terça-feira, 29 de outubro de 2013

Agrotóxicos não fazem mal à saúde, mas nutricionista se contradiz para propagandear orgânicos

Entre os mil e um argumentos que militantes do MST, geógrafos agrários e outros intelectuais engajados apresentam para contrapor o agronegócio à agricultura familiar, um dos mais repetidos é o de que incentivar esta última significa dar força à produção de alimentos orgânicos, que são produzidos de forma sustentável e não fazem mal à saúde das pessoas. OK, mas os textos que já li a respeito não apresentavam dados de pesquisas que comprovem que os alimentos produzidos com fertilizantes químicos, pesticidas e herbicidas sejam prejudiciais à saúde. Simplesmente assumem isso como um fato, e pronto!


Talvez seja correto dizer que, há mais de trinta anos atrás, quando a imprensa começou a alertar a opinião pública para os perigos dos agrotóxicos, os efeitos negativos desses produtos para a saúde fossem cientificamente incontestáveis. Mas não é isso o que acontece hoje, em que os produtos químicos utilizados na agricultura, assim como as formas de aplicação,  mudaram muito. No texto Alimentos orgânicos fazem bem à saúde e são mais saborosos, a nutricionista Eneida Ramos afirma o seguinte:
De acordo com a maioria dos estudiosos da ciência da toxicologia, a aplicação controlada de fertilizantes e de outros produtos químicos não causa danos à saúde. No entanto, o que preocupa é o uso indevido e abusivo desses produtos por parte dos produtores.
De acordo como o Instituto Biológico de São Paulo, há casos de aplicação de pesticida em culturas para as quais o produto não é autorizado. O Brasil foi incluído entre os países onde há exagero no uso de agrotóxicos pela FAO, órgão das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. É aconselhável a consulta no site a ANVISA, para reconhecer quais produtos estão mais contaminados, e se possível preferir o consumo desses produtos na versão orgânica, livre de agroquímicos. Vale ressaltar que os produtos mais contaminados variam bastante nas épocas do ano e também de ano para ano.
Portanto, a autora deixa claro que o problema não está nos agrotóxicos e no uso de fertilizantes químicos, mas na forma como esses produtos são aplicados e nos sistemas de fiscalização responsáveis por garantir que essa aplicação seja adequada. Na sequência do texto, porém, a autora faz uma lista de nove motivos para as pessoas preferirem os alimentos orgânicos, a qual, em vários momentos, contradiz aquela maioria de pesquisadores que, segundo ela mesma, atesta que os produtos químicos não causam danos à saúde! Vejamos:
1) O consumo de produtos orgânicos protege a saúde. Os resíduos dos aditivos químicos, pesticidas, hormônios de crescimento, antibióticos que permanecem nos alimentos à longo prazo podem provocar reações alérgicas, respiratórias, problemas neurológicos, distúrbios hormonais (em homens e mulheres), desenvolver determinados tipos de cânceres, diminuição da fertilidade (redução do número de espermatozoides).
Trata-se de uma incoerência flagrante com o que a própria autora escreveu no parágrafo anterior, pois como é que os especialistas em toxicologia, na sua maior parte, poderiam concluir que o uso adequado de produtos químicos não faz mal à saúde ignorando esses supostos efeitos de longo prazo?
2) Os alimentos orgânicos são mais nutritivos. Embora ainda exista muita discussão a respeito do assunto e nenhum consenso científico, solos mais ricos e balanceados com adubos naturais produzem alimentos com maiores concentrações de nutrientes, fitoquímicos antioxidantes, como polifenóis e carotenoides, que os alimentos produzidos convencionalmente.
Se no motivo 1 a autora foi incoerente com o que havia escrito um parágrafo antes, no motivo 2 há incoerência de uma frase para a outra! Afinal, se não existe "nenhum consenso científico" de que alimentos orgânicos são mais nutritivos, o que fundamenta as afirmações feitas na sequência para demonstrar que isso seria verdade!? Será que ela quer enrolar o leitor impressionando-o com termos químicos, do tipo "polifenóis" e "carotenoides"?
3) Sabor e aroma mais intensos. A ausência de agrotóxicos ou produtos químicos contribui para o sabor e o aroma naturais. Além disso, frutas e vegetais orgânicos crescem mais lentamente e tendem a ser menores.
Existe alguma pesquisa que prove que sabores e aromas naturais são mais intensos? No livro O andar do bêbado, de Leonard Mlodinow, são citadas pesquisas que provam que as avaliações de sabores e odores são fortemente influenciadas pelas expectativas prévias que as pessoas têm sobre qual deve ser o gosto de um alimento ou bebida. Até mesmo provadores de vinho profissionais se enganam quando são induzidos por corantes a acreditar que estão bebendo um tipo de vinho quando na verdade estão bebendo outro. Sendo assim, pergunto: já fizeram testes controlados desse tipo para verificar se os consumidores conseguem distinguir alimentos orgânicos dos convencionais só pelo sabor? Como Eneida Ramos não diz nada a respeito para comprovar sua afirmação, suponho que sua conclusão é gratuita.

A propósito, constatar que os alimentos orgânicos tendem a ser menores implica dizer que a produtividade da agricultura orgânica é inferior, o que implica ter de usar mais terras para a produção da mesma quantidade de comida.
4) O produto orgânico é certificado. Tem origem sempre de fontes confiáveis.
A própria autora reconhece que os produtos convencionais têm sua qualidade fiscalizada pela Anvisa e por entidades que fornecem informações para a FAO. E indica o site da Anvisa para quem quiser avaliar os riscos de consumir este ou aquele produto. Mas de onde sai a certeza de que os sistemas de certificação de produtos orgânicos são infalíveis? Na Alemanha, onde pessoas morreram recentemente pelo consumo de pepinos contaminados por uma bactéria intestinal, os levantamentos mostraram, por meio de uma amostra aleatória, que pepinos produzidos por cultivo biológico também apresentavam contaminação (ver aqui). 

A maioria dos outros motivos apresentados pela autora diz respeito à preservação dos solos, da água, da biodiversidade, e assim por diante. Muito bem, isso é ótimo. Todavia, é bom notar que a agricultura convencional, na medida em que produz grande quantidade de comida por unidade de área, reduzindo o preço dos alimentos, tende a diminuir a demanda por terras, o que contribui para que mais áreas possam ser destinadas à preservação de florestas e de outros biomas.

O último motivo, por sua vez, é de ordem social:
9) Ajuda os pequenos agricultores. Em sua maioria, a produção orgânica provém de pequenos núcleos familiares, que tem na terra a sua única forma de sustento.

Eneida Ramos fez bem em escrever "em sua maioria", posto que a identificação entre agricultura familiar e produção orgânica é uma generalização falsa, conforme já discuti em trabalhos publicados. E vale sublinhar que o argumento de que os produtores familiares precisam desse tipo de "ajuda" depõe contra a ideia, defendida por marxistas como Ariovaldo Umbelino de Oliveira, de que o capitalismo precisa reproduzir o campesinato para garantir a produção de alimento e, assim, contraditoriamente, se reproduzir como sistema.

No final do texto, ela fala da desvantagem dos produtos orgânicos, a qual "ainda é o preço". Mas pondera que "o preço pode diminuir quando a produção e o consumo aumentarem". Quanto a isso, não há dúvida. Só faltou acrescentar que os próprios métodos de produção orgânica criam limites para a redução de preços, já que os alimentos orgânicos tendem a ser menores, como visto acima, e o uso de mão de obra é intensivo, uma vez que não são utilizadas máquinas. Não é à toa que, na Europa, a produção familiar de orgânicos é subsidiada pelo Estado.

Concluindo

Quero deixar muito claro que não me oponho à agricultura orgânica. Pelo contrário, acho que é uma alternativa tecnológica bem-vinda e na qual vale a pena investir. Afinal, o potencial de expansão desse sistema produtivo não pode ser determinado de antemão. Se inovações tecnológicas o tornarem apto a ampliar sua participação no fornecimento de comida, está ótimo. E respeito plenamente os consumidores que dão preferência para a compra de orgânicos, seja pelo motivo que for, desde que eles comprem esses produtos com o dinheiro deles, não com subsídios pagos com dinheiro dos impostos. 

O que eu critico, isso sim, é a ideologização do discurso agroecológico e as declarações de superioridade desse sistema produtivo que não estejam baseadas em observações científicas. O texto de Eneida Ramos é muito mais informativo e sincero do que os trabalhos que costumam ser escritos sobre geografia rural, mas as incoerências e afirmações gratuitas mostram que ela também anda trocando a objetividade científica pela defesa de uma causa.

28 comentários:

  1. Se a intenção com o blog é mostrar e justificar sua posição política, mostrar não é difícil, mas para justificar vai ter que fazer todo o tipo de malabarismo, já que assimilar injustiças sociais como consequências naturais e aceitáveis é uma concepção desprezível para quem tem o mínimo possível de noção da necessidade de uma sociedade sadia.
    Nesse texto você foi mais feliz do que em outros que li, porque fica claro que a nutricionista entra mesmo em contradição e passa a impressão de se basear mais no seu achismo do que na ciência. No entanto, entendo que o que realmente aconteceu foi um tipo de insegurança da autora que não teve o cuidado de amarrar melhor seu texto nas pesquisas que provavelmente consultou e acabou se confundindo.
    E se não há trabalhos científicos mostrando que o uso controlado de agroquímicos não trás prejuízos à saúde humana, ainda não tenho conhecimento suficiente para afirmar. A verdade é que isso não tem a menor importância também quando o entendimento é o de que esses produtos desequilibram os ecossistemas e consequentemente induz ao uso de dosagens maiores dos mesmos por causa da resistência progredida dos insetos e o extermínio de seus inimigos naturais levando gradativamente o sistema de produção ao fracasso.
    Já tive diante de um dos maiores entomologistas agrícolas brasileiros defendendo o não uso de agroquímicos sintéticos afirmando que estes sempre tem causado impactos ambientais. E ainda afirmou que as empresas prometem que seus produtos são seletivos, mas no final das contas, as reavaliações provam o contrário. O caso da lagarta Helicoverpa Armigera é um exemplo de desequilíbrio que tá dando muitas dores de cabeça para os produtores convencionais os quais estão sendo obrigados a partirem para o controle biológico da praga, o único realmente eficaz.
    E, sendo assim, mais uma vez sua posição política te impede de ver além, quando você afirma que a agricultura convencional evita impactos ambientais por utilizar menores áreas devido à sua alta produtividade. Em defesa do modelo, você nunca aceitaria a realidade de que encaminhada para o abuso dos agroquímicos, esta agricultura termina arrebentando com o meio e com a saúde dos consumidores. Se procurar com atenção vai encontrar vários trabalhos sobre o assunto. E nem são de “marxistas”. rsrs

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    1. Eu não faço malabarismo nenhum para defender "injustiças sociais" como sendo aceitáveis. Apenas tenho uma visão sobre os condicionantes do comportamento humano e sobre o funcionamento da sociedade que é diferente da sua e que, por isso mesmo, implica numa visão diferente sobre o que é justo. Quem faz malabarismo retórico para travestir ideologia de ciência são Marcelo Lopes de Souza e outros que já critiquei neste blog.

      Você erra quando diz que a nutricionista se baseou em achismo; ela fala explicitamente que a maior parte dos toxicologistas conclui que o uso adequado de produtos químicos não faz mal à saúde humana. E ela cai em contradição justamente porque, como a maioria dos estudos contradiz as convicções dela em favor da agricultura orgânica, não lhe resta outra alternativa além de fazer afirmações sem fundamento em defesa desse segundo sistema. Se a maioria dos estudos confirmasse que os alimentos orgânicos são mais saudáveis e mais nutritivos, ela não teria sido incoerente, ora essa!

      Depois você começa a falar nos danos da agricultura convencional ao meio ambiente, o que é uma crítica inócua ao mesmo texto. E é inócua pelo simples fato de que, como já expliquei neste blog, não tenho nada contra a agricultura orgânica ou o controle biológico de pragas. Se esses sistemas puderem fornecer comida a todos por preços acessíveis e sem causar impacto ambiental expressivo, por mim, está ótimo. Só não venham com a demagogia de criticar a revolução verde como se, há meio século atrás, existissem alternativas tecnológicas ao uso de fertilizantes e pesticidas para elevar a produtividade agrícola. A agroecologia ainda está em construção e não tem se mostrado capaz de se impor como sistema agrícola predominante. Nos anos 1960, então... nem se fale!

      A propósito, o exemplo que você deu da lagarta confirma as críticas que eu faço à ideologização do discurso agroecológico. Quando os produtores convencionais usam uma técnica de controle de pragas que não funciona, eles partem para outra. E isso vale tanto para os ditos "camponeses" quanto para os grandes produtores. Se o controle biológico for mais eficiente do que as técnicas convencionais, os grandes produtores capitalistas vão usar o controle biológico. Afinal, o objetivo deles é gerar lucros, e não

      No último parágrafo, você diz que a agricultura convencional leva ao "abuso dos agroquímicos" e "termina arrebentando com o meio e com a saúde dos consumidores". Contudo, a maior parte dos especialistas em toxicologia afirma que o uso controlado de produtos químicos não causa danos à saúde de ninguém, conforme reconhece essa nutricionista que defende os orgânicos! Ainda assim, você fala que sou eu quem não vê a realidade devido às minhas posições políticas... Você me acusa de fazer o que você faz.

      E note que essa sua afirmação não responde ao meu argumento: como a produtividade da agricultura convencional é muito mais alta do que a da agricultura orgânica, permite produzir mais alimentos por unidade de área, o que abre muito mais espaço para a conservação de áreas naturais.

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  2. Kkkkkkkkkkkkkkkkk

    Não vi que este comentário havia sido publicado e rebatido. Mas, vamos lá.
    O Dr. Sabe, porque estudou história e estudou política. A agricultura químico-dependente nasceu ainda na Alemanha do século XIX e se espalhou nas áreas de influência geopolítica dos ianques após a segunda guerra mundial e após os EUA saírem altamente fortalecidos com as duas grandes guerras que não os atingiram e só favoreceram seu alavancamento econômico rumo ao imperialismo; quando a Europa se encontrava assolada com grande parte dos homens mortos e a falta de alimentos naquele continente, se tornava um bom negócio produzir rápido e a qualquer custo.
    Sejamos mais honestos quanto à importância da influência política nos modelos de produção! É óbvio que se um modelo vai dar mais lucro para aqueles que tem o controle político, será esse o escolhido! Ora! Somos geógrafos e devemos considerar a importância das relações de poder nas decisões.
    Na mesma época que a equipe de Justus Von Liebig aplicou ácido sulfúrico nas rochas para forçar a solubilização dos NPKs, outros pesquisadores sabiam que a mesma rocha liberaria seus nutrientes se fosse aplicada moída em solos ricos em microbiologia e para que o solo se tornasse abundante de organismos vivos, bastava estimulá-los com matéria orgânica e essa matéria orgânica pode ser conseguida facilmente com o plantio de plantas de cobertura. Julius Hensel escreveu sobre a técnica no mesmo século, mas como o modelo não era bom para a política industrializante da época, ficou abafado.
    O mesmo acontece hoje com o domínio das gigantes dos agroquímicos sobre as políticas que definem como deve ser a agricultura, principalmente nos países ditos em desenvolvimento. Vejo todos os dias irresponsabilidades de todos os tamanhos cometidas por técnicos, comerciantes e agricultores que estão se lixando para as recomendações técnicas e legais nas aplicações de agrotóxicos, porque o que interessa é a facilidade que esses produtos trazem. A saúde das pessoas e o meio ambiente não tem importância para esses avarentos. Tenho até dó desses malas se o Ministério Público resolver agir como precisa.
    As revendas não exigem mais receitas agronômicas para venderem nem aos produtos mais tóxicos os quais, por sinal, já são proibidos até na China e são comercializados livremente por aqui. Qualquer um pode comprar. Inclusive é alto o número de suicídios de agricultores nas regiões onde prevalece a agricultura químico-dependente. E o governo só começa a se preocupar, porque o custo para tratar à saúde desses trabalhadores já está muito alto para o SUS.
    A agroecologia precisa de ajuda porque a lógica do sistema que aí está não favorece ao seu desenvolvimento: não há técnicos capacitados para a prática, porque nossas faculdades tem treinado vendedores de veneno ao invés de formar técnicos responsáveis e, portanto, há aí também um grande problema político para o seu crescimento, uma vez que a maioria das pessoas nem sabe do que se trata.
    Sabemos muito bem que as empresas dos agroquímicos tem suas bancadas financiadas no congresso as quais defendem seus interesses descaradamente e serão fortes enquanto não for solucionado o problema da baderna nos financiamentos de campanha, da troca de favores entre políticos e empresas. Inclusive, é pauta de trabalho no Superior Tribunal Federal, já que os congressistas estão bem à vontade com essa situação.
    E enfim, para ficar bem claro porque critico suas postagens, entendo que se o Dr. não defende a injustiça social, pelo menos é o que parece quando omite dados relevantes da política que dá origem a ela.
    http://comciencia.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-76542010000600006&lng=en&nrm=iso

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    1. Eu estudei geopolítica e, por isso mesmo, sei que o surgimento e expansão da agricultura convencional não tem nada a ver com geopolítica. Mas, ainda que tivesse, não mudaria nada do que eu escrevi. E a razão é simples: graças à revoluçaõ verde, a produção mundial de alimentos DOBROU no período 1960-1985, ocasionando assim uma ampliação de 40% na oferta per capita de alimentos (Diniz Filho, 2013). Isso barateou o preço da comida e acabou com a fome de milhões de pessoas.

      O melhor exemplo disso é o Brasil, que se engajou nesse processo logo de início: já em 1974-1975, a exposição à desnutrição da população adulta era de 4,5%, no caso dos homens, e de 11%, no caso das mulheres. Exposições baixa e moderada, respectivamente. Já em 1989, a exposição era estatisticamente irrelavante no caso da população masculina e havia caído para pouco mais de 3% da população feminina (Diniz Filho, 2013).

      Então, se fosse mesmo a geopolítica dos "ianques" a responsável por esse processo, seria o caso de você concluir "viva a geopolítica"! Só que você não tem coerência.

      Depois você diz que as alternativas técnicas propostas pelos críticos do uso de fertilizantes químicos foram "abafadas" porque não eram úteis ao "projeto industrializante da época". Ora, todo mundo sabe que a agroecologia surgiu nos anos 1920 justamente por ter sido uma reação à agricultura quimificada que estava nascendo. Mas, se as alternativas técnico-agronômicas não se tornaram predominantes até hoje, foi simplesmente pelo fato inconteste de que, tanto naquela época quanto nos dias atuais, a produtividade da terra na agroecologia é muito baixa. Prova disso é que o texto de Eneida Ramos (acima), embora defendendo este segundo sistema, reconhece que os alimentos agroecológicos são menores e crescem mais devagar. Se os agricultores tivessem optado pela agroecologia nos anos 1920, estaríamos até hoje com a maior parte da população morando no campo e milhões de pessoas passando fome nos cinco continentes!

      Conclui abaixo...

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    2. Conclusão da resposta anterior...

      Você diz que só as alternativas técnicas que dão lucro para quem tem poder são escolhidas. Mas por que a revolução verde é o "pacote tecnológico" mais lucrativo para as grandes empresas? Por que permite produzir com alta produtividade, ou seja, produzir em grande quantidade, com pouca terra e pouca mão de obra. É isso que fez a oferta de alimentos crescer mais do que a população, rebaixando os preços e resolvendo o problema da fome nos países bem-sucedidos em termos de modernização agrícola, caso do Brasil. Sendo assim, você deveria concluir: "viva o lucro dos grandes empresários". Mas você não tem coerência.

      Depois você dá exemplos de problemas de saúde ligados ao uso de agrotóxicos e problemas relativos aos sistemas regulatórios e fiscalizadores. São exemplos inúteis, pois, conforme o texto de Eneida Ramos, o uso controlado de produtos químicos não faz mal à saúde, de modo que produtos contaminados por abuso na aplicação dessas substâncias não são a regra, mas exceções – e há países onde nem se registram esses abusos. Ademais, a Anvisa disponibiliza informações sobre tipos específicos de alimentos que podem ter contaminação por uso inadequado. Basta os consumidores se informarem e o aparato regulatório e fiscalizador brasileiro ser melhorado. E quem preferir pagar mais para comer orgânicos, na suposição de que a certificação é infalível, tem toda a liberdade de fazê-lo.

      Depois você diz que "a agroecologia precisa de ajuda porque a lógica do sistema que aí está não favorece o seu desenvolvimento". Na verdade, a agroecologia precisa de ajuda simplesmente porque produz alimentos com baixa produtividade da terra e, sobretudo, da mão de obra. Prova disso é que, na Europa, a produção agroecológica é subsidiada pelo Estado, embora muitas correntes da agroecologia afirmem que uma vantagem desse sistema produtivo é que ele tornaria o produtor independente do setor industrial e de subsídios estatais...

      Enfim, a oferta de assistência técnica é o de menos: os agricultores orgânicos precisam de ajuda porque, com baixa produtividade e pequena escala de produção, mesmo com o diferencial de preços para mais, não conseguem auferir um nível de renda compatível com o da média da população.

      Isso nada tem a ver com poder político ou geopolítico. É uma questão técnica e econômica.

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    3. Trabalho com agroecologia em minha propriedade tenho produtividade porque otimizo a área com consórcios de cultura, por exemplo esse ano; feijão (1100kg/ha) e milho (3500kg)em fileiras e hoje mesmo tava acabando de plantar mandioca na área onde arranquei o feijão numa área de 2 ha. um pequeno exemplo de que com equipamentos e alguma mão de obra podemos criar condições de produzier mesmo com a influencia de veranicos que a cada ano estão mais fortes, onde estou trabalhando com manejos adubos verdes e com rochagem a segurança em relação ao clima. Isso justifica o investimento em agroecologia na minha propriedade. A cada ano fui convertendo uma parte dos 20 ha que cultivo. Trabalho com milho, feijão, banana, graviola, mexerica, mandioca e frango caipira um pequena área de soja, com comercialização em cooperativa empreendimentos familiares e avulsos tambem.
      no inicio trabalhar com diversidade não foi fácil mas com um bom planejamento vai sendo possivel a integração progressiva onde as atividades se complementam.
      agora o que falta muito é o investimento em máquinas e equipamentos com parcerias participativas, pois o que há no mercado são máquinars padrão pra um tipo de sistema e ainda os que pode ser adaptados são muito caro e as vezes não corres pondem com as nossas necessidades Ex. um microtrator aqui no brasil é um absurdo e mesmo assim não é um equipamento tão eficiente em áreas um pouco maiores como é o caso da minha área de cultivo de grãos e raizes. Ora! se o governo deu e da apoio de varias formas ...para o desenvolvimento de equipamentos para os agroquimicos é hora de direcionar aos equipamentos de nossa necessidade.
      O outra coisa que ha carencia no mercado é o pó de rocha que obtem bons resultados quando se trabalha com adubos verdes e ao estimulo a microbiologia do solo, porém o custo dele (por não ter politicas de apoio a produção dele), é muito alto ainda.

      Luiz é bom que saiba que masturbação em laboratorio não traz resultodos duradouros e eu como técnico agricultor sei o quanto é impactante e agressiva essas monoculturas que a cada ano sobe a dosagem e o número de aplaicações de agrotoxicos nas lavoras que me rodeiam aqui, por ex soja 15 aplacações e com produtos que vc tinha mensionado que seriam seguros vem desde a segunda guerra como o fipronil, 2.4D que quando é aplicado ele intoxica mamoeiros até 3 km ou mais sem contar que pode vir através de chuvas. Outra coisa que a monocultura trouxe em razão de macro foi várias pragas como a temida mosca branca que está arraza feijoiero plantado anteriormente em feveriro que hoje não é possivel em nehum sistema produtivo mesmo com sucessivas aplicações de inseticidas.
      Bom mas o que importa é que estou me dedicando ao meu trabalho e estou satisfeito com o que tenho conseguido tenho muitas outras experiencias em curso mas o tempo é curto então vou me dedicar vale o meu empenho mas para que possamos não ficar com o veneno dos outros temos que nos desdobrar enquanto sociedade e governos para a concicia de que produtos industrializados ja mostraram faz tempo os efeitos danosos a saude nem precisa de pesquisa cientifica basta apenas uma constatação mas pra quem gosta do metodo cientifico pode achar aos milhares de pesquisas.
      Agroecologia é habito alimentar é diversidade alimentar, e atenar ao gasto energético é ver promover o solo é vida, (tudo está entrelaçãdo o homem não teceu a trama da vida ele é apenas um fio, o que fizer com a trama estara fazendo consigo mesmo). (O Ponto de Mutação Frijot Capra 1982).

      Por fim é urgente o apoio e capacitação técnica para esse modelo agricola pois precisamos de uma transição e uma reforma agricola em nosso pais. para termos alilmentos de qualidade para toda a sociede!

      Realino Lopes

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    4. Maravilha! Sempre se deve comemorar quando um capitalista, grande ou pequeno, investe, produz e inova, como você faz.

      Já quanto à "ajuda" do governo, sou contra subsídios à produção, como ocorre na Europa, mas, em princípio, não sou contra o uso de alguns instrumentos de política pública, de aplicação temporária, para favorecer modernização tecnológica. Nesse sentido, não vejo muito problema que o governo forneça assistência técnica e financiamentos facilitados para a compra de equipamentos, desde que seja em caráter temporário e somente se for para aumentar a produtividade da produção.

      Todavia, constato que, na Europa, a agroecologia ficou dependente de subsídios estatais, o que é um completo absurdo! E isso ocorre por conta do que eu disse: se a produtividade e a escala de produção são baixas, não há como obter uma renda compatível com a média do país praticando esse sistema. Para a agroecologia ter um futuro que não dependa de esmolas estatais, é preciso ampliar a produtividade com mais investimento em tecnologia. A questão é saber se a própria "filosofia" de produção orgânica não entra em contradição com esse objetivo.

      Depois você critica a "masturbação em laboratório" e usa sua experiência técnica para dizer que os agrotóxicos fazem mal à saúde, citando exemplos. Ora, a expressão "masturbação em laboratório" é uma contradição em termos, pois toda experiência laboratorial é de cunho empírico e, portanto, colada diretamente à realidade. Não adianta fazer uma paráfrase da expressão "masturbação teórica" se a lógica não permite transpor o raciocínio contido nessa expressão para as experiências de laboratório.

      Ademais, conforme o texto acima, A MAIOR PARTE DOS ESPECIALISTAS EM TOXICOLOGIA AFIRMA QUE O USO ADEQUADO DE PRODUTOS QUÍMICOS NÃO FAZ MAL À SAÚDE. Por que a sua experiência profissional é mais confiável do que a da maioria dos pesquisadores, se você nem é toxicologista?

      Quando você fala em "alimento de qualidade", também não tem uma boa base para sustentar tal afirmação. Conforme o texto acima, NÃO EXISTE NENHUM CONSENSO CIENTÍFICO ENTRE OS NUTRICIONISTAS DE QUE ALIMENTOS ORGÂNICOS SEJAM MAIS NUTRITIVOS.

      Você supõe que eles têm qualidade melhor apenas por partir de uma visão romântica da natureza, como fica claro no momento em que cita Capra. Só que a contradição está justamente aí: é verdade que "o homem não teceu a trama da vida ele é apenas um fio", mas é por isso mesmo que os ecossistemas não foram feitos para que o homem fosse bem-alimentado, saudável e tivesse vida longa. Para uma espécie qualquer fazer parte de um ecossistema, basta que seus indivíduos sobrevivam e se reproduzam: se são mais ou bem alimentados, se têm verminoses ou não, se são doentes ou não, se vivem até os 20 ou até os 100 anos, não importa. Os ecossistemas são o que são, e ponto. Daí, nada mais ser mais lógico do que a necessidade de alterar profundamente os ecossistemas para podermos comer mais e melhor, viver mais tempo e de maneira mais saudável.

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    5. Bom gostaria de dizer que quando um capitalista investe em melhorias ambientais é porque ele está obtendo resultados financeiros com isso ( é o principio do negocio ) ainda mais se for grande capitalista Para esses não interessa o custo de externalidade (super exploração de recursos ambientais, mão de obra, da contaminação das manancias, do afogamento de nascentes, exterminio de reservas florestais, uso exessivo de recursos minerais e energéticas etc). o que vale é a lucratividade imediata e isso é uma constatação nem precisa de metodo cientifico pra observar isso. Diferentemente da agroecologia em qu otimiza rersos ambientais e trata do solo e não de simplesmente a planta.
      Ajuda do governo... Olha a agroecologia precisa de uma decisão de governo sim na minha visão pois quando a revolução verde veio ai com o pacote tecnologico de la ṕra ca ha muito subsidios constante às grandes companias e produtores( financiamentos subsidiados para investimentos, redução tarifaria e conceção de terreno por parcerias públicas, e prorrogação, sucessivas de dividas pelo grande agronegocio). A cada ano o brasil gasta empresta com juros subsidiados e mais de 100 bi (sem contar os gastos com outros investimentos em estruturas para o setor e a cada ano o que se vê é um envidamento cronico do setor, no final quem sofre as consequencias são os medios e pequenos produtores por não ter influencias politicas e o povo concerteza que cada ano consome mais agrotóxicos que vc disse no texto que não tem comprovação cientifica, do uso "controlado" mas ignorar as evidencias é um custo que se paga ao fechar os olhos para a indústria ex: o chumbo na gasolina, o ddt e sua compania, as explosões dasusinas nucleares que diria tecnicamente "super seguras"no Japão, a vaca louca com a proteina com ação no sistema nervoso (proteina hem), a gordura hidrogenada, a vitamina A em administração para prevenção ao câncer que se mostrou em pesquisas que tem efeito contrário, o amianto ainda comercializado por força politica, o porco trásgenico para retirada de orgãos (heita ciencia mecanicista), e quantos mais eventos que podemos retirar dos usos de recursos agressivos para saude do planeteta para ter argumentação favoravel a não salenização do solo e a intoxicação ambiental.

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    6. A questão da renda é o seguinte a agroecologia leva um pouco mais de tempo para ter um retorno satisfatorio e ainda que os bancos não tinha nem a liberação de recuros para a conntratação ( ai vem vc falar que agroecologia não precisa de nenhum invenstimeto pelo fato de não precisar muito de energia externa) olha não ha necessidades como a quimica dependente porém na transição é o periodo em que se faz a correção de solo com rochagem, cobertura vegetal, e alguns insumos (insumos com energia acumudade bem inferior aos adubos soluveis, herbicidas e praguicidas), dependendo do solo em muitos casos intoxicados pelo sistema anterior. Mas se formos observar os agricultores familiares que se iludiram com a integração a industria, podemos concluir de acordo com pesquisas, quanto mais especiazada em "tecnologias" Padrão de intensificação maior é o nível de individamento das unidades produtivas. por isso questão de renda é só uma questão de dinãmica de politicas e de aplicações técnica e de comercio, pois o maior problema para os agricultores são o beneficiamento e comercialização, contudo nos últimos anos a demanda tem aumentado muito, mas a ponte entre produtores e consumidores estão com falhas importantes ainda enfrentando os riscos de cair nos pão de açucar da vida.
      Hoje a escala pode ser problema em algumas culturas mas não em frutiferas tuberculos e hortaliças, hoje não tenho inveja nenhuma de sistemas convencionais das quais tenho aqui, sem contar que os sitemas agroecologicos acmulam materia organica no solo dispensando irrigação na maioria das frutiferas e mesmo em cultivo de sereais enquanto o vizinho aqui nem pode colher seus 350hectares de feijão esse ano eu consegui colher o meu não foi como no ano anterior mas concerteza houve uma resposta signicativa das práticas de barreira de ventos e de acumulo de M.O.
      Olha se toda experiencia de laboratorio é de cunho empicirico e "supondo que o empirismo não ha equivaencia real" como então vamos acreditar na segurança alimentar dos transgênicos que dizem ter embazamentos cienfificos? Sei que para fazer testes de qualquer natureza preciza da práticas laboratoriais porem o problema é que as evidencias dessas contradições são ignoradas posteriormente.Por influencias de mercado, dai nos resta ser camundongos ne rsrsr!
      Agora é ignorar muito a realidade pra não perceber no paladar e nas tabelas nutricionais de analizes bromatologicas de plantas em que diferentes cultivos para atestar a difereça chega até 60% em minerais e vitaminas o menos diferencia são proteinas e a energia.
      O fato dos toxicologistas não atestarem a nocividade de usos de agroquimicos é o caso que disse antes, são especialistas por isso não consegue fazer conexões com a vida no todo, vê apenas os fragmentos por perceber isso muitos desses especialistas ja estão matando a charada ( vida é conexão não é fragmento).
      Sobre a natureza vc deve ta certo! ela tava doente nos estavamos doente não tinhamos problemas sociais que nos adoeceram, era sua imperfeição que era o problema para o homem, seus segredos, não tinhamos possibilidades de comer a 1000 anos atraz pq não tinha recuros.
      então vamos promover o agroecossitema querendo vida mas promovendo a morte.

      Realino Lopes.

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    7. Como a minha resposta ficou longa, resolvi publicá-la na forma de um post. Ver: http://tomatadas.blogspot.com/2014/03/oito-verdades-incomodas-sobre-economia.html

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    8. No post ''Oito verdades incômodas sobre economia de mercado, agricultura e ecologia" (conforme o link que indiquei na resposta anterior) eu respondi à maior parte dos seus argumentos, mas ainda tenho a acrescentar algumas coisas:

      1. Você diz que as evidências laboratoriais de que o uso de transgênicos implica "contradições" são "ignoradas depois" das experiências. Só que você não explica que "contradições" são essas. Do que você está falando? Como você fica sabendo que os resultados de testes de laboratório provam o seu ponto de vista, mas são ignorados depois? Os nutricionistas não veem o que você vê? Por quê?

      1.1. Você diz que são as "influências do mercado" que levam os resultados das experiências a serem "ignoradas depois"... Todavia, você, como produtor agroecológico, também está de olho no seu mercado. E tanto que defende a necessidade de "ajuda" do governo para a agroecologia, i. e., dinheiro público no bolso dos produtores agroecológicos. Sendo assim, há tantos motivos para acreditar na sua teoria conspiratória quanto motivos para achar que você está advogando em causa própria, inclusive com o uso de retórica desonesta.

      2. Você diz que "é ignorar muito a realidade não perceber no paladar" que os orgânicos são melhores. Mas como é que você prova essa afirmação? Cadê os testes controlados que provam isso? Sua afirmação é tão gratuita quanto a de Eneida Ramos.

      2.1. Os estudos que eu citei demonstram que as avaliações sobre sabores e odores são muito influenciadas por expectativas, e daí ser muito fácil induzir consumidores ao erro. Eu já comi muito dos dois tipos de alimento (minha ex sempre comprava orgânicos) e nunca notei diferença nenhuma de sabor.

      3. Depois você desqualifica o trabalho dos toxicologistas dizendo que eles são especialistas e que, sendo assim, não conseguem "fazer conexões com a vida no todo". É o tipo de afirmação que funciona como boa tampa para qualquer panela. Afinal, você desqualifica o trabalho profissional dos outros sem apresentar nenhuma razão concreta para provar que as conclusões deles estão erradas. "Eles discordam de mim porque são especialistas, e eu estou certo porque não sou especializado e vejo o todo". É o mesmo tipo de retórica desqualificadora que rebati no texto "Agricultura e Mercado no Brasil" (barra lateral deste blog).

      3.1. E isso como se um agricultor não fosse especialista em produzir comida!

      4. Os dados que você mostra para provar que alimentos naturais são mais nutritivos não são aceitos unanimemente pelos nutricionistas. Por isso é que não existe "nenhum consenso científico" de que esses alimentos sejam superiores.

      4.1. E, se pensarmos bens, nem há motivo para pressupor que devem ser. A menos que ser mais nutritivo para o homem represente uma vantagem evolutiva para determinadas espécies.

      5. Eu nunca disse que a natureza era "doente" e nem que a "imperfeição" da natureza era um problema para o homem. Pelo contrário, eu disse que os ecossistemas são compostos por animais e plantas que vivem em "equilíbrio" mesmo. Nesse sentido, não há dúvida de que a natureza é "perfeita".

      4.1. Só que essa "perfeição" reside no fato de os ecossistemas serem auto-organizativos e, por isso, apresentarem um equilíbrio dinâmico. Nesse sentido, é um sistema que não existe com a finalidade de garantir abundância de alimento e vida longa para o homem. Esse sistema apenas existe, e ponto.

      4.2. É por isso que os povos primitivos tinham expectativa de vida de apenas 26 anos: eles começavam a procriar logo depois de entrar na puberdade, de modo que morrer aos 26 anos já era o bastante para deixar descendentes com idade próxima à de procriação. Isso é viver em equilíbrio com o meio, não é?

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  3. Não tem coragem de publicar, né, Doutor?!

    Tente clicar no meu nome e veja se consegues descobrir como realmente funciona a rede.

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    1. A última resposta que eu publiquei a um comentário seu, no post "PT meteu a mão até na Pesquisa de Orçamentos Familiares", explica o motivo de eu não responder aos seus comentários com a velocidade que você gostaria. Só que você não fez nenhuma tréplica à minha resposta e veio fazer cobrança aqui...

      A propósito, o motivo de não responder seus comentários quando você quer é o mesmo que explica porque eu nunca tive a menor curiosidade de clicar no seu nome. Leia minha resposta lá.

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    2. Não tô cobrando. Tô ironizando sua falta de habilidade com a rede.
      Os meus comentários que não são publicados aqui por desprezo ou por falta de argumentos seus para uma resposta rápida, são publicados no meu blog com referências ao assunto abordado aqui e é isso que eu quis te mostrar. As pessoas que lerem nesse blog, certamente vão ler lá também quando clicarem no meu nome e, portanto, não adianta fugir dos meus comentários. A rede é assim. rsrs
      Quanto ao IBGE, entenda que não desprezo seus dados porque não sou louco de fazer isso e já comentei aqui também e vou repetir: "apenas os dados estatísticos não são capazes de revelar todos os fenômenos que precisamos estudar" e o Doutor sabe disso muito bem. Não entendo essa obsessão por uma geografia fragmentada nos moldes teoréticos quantitativos que já foi superada há mais de 40 anos.

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    3. Eu tenho site e blog, então é óbvio que eu sei muito bem que você pode publicar e linkar o que quiser em outros sites, blogs e redes sociais. Não dou resposta aos seus comentários na hora em que você quer porque: a) você só repete frases feitas da geocrítica às quais já respondi em eventos e publicações; b) não ganho dinheiro com blog, então só respondo comentários repetitivos quando não tenho mais nada para fazer; c) se eu fosse me preocupar em saber o que escrevem de mim em outros blogs e redes sociais, e ainda ficar respondendo a tudo, perderia tempo demais. Não ganho dinheiro pra isso.

      Em seguida, você se contradiz pela enésima vez. Afinal, se você não é louco de desprezar os dados do IBGE, então tem de concordar comigo quando digo que a desnutrição acabou graças à modernização agrícola. Ponto.

      Já ao dizer que os dados estatísticos não revelam tudo, você mostra que não entende o que escrevo, pois eu concordo com essa afirmação. Tanto que mencionei a geografia cultural como exemplo de área de estudo que, sem negar os dados estatísticos, vai a campo levantar informações com as quais os órgãos oficiais de pesquisa não trabalham.

      E a geografia é uma ciência fragmentada mesmo. A geocrítica até aprofundou a tendência à fragmentação que já vinha desde o final do século XIX. Trato disso no livro "Fundamentos Epistemológicos da Geografia" (ver Dica de Livro 1, acima).

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  4. Muito bem, Doutor! Resolveu publicar, né?!

    E mais uma vez, sem nenhuma novidade, o Dr deixa claro que sua posição política só lhe permite enxergar o que lhe é conveniente e exibe dados quantitativos para parecer que a sua verdade é incontestável, porque tudo a que ela se refere já foi mensurado. rsrs

    Se a influência geopolítica dos ianques e compania não os ajudaram em nada na disseminação da revolução verde pelo mundo afora, talvez seja pelo fato deles não se interessarem em despejar suas sobras das guerras para os países ditos em desenvolvimento em forma de insumos e máquinas agrícolas, arsenal restante das fábricas de armas químicas e de tanques de combate. Não é, Doutor? ...tenha dó!
    Ah, não! A geopolítica deles não tem nada a ver com isso, porque o senhor e a sua lógica não quer. Não é mesmo?

    Sejamos mais claros:
    Alguma política para a agroecologia surgiu sim nos anos 1920, mas a agroecologia sempre existiu em diversos lugares do planeta sendo praticada pelos agricultores mais observadores e sensatos e as técnicas de solubilização das rochas de Julius Hensel no século XIX foi apenas uma constatação científica formal. O que nunca existiu substancialmente foi alguma política importante para o modelo de produção ou qualquer outro que foi atropelado pelo modelo químico dependente tão interessante aos grupos que o promoveu. Sejamos honestos!
    Mas, mesmo sabendo que o Dr não vê nada de importante nos campos que as estatísticas não possam registrar e continua no conforto de seu gabinete, insisto que para saber o que é realmente e qual é o potencial que tem a agroecologia, terá que ir mesmo ao campo. Ainda que isso lhe cause náuseas, não tem outro jeito. hehehe

    Enfim, sem enrolar muito o assunto para não lhe dar mais trabalho sem remuneração, como o Dr mesmo disse anteriormente, gostaria de sugerir também que venha passar uns dias em alguma cidadezinha no interior da Região Centro-Oeste, onde a população está cercada por essas “maravilhas” da agricultura moderna que “resolveu o problema da fome mundial” (sic) se tornando uma das maiores produtoras de riquezas para as transnacionais, para os concentradores de terras, para os bancos e outros espertos que se favorecem dessa onda.
    Quanto à disponibilidade de alimentos, é claro que se a produção é grande, as sobras também são. Afinal, os cães que ficam embaixo das mesas fartas se alimentam melhor do que os que ficam embaixo das menos fartas. Se a política e, como diz o Dr, as tendências econômicas se virou para aumentar esse tipo de produção, é óbvio que ela tenha aumentado e o artifício da solubilização química das rochas abraçado pelos mercenários da indústria foi o principal fator a favorecer isso. Não nos façamos de bestas!

    A economia e a política andam juntas: uma dita as regras para a outra, mas as irresponsabilidades sociais e ambientais comprometem ao futuro.

    Insisto que venha durante o verão provar um pouquinho do que essa gente daqui (trabalhadores rurais e moradores de agrovilas) leva na cara todos os dias e sentir as “belezas” da fartura que nos cercam. Venha ver de perto o uso “racional” dos agroquímicos que os burocratas financiados por essa indústria dizem ser “a regra e não a exceção”. Venha, Doutor!

    http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/2227/agrotoxicos_construcao_lucchese.pdf?sequence=1

    http://www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0708/g28_ddt/historia.htm

    http://www.youtube.com/watch?v=v2eUR5EyX9w


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    1. Conforme eu expliquei, mas você não foi capaz de entender, foi a revolução verde que ampliou a oferta mundial per capita de alimentos, de sorte que, se a disseminação desse sistema se devesse a uma estratégia geopolítica, então você teria de bradar "viva a geopolítica"! Só que você, além de não ter coerência, repete o que já tinha dito antes sem encarar o argumento que demonstra sua incoerência (e também hipocrisia...).

      Como o argumento que você usa é incoerente, torna-se supérfluo ficar discutindo a ideia tola (própria dos geopolíticos que pensam o Estado nacional como agente da história), de que a tecnologia da revolução verde se disseminou porque os países saídos da II Guerra queriam dar um uso para estoques de produtos químicos e armas. Afinal, se você realmente se preocupasse com a alimentação e o bem-estar das pessoas, deveria concluir que foi bom os "ianques" fazerem isso, não é verdade?

      Ademais, é como eu já expliquei, mas você não leu ou não foi capaz de entender: essas tecnologias se disseminaram porque ampliam a produtividade e, assim, alavancam os lucros dos produtores (especialmente os de grande porte) ao mesmo tempo em que reduzem os preços finais dos alimentos, beneficiando também as populações urbanas.

      O uso do nitrato de amônia, por exemplo, se disseminou por ser uma solução de muito baixo custo para repôr a fertilidade dos solos, não porque houvesse sobra de nitrato de amônia nos países que participaram da II Guerra (que já acabou há décadas...), ou porque interesses escusos tivessem impedido a realização de uma "política" que privilegiasse outras técnicas, como essa constatada por Hensel.

      Ora, se as técnicas agroecológicas já existentes até o século XIX permitissem alcançar produtividade agrícola elevada, os grandes produtores iriam empregá-las para poderem alcançar lucros maiores. Mas, como todo mundo sabe (e Eneida Ramos reconhece), os alimentos agroecológicos são menores e crescem mais devagar, o que implica dizer que A AGROECOLOGIA OPERA COM BAIXA PRODUTIVIDADE.

      Se a produtividade é baixa, das duas uma: ou os consumidores têm de se dispôr a pagar caro pela comida (o que é inviável para os pobres) ou o Estado tem de subsidiar a produção agroecológica, o que mobiliza recursos que poderiam ser empregados em saúde, educação, etc. E os produtos agroecológicos são realmente mais caros, mesmo quando há subsídios para a agroecologia, como ocorre, por exemplo, na Europa.

      O que você diz depois sobre as cidadezinhas do Centro-Oeste é desmentido pelos fatos. Da década de 70 em diante, precisamente à medida em que se dá a expansão da agricultura moderna de grandes propriedades nessa região, seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal se eleva muito mais depressa do que o índice nacional, conforme mostram IBGE, PNUD, etc. Os indicadores sociais municipalizados permanecem baixos onde continuou predominando a agricultura familiar de baixa produtividade, isto é, no sertão do Nordeste.

      E é fato que o uso racional dos agroquímicos constitui a regra, em vez de a exceção. É justamente isso o que admite Eneida Ramos no artigo acima, o que a leva a cair em contradição para defender a causa dos orgânicos.

      Embora você use o tempo todo expressões como "seja honesto" e "não se faça de besta", seus textos provam que é você quem argumenta com hipocrisia e ignora os argumentos que demonstram suas incoerências lógicas e sua ignorância de dados empíricos.

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  5. Percebo que o blogueiro foi levado a sério demais no último comentário e o desfecho me fez lembrar Marie-Monique Robin.
    O agricultor não observou que o blogueiro sempre utiliza artifícios acadêmicos para fazer parecer que qualquer crítica seja tida como tola ou "romântica". Senão, creio que nem teria opinado politicamente ou, talvez nem opinasse de forma alguma.
    A pretensão do blogueiro o coloca como todos os que se esforçam para fazer os leitores acreditarem que esse tipo de postura é despolitizada. rsrs ...como se fosse possível isso.
    Sua maior arma é dizer que não há pesquisas "suficientes" para provar que o que ele defende é absurdo. Se comporta como o dono da verdade absoluta, seguro de que o cienticismo acadêmico lhe permite utilizar esse artifício, uma vez que os critérios criados pelos "donos da ciência" permite manobras para favorecer pesquisadores financiados pelos que interessam que tecnocratas tenham tamanha importância. Mas, toda fortaleza perde sua estabilidade, justamente quando se confia demais no seu aparato.
    A informação hoje, circula muito rápido e a tendência é que a cada dia as dinâmicas se deem com maior frequência e toda manobra desse modelo se torne mais difícil. Apesar de ainda existir muito controle social por grupos dominantes, a coisa vai mudando porque é natural que mude.
    Ora! Como dizer que agrotóxicos não fazem mal à saúde com tanta gente adoecendo e morrendo aos olhos de todos? É óbvio que chega o dia em que a casa cai. Ou melhor, a fortaleza cai.

    http://www.youtube.com/watch?v=gbOSU47WDo8

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    1. 1. É mentira dizer que uso "artifícios acadêmicos" para desqualificar argumentos. Eu apresento contra-argumentos baseados em evidências e raciocínio lógico, como se lê no post acima, em que mostro as incoerências na qual a nutricionista cai ao mencionar resultados de estudos que contrariam a causa que ela abraçou.

      2. Eu não uso o termo "romântico" como sinônimo de "ingênuo", que é o sentido dado a esse adjetivo no senso comum. Eu o uso numa referência direta às correntes de pensamento que, à maneira de Schelling e Capra, pensam a natureza e a sociedade como um todo cuja unidade é acessível ao conhecimento humano e que, portanto, só poderia ser pensado como todo.

      3. Essa visão romântica não produz conhecimento científico, como prova o fato de que a ciência continua se baseando na racionalidade analítica, e não na síntese.

      4. Quando avalia a relação sociedade/natureza em termos éticos, o romantismo do Capra conduz a contradições lógicas evidentes, como mostrei noutro post (é só pesquisar o nome desse autor neste blog para ler).

      5. É mentira dizer que a metodologia científica se erige sobre critérios estabelecidos pelos "donos da ciência" e que são manipuláveis por pesquisadores desonestos. A metodologia científica se estabeleceu porque a reprodutibilidade dos resultados dos experimentos é inegável e, sendo assim, atesta a objetividade do conhecimento científico.

      6. Você usa os mesmos truques de retórica que todos os geocríticos e professores corporativistas usam, a saber: diz que todo conhecimento é político e afirma que todos aqueles que discordam de você são pessoas desonestas que se fingem de politicamente neutras para ganhar dinheiro com isso.

      7. É a famosa presunção de superioridade moral que eu tantas vezes já denunciei neste blog e no meu último livro.

      8. E esse tipo de argumento, além de arrogante e maniqueísta, é hipócrita, pois os agricultores agroecológicos que postulam "ajuda" do governo para seu negócio estão advogando em favor de seus interesses econômicos, do mesmo modo que os professores medíocres também estão defendendo o seu quando rejeitam as estatísticas que provam que os bons professores merecem ganhar mais.

      9. E você conclui caindo em contradição de novo, pois, após ter negado a objetividade do conhecimento científico, fala como se a observação empírica (que é a base da ciência) provasse o seu ponto de vista! É o que se vê quando você afirma "como dizer que agrotóxicos não fazem mal à saúde com tanta gente adoecendo e morrendo aos olhos de todos?".

      10. Além de incoerente, é um argumento ridículo, pois pessoas já adoeciam e morriam desde milhares de anos antes de existirem agrotóxicos. E o que a série histórica de dados demográficos nos mostra é que, desde a invenção dos fertilizantes químicos de base inorgânica e dos agrotóxicos, as pessoas adoecem cada vez menos e vivem cada vez mais!!!

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    2. Ah, Doutor! Por isso é que não dá pra te levar a sério.
      Eu nunca neguei a objetividade da ciência. O que é claro e qualquer um pode ver é que cada empresa investe no que lhe convém. Assim, tendo as experiências científicas um custo alto, na maioria das vezes, qualquer empresa que financiar uma pesquisa vai querer que sejam estudadas as vantagens dos seus produtos e nunca as desvantagens(pelo menos para a publicação). Portanto, não é na metodologia científica que está a falha, mas sim, antes de utilizá-la até. E é justamente aí que entra a política que pode comprometer os resultados de interesse social.
      Vou lhe dar um exemplo: suponhamos que a Bayer quer lançar um herbicida no mercado. Ela vai financiar um monte de testes comprovando sua eficácia no controle de plantas invasoras, sua praticidade e até a viabilidade econômica de sua utilização, mas nunca vai financiar uma pesquisa médica para comprovar seus malefícios à saúde de quem for atingido por esse produto, porque isso não interessa à empresa e se for cobrada por isso, vai fazer o possível para driblar às exigências. Enfim, o custo muitas vezes maior e toda a peleja que for necessária se alguém desconfiar que está sendo prejudicado ficará para o Estado e a sociedade.
      Entendeu? Ou quer que eu desenhe?
      Quanto a adoecer menos e viver mais, o Doutor sabe muito bem que isso não está ligado só à abundância de alimentos trazida pela Revolução Verde.
      E seja honesto, pelo menos com você mesmo e publique isso logo!
      Não vou publicar como anônimo porque não tem mais aqui essa opção, mas já que fui publicado assim, seria justo. E estou até com preguiça de fazer login.

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    3. Você já negou mais de uma vez a objetividade científica ao reproduzir discursos de tipo pós-modernista em seus comentários. Só que você se contradiz o tempo todo, visto que afirma basear-se em fatos objetivos quando isso convém aos seus interesses e, depois, nega a objetividade dos dados quando não tem o que objetar a argumentos baseados em estatísticas.

      Quanto a dizer que as empresas só têm interesse em financiar pesquisas que justifiquem a necessidade e qualidade dos seus produtos, você convenientemente se esquece de três coisas:

      a) como a economia capitalista se baseia na concorrência, grandes empresas que produzem bens com apelos de mercado distintos financiam pesquisas que mostram facetas diversas da realidade. Uma empresa que vende bolachas e sorvetes não tem interesse em financiar pesquisas que mostrem os malefícios do consumo de açúcar e a contribuição do consumo desses produtos para a frequência de casos de obesidade, mas empresas que fabricam produtos light e diet têm interesse em financiar pesquisas que mostrem os benefícios de consumir produtos sem açúcar e com baixas calorias.

      b) O Estado financia pesquisas acerca dos efeitos do uso de agrotóxicos sobre a saúde humana e fiscaliza a aplicação desses produtos químicos. E os pesquisadores da universidade gozam de liberdade de cátedra e de estabilidade no emprego justamente para poderem pesquisar o que bem quiserem. E há muitos exemplos de como a independência dos pesquisadores e o Estado Democrático e de Direito contrabalançam o poder e os interesses de grandes grupos econômicos. Um deles é o caso dos médicos norte-americanos que usaram a lei do direito à informação para tornar públicos os resultados de testes que provam a baixíssima eficácia dos remédios antidepressivos. Outro exemplo está no livro Superfreakonomics, que mostra como pesquisadores pagaram pesquisas que puseram em questão a eficácia das cadeirinhas na prevenção de acidentes envolvendo crianças.

      c) Uma grande empresa também pode lucrar vendendo insumos para a produção agroecológica. Artigo publicado na revista Desenvolvimento e Meio Ambiente, de 2002, dava conta de que a Bayer comercializava fertilizantes biológicos para uso em propriedades certificadas de produção de alimentos orgânicos.

      Em suma, seu argumento de que a ciência serve a grandes empresas interessadas em lucros e antagônicas ao "interesse social" não condiz com os fatos, nem com a lógica. E é também um argumento hipócrita, pois, como agricultor ecológico, você é um capitalista que deseja lucrar tanto quanto qualquer outro capitalista, grande ou pequeno.

      Continua na próxima resposta...

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    4. Conclusão da resposta.


      Já quando você escreve: “Quanto a adoecer menos e viver mais, o Doutor sabe muito bem que isso não está ligado só à abundância de alimentos trazida pela Revolução Verde”, tenho duas observações a fazer:

      a) Você então admite que a revolução verde teve o efeito de melhorar a saúde humana, o que contradiz as vezes em que você afirmou que esse paradigma tecnológico está “arrebentando” com a saúde de todo mundo. Como eu disse, você se contradiz o tempo todo.

      b) É óbvio que a revolução verde não é a única responsável pela elevação da qualidade de vida. Isso se deve também à melhoria das condições sanitárias, aos avanços da ciência médica e da farmacologia. Avanços esses que não teriam sido possíveis se gigantes industriais não investissem centenas de milhões de dólares em pesquisa. Portanto, as causas que existem além da revolução verde contradizem o que você escreve contra o capitalismo e confirmam o que eu escrevo.

      Posto isso, fica claro que, ao contrário do que você diz, suas “análises” da realidade nada têm de complexas e nem superam a noção de causa e efeito própria do pensamento que você chama de “reducionista”. Afinal de conta, todos os seus argumentos se resumem a repetir o chavão, que todo geógrafo rural usa, de que as grandes empresas do setor agroalimentar desejam obter lucros e que isso as coloca em posição contrária a um certo “interesse social” que os geógrafos rurais, de forma dogmática e arrogante, dizem que sabem qual é...

      Nesse sentido, o tempo que eu demoro para publicar comentários seus se deve ao fato de que eu tenho outras coisas para fazer e não recebo salário para ser blogueiro, além do que você não acrescenta nada ao debate. Tudo o que você escreve eu já tinha rebatido antes do seu primeiro comentário, conforme se pode ler no texto "Agricultura e Mercado no Brasil", na barra lateral deste blog.

      EM TEMPO: Não deixe de publicar minha resposta no seu blog e nas redes sociais.

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    5. kkkkkkkkkkkkkkkkk
      Quando percebi que havia enviado o comentário sem colocar aspas em "abundância de alimentos trazida pela Revolução Verde", vi que irias utilizar isto contra mim.
      E quanto ao reducionismo “cientico”? Vais continuar se fazendo de desentendido em relação ao meu posicionamento diante da questão da objetividade da ciência até quando?
      Vou escrever de novo sobre isso(provavelmente vai dar na mesma ladainha se chegar pelo menos a ler, mas, mesmo assim, vou escrever. rsrs):
      Não questiono os resultados gerados pela metodologia predominante nesse meio. O que qualquer um pode ver é que o pesquisador nunca vai deixar de ser mais importante do que a pesquisa, porque este é quem define o que vai pesquisar de acordo com seus interesses. É tão difícil entender isso? Mesmo depois de concordar que as empresas só financiam pesquisas de interesse mercadológico deixando qualquer responsabilidade socioambiental para o Estado?
      Mas, depois que admitiu que vê a geografia como uma ciência fragmentada, tudo ficou mais claro pra mim em relação ao seu modo de raciocinar. Afinal, se a ciência é fragmentada, a especialização é justificada por interesses também fragmentados e fica cada um no seu quadrado, como diz o dito popular. rsrs
      Só mais uma coisinha: se entendes a geografia como uma ciência fragmentada, tome cuidado com a concepção de que todos os geógrafos estão limitados à sua fragmentação!
      Chega a ser ridículo a sua colocação de dados brutos do IBGE para explicar a realidade dos campos sem ter um mínimo de noção da realidade ampla que nos cerca no cotidiano. E já vi que não adianta lhe aconselhar a procurar outros dados para complementar sua pesquisa, porque o doutor já se dá por satisfeito com o que tem. O campo é muito cansativo, não é, Doutor? E pra quê ir em busca de outros dados se os dados do IBGE são dados geográficos? kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    6. Mais uma vez, você deixou de responder aos argumentos e repetiu o que já tinha dito antes. No caso desse comentário, você repete o argumento de que as pesquisas cujos resultados contrariam o seu ponto de vista são falseadoras porque obedecem a interesses particulares dos pesquisadores. Então eu só preciso repetir que tal argumento é hipócrita, pois os agricultores agroecológicos também estão a defender interesses econômicos particulares quando citam Capra e clamam por uma visão "holística" da relação homem/natureza. A maior prova disso é quando você e seus colegas agroecológicos se põem a pleitear "ajuda" do governo...

      Além disso, é falso dizer que só as pesquisas que interessam aos grandes grupos econômicos são realizadas. O melhor exemplo disso é o cigarro: os gigantes industriais que produzem essa mercadoria nunca tiveram o menor interesse em financiar pesquisas que provassem os males que o cigarro trás para a saúde, mas isso não impediu que essas pesquisas fossem realizadas, que seus resultados fossem amplamente divulgados e que o Estado as utilizasse para justificar altas taxações e proibições de todo o tipo.

      E é um erro dizer que as pesquisas financiadas pelas empresas atendem a "interesses mercadológicos" como se isso nada tivesse a ver com o bem-estar das pessoas. O erro está na suposição, tipicamente esquerdista, de que o mercado é algo externo à sociedade, uma espécie de "ente" que nada tem a ver com as pessoas reais, seus interesses, necessidades e desejos. Na verdade, o mercado é apenas uma matriz social de trocas, de maneira que, quando uma grande empresa financia pesquisas de olho no mercado, tais pesquisas contribuem para que os produtos e serviços dessa empresas atendam melhor às necessidades das pessoas, o que é um benefício social gigantesco e inegável.

      Conclui na próxima resposta...

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    7. Conclusão da resposta

      Sobre a fragmentação da geografia, não sou eu quem vê essa ciência de tal forma: essa é a maneira como o conhecimento é efetivamente produzido na geografia. No livro FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS DA GEOGRAFIA eu resumi todas as tentativas de fazer da geografia uma ciência ao mesmo tempo física, humana, geral e regional, e mostrei como nenhuma delas foi bem-sucedida. Não me posicionei dentro desse debate porque esse é um livro didático, e livro didático não existe para ficar mostrando os posicionamentos do autor o tempo todo. Mas o fato é que as pesquisas em geografia são especializadas mesmo, e as tentativas recentes de reunir os ramos físico e humano da disciplina, por meio de citações de Capra e Morin, nada mais fazem do que reproduzir a velha visão romântica de natureza com nova roupagem, e sem apresentar qualquer epistemologia alternativa à da ciência newtoniana.

      Depois, você volta à hipocrisia do começo, pois diz que uma ciência fragmentada atende a "interesses também fragmentados". A afirmação é hipócrita porque a visão holística de natureza serve como marketing de propaganda dos produtos orgânicos, conforme se vê pelos outros comentários publicados aqui, os quais, mesmo sem base científica, procuram convencer as pessoas de que esses produtos são mais saudáveis e mais saborosos do que os convencionais.

      Depois, você diz: "Chega a ser ridículo a sua colocação de dados brutos do IBGE para explicar a realidade dos campos sem ter um mínimo de noção da realidade ampla que nos cerca no cotidiano". É o mesmo truque de retórica ao qual eu já respondi na mesa-redonda do ENGA que deu origem ao artigo AGRICULTURA E MERCADO NO BRASIL: desqualificar afirmações baseadas em dados empíricos fazendo referência a um conhecimento mais profundo que viria de estudos de campo e/ou de uma visão complexa dos fenômenos sem apresentar qualquer argumento metodológico ou empírico concreto para questionar os dados ou as interpretações que derivam deles.

      De fato, você faz várias afirmações que são contestadas frontalmente pelos dados do IBGE que eu cito. Por exemplo, você diz que a predominância da agricultura convencional implica problemas de abastecimento, o que é completamente falso, conforme as pesquisas que eu cito. Mesmo a população mais pobre do Brasil tem alimentação variada e saudável. Não adianta dar a entender que sua experiência de agricultor prova o contrário se você não apresenta nenhuma informação concreta para justificar seu ponto de vista.

      Ademais, ridículo é supor que um pequeno produtor consegue enxergar o que centenas de milhões de pessoas do Brasil inteiro estão comendo só por passar os dias nas lides do campo dentro de sua propriedade particular...

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  6. Mais uma vez viu que tinha que responder, não é, Doutor?!
    Embora, ainda não entendeu(ou não deu importância para) o fato de que quando publicou o meu primeiro comentário criou um link meu dentro do seu blog me dando a oportunidade de publicar os comentários que faço antes que eles sejam interpretados/distorcidos pelo Doutor. rsrs ...vou fazer de conta também que não há alguns que nunca foram publicados nesse blog e que respondem exatamente o que está me questionando, ainda.
    Em relação à linkagem, é claro que já dei uma navegada na web pra ver seu histórico, quem lhe cita e quem lhe ignora completamente. hehehe ...constatei que, além das citações acadêmicas, das propagandas de seus livros(normal) e suas participações em sites como o do Instituto Milênio, há também tipos como Reinaldo Azevedo que se apoiam em suas declarações para, como vocês escancaram, “combater à ação ideológica da esquerda”. Hahaha ...se utilizam da velha estratégia do apolítico, da militância que se insere com sucesso como o despolitizado. aff
    Assim fica fácil! É só ligar à “esquerda”, aos “PeTralhas” maquinando para desqualificar qualquer ideia que discorde de suas convicções, classificando-as como ideologias utópicas, sem coerência, contraditórias e, por fim inúteis, porque não está dentro do padrão “científico” dos senhores.
    Quanto aos dados estatísticos, será que eu tenho que desenhar para que o Doutor entenda que não desprezo os dados do IBGE, mas com o bom senso que tem qualquer indivíduo que não se convence só pela brutalidade dos números, entendo que é preciso muito mais do que esse tipo de citação para descrever a realidade?
    É impossível para o Dr perceber que não há incoerência na inconformação com o reducionismo positivista que nos conduz à fragmentação do conhecimento?
    Ora! Dizer que o aumento da produção fez com que se tivesse mais disponibilidade de alimentos é uma coisa, mas insinuar que essa disponibilidade solucionou ou pode solucionar todo o problema da fome ou da desnutrição é no mínimo falta de bom senso! A questão é muito mais abrangente! Não é só produzir uma meia dúzia de itens de forma avassaladora dando margens para aumentar o desperdício e o custo com logística por causa da centralização das unidades de monocultivos.
    Mais importante do que a quantidade está a qualidade e a diversificação, as quais se consegue pela disseminação de variedades de cultivos. Será que é tão difícil enxergar?

    http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/medicina-e-saude/da-desnutricao-a-obesidade/?searchterm=Da%20desnutri%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20obesidade

    http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/medicina-e-saude/da-desnutricao-a-obesidade/?searchterm=Da desnutrição à obesidade

    http://imirante.globo.com/sao-luis/noticias/2014/02/14/consumo-de-alimentos-frescos-reduz-riscos-de-obesidade.shtml

    Lembrete: Esse comentário já foi publicado. Se optar por não publicá-lo, talvez tire vantagem, pois assim, será um link meu a menos no seu blog. rsrs

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    1. REPETIÇÃO INÚTIL

      Eu sei que você pode comentar o que quiser no seu blog antes de eu responder aqui. Só que eu não me incomodo com isso e nem posso perder muito tempo respondendo ideias às quais eu já respondi.

      De fato, tudo o que você escreve é repetição de argumentos que já foram usados contra as minhas ideias no XIX ENGA. Basta ler o artigo AGRICULTURA E MERCADO NO BRASIL, cujo link está na barra lateral deste blog.

      CONTRADIÇÃO E DEMAGOGIA

      E você continua se contradizendo, sim. Se você aceita as estatísticas do IBGE, então aceita que, conforme a POF, a alimentação dos mais pobres, em todas as regiões e nos espaços urbano e rural, é variada e saudável. Isso foi conseguido graças à modernização da agricultura, isto é, do uso de máquinas e produtos químicos.

      Portanto, suas críticas ao uso de indicadores é incoerente. Você diz que não é louco de negar as conclusões a que esses indicadores conduzem, mas nega essas mesmas conclusões com base numa "visão mais abrangente" que é, na verdade, simplista. De fato, você tenta negar os fatos com a ideia de que os grandes produtores conspiram contra o interesse público, o que nada tem a ver com complexidade de pensamento. Ora, os indicadores mostram que, se você fosse coerente, concluiria que esses grandes produtores deram uma grande contribuição à sociedade ao ampliar a produtividade agrícola, o que nega a sua teoria conspiratória.

      Daí que suas críticas à agricultura convencional são, além de tudo, demagógicas. Afinal, os modelos agroecológicos, por operarem com baixa produtividade, não poderiam ter produzido esses mesmos resultados se tivessem predominado na produção agrícola.

      MENTIRA

      Depois, você mente ao dizer que eu faço discurso politizado disfarçado de apolítico. O uso de indicadores e de informações como a do texto acima serve justamente para dar maior objetividade às análises. Dizer que a agricultura convencional acabou com a fome não é seguir uma ideologia, mas constatar um fato.

      Por fim, quando eu acuso certas afirmações de serem ideologias incoerentes, vazias, descoladas da realidade, faço com o uso de argumentos lógicos e indicadores estatísticos. Basta ler os textos deste blog referenciados pelos marcadores Doutrinação e Reforma Agrária, entre outros, para constatar isso.

      IGNORÂNCIA

      Depois você diz que o fato de a fome ter acabado não significa que todos os problemas de desnutrição foram resolvidos, pois o que estaria havendo seria apenas a produção de "meia dúzia de itens" em larga escala. Todavia, os dados da POF sobre disponibilidade de alimentos nos domicílios mostra que a alimentação do brasileiro, inclusive os de renda mais baixa, é variada e saudável!

      Se você não nega a validade dos indicadores, deveria ao menos conhecê-los.

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  7. Como disse Lobão: DISCUTIR COM PETISTA É COMO JOGAR XADREZ COM POMBO.ELE VAI DERRUBAR AS PEÇAS,CAGAR NO TABULEIRO E SAIR DE PEITO ESTUFADO CANTANDO VITÓRIA.

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