sábado, 15 de fevereiro de 2014

Black Bloc prova o fracasso da escola brasileira

Escola Sem Partido
No livro Por uma crítica da geografia crítica (Editora da UEPG, 2013), eu apresento os resultados de uma pesquisa realizada com alunos do último ano do ensino médio, os quais responderam a um questionário com perguntas sobre geografia geral. A qualidade das redações dos alunos era baixíssima, pois revelava uma série de erros de ortografia e gramática, desconhecimento do significado de palavras bastante comuns (como "dependente" e "independente"), além de uma gigantesca dificuldade para expor ideias com clareza. Por outro lado, era nítido que as respostas dos alunos eram informadas pelas teorias e ideologias de esquerda veiculadas pelos livros didáticos, como os de José W. Vesentini. Daí a conclusão: a escola brasileira vem sendo capaz de formar consensos ideológicos de esquerda entre os alunos, mas fracassa completamente na sua principal função, que é a de desenvolver competências.

Só para exemplificar, aqui estão duas respostas que procuravam justificar a ideia de que os países subdesenvolvidos são explorados:

Verdadeiro porque os países do primeiro mundo explorão países subdesenvolvidos os países do 3º mundo.
Porque nos países do 3º Mundo, não há com o que combater o acédio e a exploração dos países de 1º mundo
Recentemente, a consequência mais nefasta da doutrinação ideológica se mostrou na explosão de violência desencadeada com as passeatas do Movimento Passe Livre e, depois, com as ações de grupos como MST, MUBC e Black Bloc. O elogio da violência insurrecional, próprio das ideologias esquerdistas ensinadas na escola, revelou-se por inteiro nas práticas adotadas pelo sindicato dos professores do Rio de Janeiro, que se aliou a Black Blocs e partiu para a brutalidade na tentativa de forçar a prefeitura desse município a rever seu plano de cargos e salários. 

Mas talvez o maior símbolo dessa mistura de doutrinação ideológica, elogio da violência e incapacidade de desenvolver habilidades básicas que impera na educação brasileira seja um pequeno texto escrito por Caio Souza Silva, o Dik, que levou a uma manifestação de rua o rojão cujo disparo matou o cinegrafista Santiago Andrade, a primeira vítima fatal das badernas promovidas recentemente por nossos ativistas de esquerda. Vejamos o que Caio Silva escreveu:
O processo do Brasil depende da socialização do povo. Optei por um país melhor, as nossas consequências de decidir a revolução do nosso país vêm dos revolucionários, a opinião não é agradável a todos (ver aqui).
Tal qual os alunos que responderam àquele questionário de pesquisa, vemos aí um texto que, embora truncado, reflete com nitidez a influência das teorias e ideologias socialistas ensinadas em nossas escolas. Sinal claro de que o problema da doutrinação ideológica é muito mais grave do que pode parecer à primeira vista.

Postagens relacionadas

8 comentários:

  1. Nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, vejo a seguinte situação:

    - alunos completamente ignorantes sobre boa parte das matérias escolares e quase sem cultura geral (falta de leitura cobra seu preço...). Estes são quase indoutrináveis;

    - alunos um pouco mais instruídos e espertos, que tendem a adotar a ignorância revolucionária, arrogante e propositiva. Estes conseguem ser doutrinados e agir como se fossem portadores de uma nova verdade...ainda que não saibam escrever um parágrafo com início, meio e fim.

    ResponderExcluir
  2. O Brasil diminuiu a desigualdade nos últimos anos e milhões de pessoas deixaram a pobreza. Porém, o país ainda está entre os vinte mais desiguais do mundo. Para avançar, uma das mudanças urgentes é a reforma tributária. É o que diz Márcio Pochmann, um dos principais economistas do país. “Aqui, são os ricos que reclamam dos impostos, mas quem paga mais são os pobres”, afirmou em entrevista. Segundo ele, há uma grande resistência dos mais ricos em mudar essa estrutura. “Um exemplo foi a tentativa de mudar a cobrança do IPTU em São Paulo”, diz.

    Saudações Petistas, caro Luiz!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Demorei para responder devido à existência de outros assuntos importantes para tratar aqui, da falta de tempo e também pelo fato de que as patifarias retóricas que o sr. Pochmann usa nessa entrevista não poderiam ser adequadamente desmontadas sem uma argumentação mais longa e a apresentação de dados estatísticos.

      Sendo assim, publiquei a resposta no post "Márcio Pochmann tapeia até quando diz uma verdade. Ou: reformas já!", acessível no link abaixo:

      http://tomatadas.blogspot.com/2014/08/marcio-pochmann-tapeia-ate-quando-diz.html

      Excluir
  3. Texto descontextualizado. Os black blocks surgiram na Europa, nos anos 1970, salvo engano. Se difundiram pela internet, fruto da tão maravilhosa globalização. Não tem nada a ver com ensino ser de esquerda ou direita. Texto muito ruim, sem base empírica alguma. Totalmente enviesado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você parece ter os mesmos problemas de leitura que os alunos pesquisados, pois não entendeu a seguinte passagem do texto: "Recentemente, a consequência mais nefasta da doutrinação ideológica se mostrou na explosão de violência desencadeada com as passeatas do Movimento Passe Livre e, depois, com as ações de grupos como MST, MUBC e Black Bloc".

      Portanto, eu não atribuí a origem dos grupos de tipo Black Boc à doutrinação ideológica nas escolas brasileiras. Apenas deixei claro que, com base na pesquisa que coordenei e nas evidências apresentadas nos posts indicados ao final do texto, a doutrinação ideológica praticada em nossas escolas legitima e estimula a violência insurrecional. O que as nossas escolas ensinam sobre o MST, que eu também citei, é a maior prova disso. Consulte os textos referenciados pelos marcadores Reforma Agrária e Doutrinação.

      Excluir
    2. Olá. Gostaria de mais alguns dados sobre essa sua pesquisa. Quem financiou? Quanto tempo durou? Onde posso consultar estes resultados? Qual a realidade das escolas onde esta amostra foi colhida? Quais foram as diretrizes de escolha dos alunos que responderam aos questionamentos? Desde já, obrigado pela resposta.

      Excluir
    3. Os resultados da pesquisa constam do capítulo três do meu último livro: DINIZ FILHO, L. L. Por uma crítica da geografia crítica. Ponta Grossa: Editora da UEPG, 2013. Ver "Dica de Livro 2", no alto desta página.

      A pesquisa foi feita mediante aplicação de questionário junto a 121 alunos do último ano do ensino médio de Curitiba, sendo dois colégios públicos e um particular.

      Excluir
  4. Vejo algo meio ambíguo: os alunos indoutrináveis por pura e simples ignorância (não sabem do básico para absorver novas idéias, e nem se interessam em fazê-lo), e os alunos um pouco melhores, mas arrogantemente revolucionários.

    ResponderExcluir

Seu comentário foi enviado e está aguardando moderação.