sábado, 4 de fevereiro de 2012

Mais umas coisas sobre Raquel Rolnik e outros maus perdedores do planejamento

Quando eu disse que Rolnik é um desses maus perdedores do planejamento urbano (ver aqui), faltou dar um exemplo de como ela reproduz o pensamento dogmático dos geógrafos urbanos e urbanistas inspirados pelo marxismo. Há uns bons anos, eu assisti a uma palestra dessa senhora em que ela afirmava que os problemas urbanos geralmente atribuídos à “falta de planejamento” eram, na verdade, resultados da aplicação de um determinado tipo de planejamento ligado aos interesses dominantes...

É como eu já afirmei: quando gente como ela não está no poder, tudo o que acontece é fruto de um plano deliberado das elites para ganhar dinheiro às custas dos mais pobres; mas, quando os marxistas chegam ao poder, suas teses radicais nunca viram realidade e a população não sente a menor falta disso. Aí, o único jeito é eles atribuírem a culpa de seus fracassos teóricos e práticos ao controle que as classes dominantes exerceriam sobre a mídia e o Estado, como mostrei no post em que comento um artigo de Silvana Pintaudi.

E pensam que Pintaudi e Rolnik são as únicas pessoas que argumentam desse jeito? Nada disso! É só ler alguns trabalhos de Ana F. A. Carlos, Arlete M. Rodrigues, Rainer Randolph e Marcelo L. de Souza para constatar que o recurso a teorias conspiratórias maniqueistas é o principal subterfúgio usado para justificar o fato de que as teorias urbanas anticapitalistas nunca vingam.

Esse modo de pensar explica também a razão de esses autores terem uma visão política visceralmente autoritária, manifesta em suas desqualificações da democracia representativa e na defesa de uma democracia participativa na qual organizações afinadas com o pensamento deles teriam poder para influir nas políticas públicas. Usemos de novo o exemplo de Rolnik, conforme relata Reinaldo Azevedo ao comentar a atuação dela no “caso Pinheirinho”:
Há mais coisas sobre a atuação de Rolnik que eventualmente ficam para o futuro. Ela foi, por exemplo, diretora de uma ONG chamada Instituto Pólis, que lida com questões urbanas, entre 1997 e 2002. Entre 2003 e 2007, foi secretária nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades, e o Pólis passou a ser um dos mais pressurosos prestadores de serviço — como ONG, claro! — do Ministério das Cidades, trabalhando justamente com Rolnik. Tudo deve ter sido de uma honestidade franciscana, eu sei. Mas eram trabalhos remunerados, e o procedimento é — como ficaria claro depois, quando a prática se generalizou, e o governo foi fatiado em ONGs —, como direi?, heterodoxo.
Portanto, mesmo quando a suposta democracia participativa que os radicais defendem não está em vigor, eles sempre dão um jeito de conferir o máximo de poder para as organizações políticas que lhes são próximas. E, como sugere Reinaldo Azevedo, esse procedimento pode levantar questionamentos éticos quando envolve remuneração. Ah, esses maus perdedores...

2 comentários:

  1. Então Diniz, isto não seria o tal "aparelhamento do estado" do qual eles são tão críticos em acusar? Se o estado é um tubarão a serviço das "classes dominantes", o que são estas ONGs da companheirada, senão rêmoras que navegam junto?

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  2. Você foi direto ao ponto: aparelhamento ideológico de Estado, algo em que o PT é mestre e campeão. As propostas de democracia representativa são apenas estratégias para submeter as políticas públicas ao poder de ONGs, sindicatos e outras organizações ideologicamente próximas desses intelectuais que pregam teses radicais. O resultado disso é que o socialismo nunca chega e o capitalismo ganha mais elementos de cartorialismo e ineficiência, enquanto a democracia vai perdendo qualidade e transparência (inclusive quanto ao gasto de dinheiro público).

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