contraste, nada menos que 24,0% dos homens desse estrato mais pobre apresentava excesso de peso ou obesidade. No caso da população feminina desse estrato, o déficit de peso atingia um percentual apenas 3,5% acima do limite de 5% considerado normal, enquanto 40,9% das mulheres se encontravam com excesso de peso ou obesidade! Contudo, os dados do suplemento da PNAD 2004 registravam que 83,4% da população total do estrato mais pobre estavam em situação de insegurança alimentar leve, moderada ou grave. A conclusão óbvia da comparação desses resultados é que a PNAD 2004 classificou como moradores de domicílios em estado de insegurança alimentar pessoas com excesso de peso ou talvez até obesidade. Como se explica isso?
Bem, a diferença fundamental entre as duas pesquisas é que as informações da PNAD derivam de declarações de pessoas entrevistadas, enquanto as da POF se baseiam na aferição do Índice de Massa Corporal – IMC, e no acompanhamento direto da disponibilidade de alimentos dentro dos domicílios. Portanto, o conceito de segurança alimentar se refere à percepção que os indivíduos têm a respeito de sua alimentação, sem considerar informações diretas sobre o seu estado nutricional. Mas ocorre que a percepção das pessoas sobre a qualidade de sua alimentação é eivada de valores culturais e sociais, de modo que a população de baixa renda tende a imitar os hábitos de consumo dos estratos de renda mais elevada. Indivíduos de baixa renda tendem a avaliar que a alimentação de suas famílias é insuficiente e pouco variada porque só às vezes inclui iogurte, carne bovina e outros alimentos consumidos com maior frequência por pessoas de renda mais alta, muito embora o consumo rotineiro de arroz, feijão, carne de frango e leite dessas famílias esteja de acordo com as recomendações nutricionais da Organização Mundial de Saúde – OMS. Assim, para identificar os casos em que os indivíduos pesquisados podem realmente apresentar problemas de saúde relacionados à alimentação, a POF utiliza os conceitos de desnutrição, excesso de peso e obesidade, sendo o primeiro definido como o quadro clínico característico do consumo insuficiente de calorias e os outros dois como os quadros que derivam do consumo excessivo. E a medida usada para avaliar esses três estados é o cálculo do IMC, conforme parâmetros da OMS. Já o suplemento da PNAD 2004 não consegue identificar problemas nutricionais, pois o conceito de segurança alimentar não se baseia em critérios clínicos.
Até mesmo o conceito de fome usado na pesquisa de segurança alimentar é psicológico, pois diz respeito à “condição definida como uma sensação de ansiedade e desconforto provocada pela falta de comida”. Por exemplo, se o entrevistado afirma que, nos noventa dias anteriores à entrevista, sentiu fome pelo menos uma vez, mas não comeu por falta de dinheiro, então se considera que ele passou fome, mesmo que não apresente déficit de peso. Aliás, pelos critérios dessa pesquisa, os conceitos de insegurança alimentar moderada e grave, embora indiquem “limitação de acesso quantitativo aos alimentos”, podem ocorrer “com ou sem o convívio com situação de fome” - sic! Considera-se que há falta de comida num domicílio mesmo quando os moradores têm peso normal ou excessivo e não passam fome, mas também não comem tudo o que gostariam ou acham que deveriam comer. Ou seja, a pesquisa considera que há insegurança alimentar moderada ou grave em domicílios onde os moradores não conseguem ficar gordos ou engordar ainda mais!
Sendo assim, não se pode usar as informações sobre segurança alimentar para dizer que há pessoas com problemas de saúde por falta de comida, pois esse tipo de pesquisa não afere isso. Fica evidente a incoerência dessa pesquisa, pois ao usar o termo “insegurança”, denota uma situação de risco à saúde relacionada ao consumo de alimentos, algo que só poderia ser aferido com base em critérios clínicos que a pesquisa não leva em conta. Ora, o estudo que utiliza critérios clínicos é a POF, justamente a pesquisa que mostra a baixa magnitude das situações de déficit de peso na população brasileira, mesmo a mais pobre.
A verdade é que levantamentos sobre segurança alimentar servem apenas para justificar o marketing montado em torno de programas de combate à fome num país em que a desnutrição já está quase completamente eliminada. Daí porque o governo encomendou ao IBGE uma pesquisa que utiliza conceitos de fome e de insegurança alimentar próprios para estudar países desenvolvidos (como os EUA, que já possuem programas de auxílio alimentação desde os anos 1930), e outros que, como o Brasil, já avançaram muito em termos de renda per capita, industrialização e modernização agrícola. Quer dizer, conceitos adequados para países em que a desnutrição é inexistente ou quase inexistente, mas onde há pessoas que não conseguem reproduzir o padrão alimentar que elas, mesmo quando já estão acima do IMC recomendado, julgam que as pessoas de renda mais alta têm.
Pesquisa de encomenda
Todavia, ainda há outra razão para o paradoxo entre os resultados das pesquisas sobre desnutrição e sobre segurança alimentar. O jornalista Ali Kamel, no livro Não somos racistas (Record, 2006), efetuou uma crítica competente à metodologia do suplemento da PNAD 2004. Essa pesquisa usou um conceito ambíguo de segurança alimentar (embora equivalente ao utilizado em outros países) e coletou dados por meio de um questionário repleto de perguntas mal redigidas e com poucas informações que orientassem os entrevistadores de modo a evitar interpretações subjetivas das respostas. Vale a pena citar um dos exemplos hipotéticos que Kamel elaborou para ilustrar como as perguntas do questionário superestimam as situações de fome:
“Nos últimos três meses, algum morador de 18 anos ou mais de idade, alguma vez, sentiu fome mas não comeu porque não havia dinheiro para comprar comida?”. “Sim”, seria a resposta de alguém que, no fim da tarde, deixasse de comer um sanduíche no McDonald’s, porque o dinheiro está curto, sendo obrigado a matar a fome no jantar, em casa.
Em suma, temos três conclusões: o conceito de segurança alimentar é incoerente com a metodologia usada nas pesquisas sobre esse tema; o questionário do suplemento especial da PNAD 2004 é problemático; e a eficácia dos indicadores dessa pesquisa é facilmente contestada pelos estudos baseados em critérios clínicos, os únicos que podem realmente aferir se há pessoas com a saúde em risco por falta de comida.
Por aí se vê o empenho do PT em produzir números que sustentem o mito de que o Brasil é um país repleto de famintos. Recentemente, em Davos, Marina Silva teve o desplante de dizer que, no Brasil, existem 120 milhões de pessoas sujeitas à fome! Nesse caso, é mentira descarada mesmo, sem qualquer pudor, típica do padrão petista de mentir repetidamente até que a mentira vire verdade.
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Referências
IBGE. Pesquisa de orçamentos familiares 2002-2003: análise da disponibilidade domiciliar de alimentos e do estado nutricional no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2004.
______. Pesquisa de orçamentos familiares 2002-2003: antropometria e análise do estado nutricional de crianças e adolescentes no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2006.
______. Pesquisa nacional por amostra de domicílio: segurança alimentar 2004. Rio de Janeiro: IBGE, 2006a
KAMEL, A. Não somos racistas: uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2023
A Folha de São Paulo é muito melhor do que um grupo de WhatsApp?
A pergunta no título é por causa da matéria Protestos no Peru chegam a Lima e acumulam quase 50 mortes. (13 jan. 2023). Mas desde quando "protesto" mata gente?
A matéria diz que há bloqueios de estradas e que os grupos de defesa de direitos humanos acusam as forças de segurança de "uso excessivo de força na repressão aos participantes dos atos". Informa também que, segundo as forças de segurança, os "manifestantes" atacam com armas caseiras e explosivos. Mas parece que não houve preocupação alguma de apurar se essa afirmação das forças de segurança está correta. Ninguém fotografou nem filmou nada dos protestos, nem com celular? Ninguém foi entrevistado para contar se viu ou não os "manifestantes" jogarem bombas durante os "atos"?
sexta-feira, 13 de janeiro de 2023
Na economia, uma certeza: o primeiro ano de Lula 3 será desastroso ou apenas ruim
O economista Alexandre Schwartzman afirma que, no governo Lula 1, a política econômica tinha coisas boas e coisas novas, só que as coisas boas não eram novas, e as coisas novas não eram boas. E agora? Segundo ele, a política econômica Lula 3 só tem coisas velhas e ruins, pois a proposta é fazer de novo o que deu errado para ver se, desta vez, milagrosamente, dá certo (aos 14 minutos deste vídeo).
quarta-feira, 11 de janeiro de 2023
"The Intercept": repórter só condena o terrorismo quando o ataque vem da direita
O repórter Rafael Moro Martins publicou um artigo no The Intercept Brasil que expõe muito bem a lógica de um peso e duas medidas com a qual a imprensa trata o problema do terrorismo no Brasil. No início do artigo, vemos que a conivência inegável de algumas autoridades do Distrito Federal com o vandalismo perpetrado no dia 08 de janeiro dá ao autor a oportunidade de dizer algumas coisas sensatas, o que acaba disfarçando o viés ideológico e a incoerência dos seus argumentos.
De fato, é preciso concordar quando o repórter diz que, nos últimos anos, a conduta de certos oficiais de polícia e militares que difamam as instituições democráticas, declaram simpatia pela ditadura de 64 e ainda apoiam policiais acusados de violência desmedida foi extremamente grave. E faz todo sentido relacionar a falta de punição para esse tipo de conduta com o vandalismo do dia 8, já que anos de ataques públicos à democracia (espelhados em boa medida nos discursos do próprio presidente da República) levaram à formação desses grupos radicalizados. No entanto, o artigo faz uma generalização indevida quando fala das forças de segurança:
Quem quer que esteja disposto a enxergar as coisas como são já percebeu que as polícias, as Forças Armadas, parte do Ministério Público, do poder Judiciário e da classe política não estão à altura dos papéis institucionais que a Constituição e a sociedade lhes confiaram (negrito meu).
sexta-feira, 6 de janeiro de 2023
Decepções jornalísticas: de Guilherme Fiúza a Reinaldo Azevedo
O governo Bolsonaro fez eu me decepcionar com dois jornalistas: Augusto Nunes e Guilherme Fiúza. Não vou dizer que os lia rotineiramente, mas gostei de algumas coisas que li de ambos. Contudo, a adesão deles ao bolsonarismo me fez ver que as críticas desses jornalistas à esquerda e ao PT, embora corretas, não nasciam de uma visão de mundo realmente comprometida com a democracia e a liberdade. Afinal, como alguém que presa a democracia e a liberdade pode ver uma única qualidade que seja num governo escancaradamente autoritário como esse?