quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Bônus para professores melhora qualidade do ensino


Como visto em posts anteriores, os sindicatos de professores possuem grande parcela de culpa pelos problemas da educação brasileira. Com vistas a demonstrar os truques retóricos que essas entidades usam para defender interesses corporativistas prejudiciais à educação, nada melhor do que confrontar dois textos que defendem pontos de vista opostos sobre a política de bonificações que vem sendo aplicada no sistema de ensino do estado de São Paulo.


O texto a favor dos bônus para professores é uma entrevista com a professora Maria Helena Guimarães de Castro, secretária estadual de Educação em São Paulo (trechos podem ser lidos aqui), enquanto o texto contrário é uma matéria da Revista Fórum, a qual tem a Apeoesp como um de seus financiadores. Concordei integralmente com a secretária, a qual apresentou argumentos coerentes e bem fundamentados para justificar essa política. Já a Fórum descreveu a proposta da secretária de forma deliberadamente distorcida, fez uma série de críticas sem justificativas, citou informações questionáveis e ainda apelou para o vitimismo no intuito de disfarçar os interesses corporativistas aos quais dá voz.

Escrevi um texto de seis páginas para confrontar os argumentos de ambas as partes, o qual pode ser lido aqui. Neste post, vou apresentar apenas duas conclusões do texto que merecem destaque.

A primeira é a de que os sindicatos de professores insistem em rejeitar gratificações e exigir aumento salarial por uma razão muito simples, mas que eles nunca confessam: porque salário é uma quantia fixa em dinheiro que o trabalhador recebe todo mês se cumprir um mínimo de exigências quanto à assiduidade, qualidade e produtividade do trabalho que faz, ao passo que bônus são adicionais que só recebem aqueles que forem capazes de ir além desse mínimo. Nesse sentido, os sindicatos de professores lutam para que todos os seus filiados ganhem o máximo possível em troca de um mínimo de dedicação (e vale lembrar que, no caso dos funcionários públicos, que têm estabilidade no emprego, esse mínimo tende a ser baixo).

A segunda conclusão a destacar é que o presidente da Apeoesp defende a instituição de um Plano de Carreira no qual o nível de aprendizado dos alunos não conta nada para a elevação salarial dos professores, sendo esta definida apenas por critérios quantitativos de produção e de “atualização”. Ou seja, um Plano de Carreira semelhante ao que já existe no estado do Paraná, onde os professores progridem automaticamente se forem assíduos no trabalho e fizerem centenas de horas de cursos nos intervalos entre as progressões. O fato de haver diferenças qualitativas no ensino de um colégio para outro (como prova o Enem, por exemplo) não tem a menor importância para a Apeoesp. Como também não importa nada que alguns professores sejam mais dedicados do que outros; para o sindicato, basta ter um mínimo de assiduidade ao trabalho e fazer centenas de horas de cursos disso ou daquilo para os professores merecerem progredir na carreira.

Em suma, os sindicatos lutam para preservar um pacto de mediocridade sob o qual o esforço dos melhores professores não é reconhecido e nem premiado, enquanto os menos talentosos e menos dedicados têm a certeza de que vão melhorar de vida dando apenas o mínimo de si mesmos.

OBS.: Publicado originalmente em 01 de agosto de 2011, no site Geografia em Debate

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