quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Um Bill Gates é melhor do que um Milton Santos

"Todo poder humano é uma mistura de paciência e de tempo. As criaturas poderosas querem – e velam [...]. Daí vem, talvez, a prodigiosa curiosidade que despertam os avarentos habilmente postos em cena. Cada indivíduo está ligado por um fio àquelas personagens que ofendem a todos os sentimentos humanos, resumindo-os todos. Onde está o homem sem desejo, e que desejo social se resolverá sem dinheiro?".
Honoré de Balzac, Eugene Grandet.

Milton Santos era daqueles intelectuais esquerdistas que manifestavam desprezo pelo consumismo, pela burguesia, pelas pessoas que batalham visando só pagar as contas ou acumular dinheiro, além de basear seus trabalhos acadêmicos no pressuposto de que competitividade e solidariedade são opostos. Durante uma aula que tive com ele na pós-graduação, a turma foi brindada com o seguinte comentário do professor: "o intelectual não precisa de dinheiro" (breve pausa expressiva) "porque o intelectual tem prestígio!". 


Francamente, aquela foi a frase mais mesquinha que já ouvi em toda a minha vida! Afinal, essa fala revelou que o leitmotiv do árduo trabalho intelectual de Milton Santos, do esforço que ele empreendeu para publicar cerca de cinquenta livros enquanto estava vivo, foi o desejo de conquistar o maior prestígio acadêmico possível. E não há dúvida de que ele foi bem-sucedido nisso. "Quem procura acha", diz o ditado.

Aquela manifestação de desprezo pelo dinheiro estava em perfeita coerência com os valores que estruturam as reflexões teóricas e a visão de natureza humana própria de socialistas como Milton Santos, Maria da Conceição Tavares, Marilena Chaui, além de tantos outros. E, ao mesmo tempo, revelava a profunda hipocrisia da crítica pretensamente humanista que os teóricos do socialismo lançam contra a economia de mercado. Pois a grande verdade é que as pessoas que dizem desprezar o dinheiro e que renegam o egoísmo daqueles que batalham para enriquecer costumam apenas substituir o esforço para ganhar dinheiro, que é um meio para a realização de qualquer desejo social, pelo esforço para realizar desejos sociais ligados à satisfação da própria vaidade mediante o reconhecimento dos pares e do público em geral.

Não é à toa que Milton Santos se sentia orgulhoso dos muitos títulos de doutor honoris causa que recebeu - ele teve sorte de não ter vivido para ver esse título ser rebaixado a peça de propaganda partidária pelas universidades que o concederam a Lula.

E, ainda por cima, esses intelectuais se enxergam e se apresentam como pessoas que, por defenderem ideologias supostamente a serviço do bem comum e de nobres ideais, merecem ser sustentadas pela sociedade. É bem esse o caso dos nossos acadêmicos, que fazem parte da elite salarial do Brasil, têm estabilidade no emprego e liberdade de cátedra.  

Comparando-se um Milton Santos com um Bill Gates, prefiro mil vezes o segundo tipo de pessoa. Quem trabalha para ficar rico deseja a segurança, a liberdade, o conforto e os prazeres que o dinheiro indiscutivelmente traz. Trabalha também para obter reconhecimento por seu esforço, competência, capacidade de inovação, e por qualquer outro talento que se atribua como imprescindível para o sucesso. E, se acaso o empreendedor bem-sucedido quiser sentir a satisfação de se ver como uma pessoa "do bem", capaz de fazer coisas que contam para melhorar o mundo, ou se quiser garantir um lugar no paraíso, ou ainda, se quiser aplacar um sentimento de culpa por ter tanto dinheiro num mundo com tanta gente pobre, basta ele fazer caridade com parte de sua fortuna.

Bill Gates não precisaria fazer caridade, pois o maior benefício social que uma empresa privada acarreta é gerar lucros. Mas talvez ele não concorde com essa ideia, ou ache esse benefício insuficiente, visto que já doou bem mais de US$ 17 bilhões de dólares a pesquisas científicas, especialmente na área da saúde, entre outros tipos de doações filantrópicas. Mas saber quais são suas motivações só tem importância para ele próprio, pois os benefícios para os outros são indiscutíveis. Já o prestígio acadêmico acumulado por Milton Santos beneficiou a quem, além dele mesmo? Prestígio não é mercadoria, logo, é intransferível. Só dá prazer a quem o possui.

Mas os intelectuais socialistas fazem bem à humanidade quando criticam o capitalismo e defendem a realização de alguma utopia social? Avaliação altamente discutível, para dizer o mínimo, sobretudo quando se trata de funcionários públicos que, como Milton Santos, Emir Sader, Armen Mamigonian, Paulo Freire, e tantos outros, justificam ditaduras assassinas ou até ações terroristas. Mas, ainda que as ideias que esses autores defendem sejam vistas como justas em si mesmas, não há como negar: eles são bem pagos para defender as ideias que quiserem, e têm um padrão de vida muito melhor do que o da maioria da população por conta disso. E não vou nem estimar as enormes quantias de dinheiro que os autores "críticos" ganham quando publicam livros didáticos com conteúdo anticapitalista, os quais são distribuídos a milhões de alunos de nossas escolas públicas, a exemplo de José W. Vesentini e de Marilena Chaui.

Encerro fazendo minhas as palavras de Luiz Felipe Pondé, num texto cujo título chama todos os homens pelo nome: Patético.
Uma forma fácil de você fingir que é legal é passar por alguém "superior" ao dinheiro. Eu, que sou um miserável mortal, confesso: adoro dinheiro. E confio mais em quem confessa que faria (quase tudo) por dinheiro. Desconfio de quem diz não dar valor ao dinheiro. Normalmente se trata de uma falsa santidade.
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23 comentários:

  1. Na verdade eu diria que um Bill Gates é melhor que 17 bilhões de Milton Santos. Agora em relação ao prestígio, tem muita gente que ainda hoje se beneficia do prestígio conferido por Milton Santos, posando de discípulo do velho mestre, defendendo suas idéias anacrônicas como pós-modernas e utilizando suas teorias mofadas para garantir carguinhos de prestígio nas universidade brasileiras. Neste sentido, ele empresta seu prestígio a vários parasitas sem talento que proliferam nas cátedras das ciências sociais.

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    1. Você tem razão. A prática de passar o bastão para o discípulo mais fiel e dedicado torna possível transferir parte do prestígio acadêmico para outro - que nunca será tão admirado quanto o mestre, mas, ainda assim, terá um lugar ao sol. E os intelectuais vaidosos adoram a ideia de que deixarão muitos discípulos, pois sabem que estes divulgam suas ideias e vão reforçar a lembrança dele na posteridade. Ao contrário do dinheiro, que é subtraído do patrimônio de quem o doa para ajudar os outros, o prestígio se acumula até quando é transferido...

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  2. Não há como negar que Bill Gates é um gênio. Mas essa "filantropia" é falsa!
    Eu vi a biografia dele e, quando decidiu se aposentar e fazer caridade foi justamente para limpar o seu nome que estava sujo devido àquele golpe na Netscape, no fim dos anos 90.

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    1. Ao contrário do que você pensa, a genialidade de Bill Gates é discutível, sim, embora seja incontestável que ele é um homem de negócios de muitas qualidades. Conforme o livro "O Andar do Bêbado", de Leonard Mlodinow, talvez a grande diferença entre Bill Gates e milhares de outros empresários que começaram a atuar no setor de alta tecnologia na mesma época que ele tenha sido o acaso, simplesmente. Ele era competente, esforçado... e também sortudo.

      Mas isso não desmerece o trabalho que ele fez e nem dá força a esse tipo de discurso difamatório que você usa, conforme a resposta que eu publiquei sobre outro comentário a este post. Mlodinow em nenhum momento faz coro a esse tipo de acusação quando resume a biografia de Bill Gates de maneira a mostrar que ele talvez não seja tão extraordinário como parece.

      Agora, o seu comentário de que a filantropia de Gates é falsa serve só para confirmar, mais uma vez, que você tem deficiências sérias de leitura. Afinal, eu expliquei bem direitinho aí em cima que saber as motivações dele para fazer doações de muitos bilhões de dólares só interessa para ele mesmo, pois os benefícios desses recursos para os outros são indiscutíveis.

      É por isso que competição no mercado, direito de propriedade e desigualdade de renda têm um papel social positivo: são estímulos para que os indivíduos deem o máximo de si mesmos na busca da própria felicidade e, assim fazendo, acabem por trabalhar para atender às necessidades dos outros. Quando os indivíduos agem assim, não importa se é por puro egoísmo, por altruísmo ou (o que é mais provável) por uma combinação das duas coisas: o coletivo sai ganhando.

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  3. E assim veio destilar mais uma vez o seu veneno contra o Professor Milton Santos. Não é, Doutor?!
    Pelo menos ficou bem claro que o doutor reconhece a importância desse grande geógrafo para o mundo, uma vez que escolheu para fazer sua comparação, nada mais nada menos do que um dos maiores ícones capitalistas da atualidade. A comparação com o grande mercenário Bill Gattes, um dos mais bem sucedidos dos últimos tempos com o Professor é reconhecer que ele tem uma grande importância, pois o doutor queira ou não, ele é um dos maiores intelectuais do século XX, referenciado aqui pelo doutor como parasita vaidoso por se dedicar a produzir obras que alertam sobre as grandes trapaças desses mercenários. Ou será que o doutor considera todos os intelectuais acadêmicos como parasitas? Até mesmo os que se dedicam a pregar a peça de que o liberalismo do mercado é na verdade muito justo? rsrs
    Gostaria que o doutor soubesse, mesmo que isso lhe contrarie muito, de que Bill Gates não contribuiu com o desenvolvimento das tecnologias como acreditam principalmente aqueles que não tem a menor noção do que é a produção de softwares e se limita a utilizar o rWindows virulento e inseguro como se fosse a única opção de OS existente.
    O fato é que o criador da propriedade intelectual em torno do desenvolvimento de softwares cumpriu muito bem o seu papel de velhaco, esperto e visionário do mundo dos negócios ao modelo do vale tudo para sobressair passando por cima de tudo que possa lhe atrapalhar. Isso fica bem claro no documentário “A guerra dos navegadores” onde Bill Gates persegue um concorrente até levá-lo à ruína, simplesmente por ele se recusar a vender sua ideia para o mercenário insaciável. Podemos assistir ao documentário aqui http://www.youtube.com/watch?v=0nz-lcuv3TM . Se observar bem, pode ver que o mercenário se utilizou da estratégia da proteção da propriedade intelectual para passar por cima de muitos criadores como um trator, limitando a criação de softwares de acordo com o seu monopólio onde aqueles que não se submetiam ao seu jogo eram sufocados pelas sua estratégia. Sendo assim, ele contribuiu muito mais para conter os trabalhos intelectuais do que para promovê-los e todos os estudiosos de desenvolvimento de sistemas aprendem isso quando vão estudar o que são software livres e software proprietários.
    O doutor soube escolher muito bem a maior figura paradigmática oponente aos intelectuais que dedicam a vida inteira a desmascarar um modelo que a cada dia encaminha o mundo ao caos pela concentração de riquezas e produção da miséria e violência. Esses "parasitas" os quais desmascaram as mentes doentias promotoras da eugenia social na versão seletiva dos sorteados pelo sucesso ou pelo fracasso frente aos desígnios do capital. Ver http://www.naturalnews.com/035105_Bill_Gates_Monsanto_eugenics.html#

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    1. Se você soubesse ler, perceberia que a comparação que eu fiz entre os dois não implica atribuir qualquer importância social ou intelectual ao trabalho Milton Santos. O sentido da comparação está em mostrar que Bill Gates, embora seja o representante máximo daqueles tipos sociais a quem Milton Santos desprezava, deu grandes contribuições à sociedade, tanto por seu trabalho empresarial quanto por suas atividades filantrópicas, ao passo que Milton Santos, que fazia pose de generoso e de preocupado com os destinos do Homem, era apenas alguém que trabalhava para acumular prestígio, o que é uma forma de egoísmo pior do que qualquer outra, uma vez que o prestígio é intransferível.

      Outro erro elementar de leitura é achar que eu teria dito que os intelectuais são parasitas. O que eu afirmei foi que os intelectuais que dizem desprezar o dinheiro gostam muito de prestígio e recebem ótimos salários para defender as ideias que quiserem defender – especialmente quando vendem livros didáticos anticapitalistas. Trata-se, pois, de uma “falsa santidade”, como diz Pondé.

      E as críticas que eu fiz a Milton Santos no livro POR UMA CRÍTICA DA GEOGRAFIA CRÍTICA, bem como neste blog (ver o Marcador Milton Santos) mostram a enorme pobreza do trabalho intelectual dele. O reconhecimento que ele alcançou na academia em nada invalida essas críticas que eu faço.

      As críticas que você faz a Bill Gates na sequência não têm cabimento. Primeiro, o fato é que, por ter acumulado dezenas de bilhões de dólares em patrimônio, ele foi capaz de doar muitos bilhões a pesquisas científicas na área da saúde, entre outras atividades filantrópicas. Esse benefício social independe de quais foram as motivações dele – conforme escrevi acima – e da forma como ele alcançou esse patrimônio. Segundo, o caso Netscape foi julgado pela justiça americana, e Bill Gates, embora tenha chegado a ser condenado em primeira instância (se não me falha a memória) acabou saindo vitorioso. Havia muitas evidências e argumentos para provar que ele era inocente da acusação de que teria usado práticas desleais para impor vendas casadas ou estabelecer monopólios, portanto. Terceiro, ele tinha razão ao afirmar que, quando se trata de alta tecnologia, é impossível haver monopólio. Nos últimos anos, navegadores como Mozilla e Google Chrome tiraram boa parte do mercado que um dia foi do Explorer. E o próprio Explorer melhorou de qualidade ao tentar emular com esses navegadores concorrentes – eu mesmo prefiro o Google Chrome e o uso muito mais do que o Explorer.

      Economia de mercado é assim: quem trabalha duro para ficar rico beneficia a todos ao beneficiar a si mesmo. Por isso, o socialismo fracassou e o capitalismo avançou. Mas Milton Santos ganhava bem e recebeu muitas homenagens por defender o primeiro e atacar o segundo...

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    2. Outra coisa: é falso dizer que o capitalismo encaminha o mundo para o caos e está gerando concentração de riqueza, miséria e violência. Ver a respeito: DINIZ FILHO, L. L. Por uma crítica da geografia crítica. Ponta Grossa: Editora da UEPG, 2013.

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  4. Ótimo post. É uma verdade incômoda. Estou lendo um livro do Thomas Sowell intitulado "os intelectuais e a Sociedade". Neste livro ele cita a arrogância dos intelectuais com os empresários e outras classes consideradas menos "ungidas" que as deles. E quando os intelectuais erram, eles dificilmente assumem responsabilidade. Acredito que deveria ser leitura importante nas nossas universidades e um antídoto contra o virtuosismo retórico dos nossos "intelectuais".

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    1. É a pura verdade. Não li esse livro do Sowell, mas tratei das motivações que levam tantos intelectuais a se deixarem seduzir pelas visões marxistas e pós-modernistas sobre as relações entre ciência, ética e política no post "Nossos intelectuais não pedem demissão!", disponível aqui:

      http://tomatadas.blogspot.com/2012/02/nossos-intelectuais-nao-pedem-demissao.html

      É a visão salvacionista que os intelectuais têm das funções de seu próprio trabalho que os leva a ter também um menosprezo pelas pessoas que trabalham duro visando apenas pagar as contas - uma vida que eles julgam "alienada" - e um verdadeiro desprezo pelos empresários, a quem julgam exploradores. Milton Santos e Maria da Conceição Tavares são dois ótimos exemplos brasileiros dessas concepções.

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  5. Não vou mais ficar aqui brigando como criança afirmando mil vezes e mil vezes sendo negado. Afinal, tenho mais o que fazer e não quero dar "trabalho sem remuneração" para o Doutor, como já se queixastes em comentários anteriores. rsrs Aliás, percebo que tenho lhe dado muito trabalho, pois, alguns comentários do ano passado ainda não foram publicados. Negar também dá trabalho, né?
    Que cada leitor que ler aqui, tire suas próprias conclusões de acordo com sua capacidade crítica.

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    1. Schopenhauer, no livro "Como Vencer um Debate sem Precisar ter Razão", já avisava que os argumentos errados são fáceis de ser entendidos pelo público, enquanto a correção desses erros demandam explicações mais longas e de entendimento nem sempre tão fácil. A plateia se excita quando houve as bobagens e dorme enquanto a correção é feita pelo interlocutor.

      Nesse sentido, você dá tanto trabalho quanto qualquer outro repetidor de ideias que, embora contraditórias, dogmáticas e descoladas dos fatos, já foram banalizadas pela geocrítica há décadas.

      Prova disso é que tudo o que você escreveu até agora eu já tinha desmontado antes, num texto de aproximadamente 30 páginas, e intitulado "Agricultura e Mercado no Brasil" (ver a barra lateral deste blog).

      E é justamente por isso que, à medida em que eu fui repetindo os argumentos e dados estatísticos que consultei para escrever esse texto, você foi deixando de dar resposta ao que eu escrevo. O mesmo vale para o post acima: eu corrigi os seus erros de interpretação de texto e citei fatos que contestam as fontes que você citou. E você parou de responder.

      Mas, apesar de eu não ganhar dinheiro para corrigir você, isso não significa que eu não quero que você faça comentários. Pode fazer, sim! Afinal, você deve ser o leitor mais assíduo deste blog e, com certeza, o comentador que já fez mais intervenções, rsrsrs.

      Pode comentar à vontade. Só não me apresse a dar resposta, pois eu não ganho dinheiro para ficar repetindo o que está escrito no texto citado.

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    2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  6. Bom dia, Doutor!

    Escrevi um texto sobre minha participação nesse blog e acabo de publicar em http://fabioborgesgeo.blogspot.com.br/
    Já publiquei lá um dos comentários que fiz aqui e não foi publicado pelo doutor e pretendo publicar os outros com os links para suas postagens. rsrs
    Sinta-se à vontade para escrever o que quiser lá. Não pretendo apagar nenhum comentário. Pelo contrário, o que vier será bem vindo e só poderá enriquecer a discussão. Como já vi em outros blogs, se alguém escrever algo absurdo ou sem sentido, provavelmente será ignorado pelo administrador e talvez pelos leitores, mas não deixará de ser publicado.

    Até mais...

    Tô indo pro campo, porque a vida aqui é dura de verdade.

    abçs

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    1. Para que eu vou me dar ao trabalho de responder seus comentários lá se eu posso fazer isso aqui? Não posso gastar tempo demais com blogs, afinal, pois não sou remunerado para ser blogueiro.

      Eu continuo a responder seus comentários e, se você for honesto, vai publicar minhas respostas lá. Para não ter perigo de você esquecer alguma delas, estou acrescentando OBS ao final dos comentários para lembrar você disso.

      Seu outro comentário aqui eu apaguei porque só depois de publicar eu vi que havia nele uma referência a um link e, como eu não ia ter tempo de verificar naquela hora a que matéria se referia, achei melhor apagar. Mas não se preocupe. Eu tenho cópia do seu comentário no e-mail e, se o link estiver OK, eu publico o comentário como post, juntamente com minha resposta.

      Quanto a dizer que não faz mal publicar comentários absurdos, isso depende do tema e área de discussão. As ideias predominantes na geografia são absurdas, dogmáticas e desqualificam aprioristicamente qualquer contestação, sendo esse o resultado mais evidente da hegemonia da geocrítica nessa ciência. Foi isso o que demonstrei em "Por uma Crítica da Geografia Crítica" (Editora da UEPG, 2013). Daí que um comentário baseado em propaganda petralha será aceito como verdade pela maioria dos geógrafos na medida em que reverberar ideias que são hegemônicas nessa comunidade profissional. Sendo assim, é preciso ter responsabilidade ao avaliar se um comentário merece ser publicado ou não.

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  7. Hehehe
    Eu sabia que ia terminar assumindo que seleciona os comentários...

    O certo é que nem deveria me dar ao trabalho de escrever mais esse comentário, mas como sempre sou provocado a escrevê-lo e acabo escrevendo.
    Para não opinar de forma alguma, o certo seria não “perder tempo com blogs” como esses, assim como o doutor mesmo acabou de escrever, mas a verdade nunca vai se calar diante de "absurdos". Afinal, alguns desses nos dão muito prazer pelo quanto são ridículos, chegando a nos permitir deliciosas ironias. rsrs ...esse blog é uma das coisas mais esquisitas que já vi na rede. Que obsessão é essa contra partidos de esquerda?! Tudo aqui se dedica a “combater à esquerda”. Que fobia louca!!! Nunca parou pra pensar que alguém pertencente ao que o Doutor chama de “esquerda” pode tá enxergando alguma coisa óbvia a qual o seu grupo político não vê???
    Enfim. O Doutor me pede honestidade quando na verdade nem percebe que é uma questão lógica eu publicar suas respostas, uma vez que preciso publicar os links de seu blog para embasar meus argumentos e sendo assim, não publico apenas suas respostas, mas toda a discussão.
    E mais uma vez vou alertá-lo para que tome cuidado com o seu autismo, sua segurança em relação à verdade absoluta dos seus conhecimentos. Não se esqueça da dinâmica, Doutor!
    Abra o olho e veja que os argumentos liberais só seriam validados se não existissem corrupções políticas legalizadas a partir das ações em defesa dos interesses puramente econômicos, em detrimento do social ou socioambiental. Como podem defender que a concentração não visa privilégios? Pior ainda: como podem fazer de conta que não há concentração ou dominação político/econômica e toda a riqueza produzida sob esse modelo político vem em benefício de todos?
    Vejo que detestam o Prof. Milton Santos porque ele conseguiu enxergar que as técnicas disseminadas, em grande parte, por puro interesse econômico trairiam esse jogo de dominação trazendo à tona toda a verdade sobre o sistema. Ele viu e qualquer um pode ver que vem chegando o grande momento de insatisfação com as promessas não cumpridas.
    E não pense que sou ingênuo de acreditar que esse governo que aí está é mesmo de esquerda e nem, muito menos quero que seja uma ditadura porque as ditaduras de esquerda podem resolver os problemas da humanidade. Não penso assim. Penso apenas que o trabalhador deve ter mais valor nesse mundo e minha simpatia pela esquerda morre aí, pois, ninguém pode fazer nada forçado e se dar por satisfeito. Se não despertamos o interesse pelo bem comum através da consciência, não vamos despertá-lo de outra forma. Por isso a importância da discussão ou do debate aberto. Mais cabeças pensam melhor do que algumas e a diversidade de percepções podem enriquecer o entendimento necessário. Afinal, o que nos destrói mesmo é o individualismo e a obsessão por privilégios.
    Como já postei em outro comentário, concordo que as coisas só podem funcionar bem se houver clareza, transparência e, acima de tudo, consciência. E, definitivamente, o liberalismo econômico não tem nos permitido isso. Pelo menos nos moldes que tem sido conduzido, porque é claro que o “Estado Mínimo” não tem conseguido intervir e o que prevalece é o interesse de alguns grupos. Não há como fechar os olhos para essa realidade.

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    1. 1. Eu sempre deixei muitíssimo claro que seleciono comentários, pois, como já expliquei em vários posts, não dou livre curso à estratégia usada pelos petralhas para aparelhar a rede. Se você não sabia disso ainda, é por dificuldade de leitura.

      2. É óbvio que você tem que publicar o que eu escrevo quando faz uma tréplica a uma resposta minha. A questão é saber se você tem publicado também as respostas que eu dei a comentários seus e às quais você não fez nenhuma tréplica aqui. Publicar no seu blog essas respostas às quais você não conseguiu responder é uma questão de honestidade, exatamente como eu disse.

      3. A sua afirmação de que "os argumentos liberais só seriam validados se não existissem corrupções políticas legalizadas a partir das ações em defesa dos interesses puramente econômicos" é exatamente o mesmo argumento que TODAS AS DITADURAS, de esquerda e de direita, usam para desqualificar a democracia. Getúlio Vargas, um fascistoide de direita, defendia isso. E a esquerda diz o mesmo.

      4. Logo, você cai em contradição quando afirma, em seguida, que não defende ditaduras. Afinal de contas, se o sistema representativo não funciona, então a única forma de organizar um sistema social complexo é por meio de uma ditadura.

      Conclui na próxima resposta

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    2. Conclusão da resposta.

      5. Quando você pergunta como se pode defender a concentração de poder econômico e como se pode sustentar a afirmação de que o sistema capitalista beneficia a todos, minha resposta é simples: veja os indicadores sociais e econômicos produzidos por um sem número de agências públicas e privadas de pesquisa no mundo inteiro. Fica claro que nunca tantas pessoas no mundo, em termos absolutos e também percentuais, gozaram de padrão de vida tão elevado. Trato disso no livro "Por uma Crítica da Geografia Crítica" (Editora da UEPG, 2013).

      6. Milton Santos não viu coisa nenhuma e, no esforço de tentar provar a suposta "perversidade" do capitalismo e da globalização atual, mentia na maior cara dura. Já tratei disso em alguns posts neste blog (ver o marcador "Milton Santos") e, com bem mais detalhes, no meu livro "Por uma Crítica da Geografia Crítica" (Editora da UEPG, 2013).

      7. Depois você diz: "Se não despertamos o interesse pelo bem comum através da consciência, não vamos despertá-lo de outra forma". Essa é outra ideia chave que serviu para justificar todos os totalitarismo dos séculos XX e XXI. E as experiências socialistas já provaram que a tentativa de organizar uma sociedade apelando para a "consciência" das pessoas e o "interesse pelo bem comum" não só levou ao totalitarismo como a um fracasso econômico e social retumbante!

      8. O capitalismo foi bem-sucedido porque criou incentivos econômicos para as pessoas cooperarem entre si. É fato que muitas cabeças pensam melhor do que uma, mas também é fato que as pessoas cooperam mais e melhor para encontrar soluções para os problemas coletivos quando são estimuladas a isso por sistemas de incentivos individuais, como é o caso do mercado. Na falta desses incentivos, as pessoas buscam se tornar autossuficientes e, via de regra, são esmagadas por ditaduras que procuram forçá-las à cooperação. O individualismo, quando inserido num sistema de incentivos como o mercado, integra indivíduo e sociedade, ao invés de colocá-los em oposição.

      8.1. Sobre isso, ver os posts "Camponesa Explica (Sem Querer) que Mercado é Melhor do que Fraternidade" e também "Alunos Preguiçosos Praticam o Socialismo Sem Querer".

      9. A crítica final que você faz ao liberalismo econômico e ao "Estado Mínimo" complementa o seu primeiro argumento, conforme o item 3 da minha resposta. E por que complementa? Porque os ditadores sempre dizem que a democracia e o mercado beneficiam uns poucos em detrimento da maioria. Contudo, os indicadores sociais provam que essa avaliação é completamente falsa. E mesmo os países onde o Estado tem um fortíssimo papel na redistribuição de renda, como a Suécia, estão alicerçados na democracia representativa e na economia de mercado - a Suécia, vale acrescentar, tem uma das economias mais liberais do mundo, segundo a Heritage Foundation.

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    3. Ah, tenha dó! Nem todos caem nessa retórica fantasiosa e omissa.
      O que você tem mesmo é medo dos críticos e se esconde atrás de uma armadura que o blog pode te dar.
      Se te botar em um debate frente a frente com qualquer crítico bem informado, ele te humilha no primeiro round.
      Ninguém em sã consciência vai concordar que os velhacos capitalistas são os inteiros responsáveis pela evolução tecnológica e todo e qualquer benefício que a humanidade possa desfrutar hoje, porque qualquer ser inteligente sabe que o que realmente produz é o trabalho ao invés da especulação. E não adianta escrever textos bonitos pra tentar convencer! Quem raciocina não cai nessa. Isso só funciona com quem se deixa alienar, encantado com artifícios.
      O Bill Gates e seu famigerado acúmulo de propriedade intelectual é o maior exemplo que existe de que a velhacaria capitalista serve muito mais para inibir ao desenvolvimento do que impulsioná-lo. Você tem ideia de quantos programadores foram cercados pela propriedade intelectual porque precisavam de uma ideia que não poderia ser colocada em prática uma vez que esse mercenário já havia comprado o registro dessa ideia só para monopolizar ao mercado de softwares? O exemplo mais explícito que existe de que a liberdade para a criação só produz bons resultados é o sistema Linux que foi adotado pela Google e resultou no Andróid. Mesmo enfrentando todo o tipo de processos tá sobressaindo aos softwares proprietários arrebentando com os concorrentes.
      Ah, quer saber? Já te dei corda demais. Adeus!!!

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    4. Você não deu resposta a nenhum dos argumentos que elaborei nos itens 3 a 9, os quais foram baseados tanto em lógica quanto em evidências empíricas.

      Daí que, por não ter o que responder, começou enrolando com a conversa de que eu uso o blog como "armadura" e que eu seria humilhado num debate com alguém bem informado. Ora, na mesa redonda de que participei no XIX ENGA, minha palestra foi contestada por diversas pessoas da plateia, formada por especialistas em geografia rural, e nenhum deles foi capaz de me "humilhar". Ver a respeito o texto GEOGRAFIA E MERCADO NO BRASIL, na barra lateral deste blog.

      Quando volta a falar nos "velhacos capitalistas", exibe a hipocrisia típica de pequenos capitalistas que falam mal do capitalismo. Conforme eu já expliquei no post "Oito Verdades Incômodas...", agricultores familiares agroecológicos também são capitalistas, já que investem dinheiro para fazer mais dinheiro. Mas fingem que não são apenas pelo fato de gastarem a maior parte de seus lucros com consumo, em vez de acumular e investir de forma crescente.

      Quando você diz que "o que realmente produz é o trabalho ao invés da especulação", repete um argumento tolo ao qual eu já tinha respondido antes, qual seja, o de supor que não é o capital que organiza o trabalho numa sociedade capitalista. Como eu disse, nem Marx concordaria com tal besteira, pois, se assim fosse, ele não poderia ter elaborado uma crítica ao capitalismo baseada no conceito de exploração do trabalho!

      Finalmente, o exemplo que você dá do Linux contradiz todas as críticas que você faz ao capitalismo. Afinal, essa é a prova cabal de que Bill Gates não tem nenhum monopólio da tecnologia, que o Estado, por meio do legislativo e do judiciário, não é controlado pela burguesia e que o incentivo do lucro impulsiona a inovação tecnológica e a produção de bens e serviços que atendem as necessidades humanas, posto que o Google é, de fato, uma megaempresa capitalista!

      OBSERVAÇÃO - Não se esqueça de publicar esta resposta no seu blog e nas redes sociais!

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  8. Deixo este blog:onegronobrasil1980;blogspot.com

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    1. Obrigado pela indicação, Waldimiro.

      Realmente, um dos fatores que contribuiu para a mitificação do Milton Santos era o fato de ele ser um negro com ideias esquerdistas, pois ele sempre é apontado pelos intelectuais "críticos"- até pelo Vesentini! -, como alguém que teria tido que lutar muito contra o racismo para chegar onde chegou. Mas, ora, Milton Santos era filho de professores e nasceu numa época em que a maior parte da população branca era analfabeta! E se formou em direito em 1948, época em que nem sequer 1% da população adulta brasileira tinha diploma de bacharel.

      Milton Santos era inteligente e estudava muito, sem dúvida, mas seu trabalho acadêmico era subordinado a ideologias tacanhas e a trajetória de vida dele é uma evidência em contrário a tudo o que os racialistas defendem.

      Por fim, como o movimento negro é dominado por esquerdistas, não há dúvida de que sempre deram ao Milton uma atenção que ele não receberia se pensasse como o Thomas Sowell, como se vê pelo vídeo abaixo:

      http://inter-ceptor.blogspot.com.br/2015/12/thomas-sowell-destroi-chavao-feminista.html

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    2. Muito interessante o argumento Luis. Entretanto, eu não acredito que sejam contribuições comparáveis. A qualidade de um individuo não se resume a quanto dinheiro ele fez, e francamente, não fosse o Bill Gates ou o Milton Santos, seriam outros bilionários e intelectuais. Alguns se motivam pelo dinheiro, outros pelo prestigio. A beleza do verdadeiro individualismo é que ele acomoda a todos, e que te permite escolher as suas próprias prioridades.

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    3. Eu concordo com você, Mateus. Não era minha intenção dizer que um indivíduo que ganha mais dinheiro é melhor do que alguém atrás de prestígio. Meu primeiro objetivo era mostrar a hipocrisia dos que acusam as pessoas que trabalham para enriquecer de egoístas e passam a vida atrás de recompensas não econômicas, pois essas pessoas são tão ou mais autocentradas e egoístas que aquelas que batalham para ficar ricas. E o meu segundo objetivo era mostrar a grande virtude do mercado: ele dá recompensa econômica para quem se empenha em produzir bens e serviços que atendam às necessidades dos outros. Nesse sentido, um empresário é melhor do que um intelectual socialista, pois o empresário ganha dinheiro com um trabalho administrativo que ajuda a criar riqueza, beneficiando a todos, enquanto o Milton Santos conquistou prestígio defendendo URSS e Cuba, ou seja, defendendo regimes nocivos para a sociedade e para o indivíduo.

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